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Etnocentrismo:
Fundamentos do Racismo Institucional.
A desigualdade e o paternalismo se explicitam no racismo institucionalizado, quando o Estado promove ações diferenciadas para assinalar a importância deste ou daquele grupo na sociedade. Exemplifica o processo de manifestações em torno de eventos dos imigrantes europeus e asiáticos em detrimento a manifestos do negro ou do índio, que não se promovem retrospectivas históricas, artísticas, culturais e educacionais.
Não há a presença das marcas dos Bancos oficiais e ou das poderosas empresas estatais sobre o evento. Não há relevância na presença de líderes ou Chefes de Estados para assinalar o panorama político-étnico-econômico e cultural no processo identitário e sua importância na formação do povo, cultura e 1sociedade brasileira.
Este espelho traduz a expressão da baixa identidade do negro no território brasileiro e a cristalização do paternalismo como ideólogo do paradigma do Brasil etnocentrista que impede o pensamento através da ampliação da desigualdade e dependência racial onde os negros paternalizados, manipulados com programas assistenciais, não saem do séc XVII, pois a todo tempo e lados, estamos vendo os Senhores, Feitores e Capitães do Matos a nos apontar o Pelourinho e o Bacalhau.
São as sestas de alimentos, o desemprego, a exclusão na educação, a desqualificação e outros itens que nos mantém dependentes e eternos cabos eleitorais, marginalizados, criminalizados e expostos a luz do dia para os olhares exóticos e paternais dos europeus, dos capitalistas, dos civilizados.
A reflexão do Estado em torno do negro é extremamente modelar em torno da dicotomia dominante.
Dividir para reinar e não para ser solidário e ampliar as possibilidades através dos conhecimentos. Ao contrário: Dividir para enfraquecer e aí o Estado cristaliza o seu controle sobre nós os negros de mentalidades escravas por medo de argumentar, discutir e refletir sobre nossas questões e condições.
A intolerância religiosa é fruto do racismo institucional gerado pelo apartheid que divide a geração impedindo o livre arbítrio e as relações espontâneas dos grupos e indivíduos, classificados e tipificados na sociedade excludente de orientação colonialista onde os coronéis e usineiros são os referenciais políticos e econômicos para o controle da população através do social e esmagamento cultural tendo o maniqueísmo como ideologia dominante.
A Regulação tipifica a discriminação religiosa como crime.
Define e fundamenta a Liberdade de Culto e seus locais sem qualquer tipo de obstáculo do Poder Público ou Partícula ou de Participantes, podendo ser realizado em recintos abertos ou fechados. Nas ruas, praças, parques, praias, bosques, florestas etc.
Define três disposições de proibições;
6- quando não tiver caráter pacifico
7- se houver uso de arma de fogo
8- use estiver sendo praticado atos criminosos
A Lei de Abuso de Autoridade pune o atentado a liberdade de Culto.
A Lei define ainda:
Associação Religiosa.
Direitos do Ministro Religioso
Templo Religioso
Ensino Religioso
Casamento e escolha de nomes de filhos de acordo a religião dos pais.
O Brasil é signatário da ONU e respeita as Leis Internacionais
1- Declaração Universal dos Direitos Humanos
2- Declaração para a eliminação de todas as formas de Intolerância e de Discriminação baseada em Religião ou Crença.
3- Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as formas de Discriminação Racial.
Assim sendo, os atentados praticados contra a comunidade negra e sua religião, impedindo que comunidades, grupos ou indivíduos tenham acessos a sua religião e sejam obrigados a conversões por imposições de outros grupos, como se observa nas periferias, quilombos, escolas e repartições públicas, como forma de auferir vantagens e ou para fugirem as discriminações e constrangimentos e ou para ter acesso as benesses do poder público ou privado, é um crime que não deve ser calado.
Esse crime é estimulado pela mídia diuturnamente, numa afronta a Constituição e calado pelos poderes públicos aliados aos usineiros e coronéis contra comunidade negra, que alijada e excluída, tem seus direitos violados por aqueles que têm a responsabilidade e funções de defendê-los e, principalmente pelo silencio e medo.
O Governador de Sergipe discrimina os Terreiros e Comunidades Remanescentes de Quilombos nas distribuições de Cestas básicas de Alimentos, através da CEPIR, que age segundo o interesse pessoal, partidário e ideológico do seu coordenador
A Intolerância Religiosa se associa a Racial; Educacional; Cultural, onde se destaca no interior da administração governamental e do prefeito onde se exemplifica na Educação: 1-a exclusão da cultura negra da Grade disciplinar como instrumento de formação intelectual dos alunos.
2-pré-vestibular na rede pública, numa tentativa de esconder a baixa qualidade do ensino na rede pública, instituindo um apartheid na medida em que o serviço e oferecido a poucos usuários da educação pública e atesta a baixa qualidade e uma educação diferenciada que o governo oferece , antes a rede particular, cujo resultados no Vestibular é 80% maior em número de participantes e classificados.
3- a Secretaria de Estado da Cultura, não contempla a cultura negra em suas funções e operação.
4- o Estado não tem uma política pública para a comunidade negra desconhece os indicadores da cultura negra. Não tem o mapeamento das Áreas Remanescentes de Antigos Quilombos e não usa os indicadores da cultura negra como instrumento pedagógico para a formação de cidadania.
5- O prefeito da Capital exclui a representatividade do negro, na administração pública, se recusando a instalar o Conselho Municipal da Igualdade Racial, dificultando o Combate ao Racismo na Capital.
6-O Estado não possui nenhum instrumento dirigido a representação, preservação , defesa e desenvolvimento do negro e suas culturas.
7- A mídia sergipana, não abre espaços para difusão da cultura negra e nem das questões da comunidade, em defesa dos seus interesses individuais e coletivos. Só abre espaço, quando PAUTA O NEGRO e ou o Assunto.
Severo D’Acelino
Em reunião recente no Conselho Estadual de Cultura, apresentei Proposta de repúdio a Intolerância Religiosa, tão em voga entre nós, e que tem nos agentes dos três poderes os seus maiores instrumentos.
Na ocasião citei os acontecimentos em duas cidades do nosso Estado: Riachuelo e Estância, onde policiais e promotores públicos no extremo poder de abuso, violaram os Direitos Constitucionais das comunidades, impedindo ritus e cristalizando constrangimentos e discriminações, incitados por membros de outras religiões, no caso a evangélica.
Diante da complexidade, ficou acertado pelo Conselho, a realização de um Seminário para daí, tirar a posição coletiva e encaminha-las aos devidos setores. Este seminário será em Novembro na data da lembrança da Consciência Negra.
Fazendo uma releitura das Questões e Condições do Negro em Sergipe, observo a imobilização do coletivo em tornos das ações raciais, cristalizando o comodismo gerado pela tradição paternalista que sufoca a reflexão destes manifestos que mantem grande parte do coletivo com a mentalidade escrava numa atomização social estimuladora das fugas, dos medos e dos conflitos interraciais.
Se houvesse unidade nas nossas diversidades, certamente não haveria a necessidade de sistemáticas ações invasivas em nossos manifestos, pois a força da identidade e do referendo por si só impediria qualquer tipo de violência nesta ou em qualquer direção. No entanto se observa que ela se encontra dentro do nosso grupo.
Somos nós os negros distribalizados, conseqüentes, recalcados, esbranquiçados e que temos vergonha de nossa raça, etnias, culturas, cor e situação que estigmatizamos, discriminamos e odiamos os nossos iguais, tendo como base a nossa cor, classe, religião, partido e posição nos espaços de poderes esquercendo a história dos nossos Ancestrais, a nossa, e esquercendo para não se lembrar de onde vimos e para onde vamos.
Em Sergipe, fomos e somos: africanos, crioulos, mulatos, pretos, pardos, afros sergipanos, afros descendentes dentre outras tipificações reducionistas da sociologia do poder e seus historiadores amestrados. Cada um se instalando ou cooptado por esta ou aquela religião, agregada ao poder e ou aos senhores que cuidaram de nos dividir para reinar em berço esplendido, construindo a ideologia do branqueamento estimulando as fugas étnicas e o recalque. Isso gerou a discriminação e a intolerância no interior do coletivo negro, onde reproduzimos em nossos iguais os estereótipos e os mesmos comportamentos dos brancos sobre nossa raça.
Somos, a maior população de um Estado Negro, sem Cultura Negra, que sistematicamente pratica o etnocídio sobre nós, com um controle absoluto, se utilizando perversamente dos indicadores da Educação; Saúde e Segurança para nos reduzir ao máximo, evitando a construção de nossa identidade, para que não sonhemos cidadania plena através do conhecimento e identificação dos nossos valores.
Sem educação, vivemos á deriva, sem conhecer ou reconhecer os nossos indicadores históricos, religiosos, artísticos, líderes, filosóficos, tecnológicos, psicológicos, tradicionais, costumes, usos, educacionais, pedagógicos, lingüísticos, jurídicos, sociológicos etc. 86% da população absoluta do território sergipano, excluídos, vilipendiados, discriminados, criminalizados, manietados, marginalizados, estereotipados, banidos, dependentes, sobreviventes que se odeiam e se violenta como moeda corrente para marcar espaço na mobilização e visibilidade do espaço de poder, mesmo tendo que negar a própria filiação.
Neste âmbito de relações equivocadas, temos preconceitos de ter preconceitos e vergonha de sermos negros, agregando a nossa ideologia do recalque e não nos reconhecemos enquanto negros e muitas das vezes também, não somos reconhecidos como tal, e, assim sendo vamos negando as nossas evidencias e fazendo as sujeiras que nos mandam e ou nos sugerem contra o nosso coletivo negro, estereotipado de baixo e inferior e vamos em busca do ideal eurocentrico.
As manifestações discriminatórias partem de nós mesmo em diferente graus: materiais e imateriais. Situações: econômicas, sociais, culturais, religiosas, políticas, condizente ao status do grupo e ou do individuo dominante. A sua leitura é que prevalece.
O domínio de luta contra a Intolerância Religiosa, existe diversos indicadores constitucionais e legítimos que são olvidados deliberadamente principalmente pelas autoridades policiais e do direito, justiça e lei. A própria comunidade alvo, vítima dos criminosos, se calam antes as violações dos seus direitos, como medo de retaliações, por falta de unidade, por falta de solidariedade, por falta de conhecimento, por falta de assistência, por falta de interesse e responsabilidade social, por falta de apôio
Há uma legislação histórica para assinalar o memorial do domínio do terror da Intolerância Religiosa, além dos limites da Inquisição. Em 1832 um Decreto obrigava os Escravos a se converterem a religião oficial e uma legislação atual que aponta caminhos legais contra as violências e agressões policiais, perseguições políticas, judiciais invasões arbitrárias dos templos por promotores, e autoridades policiais e políticas.
Num Estado Laico, onde desde a primeira Constituição brasileira de 1891, a idéia de religião deixou de ter respaldo legal. A Constituição de 1988 não deixa dúvidas sobre a matéria e proíbe imposições de obstáculos a qualquer culto ou religião.
A intolerância religiosa é fruto do racismo institucional gerado pelo apartheid que divide a geração impedindo o livre arbítrio e as relações espontâneas dos grupos e indivíduos, classificados e tipificados na sociedade excludente de orientação colonialista onde os coronéis e usineiros são os referenciais políticos e econômicos para o controle da população através do social e esmagamento cultural tendo o maniqueísmo como ideologia dominante.
A Regulação tipifica a discriminação religiosa como crime.
Define e fundamenta a Liberdade de Culto e seus locais sem qualquer tipo de obstáculo do Poder Público ou Partícula ou de Participantes, podendo ser realizado em recintos abertos ou fechados. Nas ruas, praças, parques, praias, bosques, florestas etc.
Define três disposições de proibições;
1- Quando não tiver caráter pacifico
2- Se houver uso de arma de fogo
3- Use estiver sendo praticado atos criminosos
A Lei de Abuso de Autoridade pune o atentado a liberdade de Culto.
A Lei define ainda:
Associação Religiosa.
Direitos do Ministro Religioso
Templo Religioso
Ensino Religioso
Casamento e escolha de nomes de filhos de acordo a religião dos pais.
O Brasil é signatário da ONU e respeita as Leis Internacionais
1- Declaração Universal dos Direitos Humanos
2- Declaração para a eliminação de todas as formas de Intolerância e de Discriminação baseada em Religião ou Crença.
3- Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as formas de discriminação Racial.
Assim sendo, os atentados praticados contra a comunidade negra e sua religião, impedindo que comunidades, grupos ou indivíduos tenham acessos a sua religião e sejam obrigados a conversões por imposições de outros grupos, como se observa nas periferias, quilombos, escolas e repartições públicas, como forma de auferir vantagens e ou para fugirem as discriminações e constrangimentos e ou para ter acesso as benesses do poder público ou privado, é um crime que não deve ser calado.
Esse crime é estimulado pela mídia diuturnamente, numa afronta a Constituição e calado pelos poderes públicos aliados aos usineiros e coronéis contra comunidade negra, que alijada e excluída, tem seus direitos violados por aqueles que têm a responsabilidade e funções de defendê-los e, principalmente pelo silencio e medo.
O Governador de Sergipe discrimina os Terreiros e Comunidades Remanescentes de Quilombos através nas distribuições de Cestas básicas de Alimentos, através da CEPIR, que age segundo o interesse pessoal, partidário e ideológico do seu coordenador.
A Intolerância Religiosa se associa a Racial; Educacional; Cultural, Saúde, Segurança . Comunicações, onde se destaca no interior da administração governamental e do prefeito onde se exemplifica na Educação:
1-a exclusão da cultura negra da Grade disciplinar como instrumento de formação intelectual dos alunos.
2-pré-vestibular na rede pública, numa tentativa de esconder a baixa qualidade do ensino na rede pública, instituindo um apartheid na medida em que o serviço e oferecido a poucos usuários da educação pública e atesta a baixa qualidade e uma educação diferenciada que o governo oferece , antes a rede particular, cujo resultados no Vestibular é 80% maior em número de participantes e classificados.
3- a Secretaria de Estado da Cultura, não contempla a cultura negra em suas funções e operação.
4- o Estado não tem uma política pública para a comunidade negra e desconhece seus indicadores culturais. Não tem o mapeamento das Áreas Remanescentes de Antigos Quilombos e não usa os indicadores da cultura negra como instrumento pedagógico para a formação de cidadania.
5- O prefeito da Capital exclui a representatividade do negro, na administração pública, se recusando a instalar o Conselho Municipal da Igualdade Racial, dificultando o Combate ao Racismo na Capital.
6-O Estado não possui nenhum instrumento dirigido a representação, preservação, defesa e desenvolvimento do negro e suas culturas.
7- A mídia sergipana Racista e instrumento de dissociação etnoracial, não abre espaços para difusão da cultura negra e nem das questões da comunidade, em defesa dos seus interesses individuais e coletivos. Só abre espaço, quando PAUTA O NEGRO e ou o Assunto.
Educação - Nós os negros, historicamente excluído da educação e escolas convivemos com o banimento de nossa cultura do processo de nossa formação intelectual e construção da nossa identidade enfrentando uma escola que, como aparelho ideológico, reproduz os estereótipos contra nossa raça, cor, etnia, religião, tradições, histórias, lideranças, psicologia, conjunto organizado de idéia, técnica de sobrevivência, organizações, heróis, arquivo humano,artes, literatura.
O nosso patrimônio histórico artístico e cultural é desprezado como ícone de nossa desqualificação antes o sistema que sufoca o pluriculturalismo.
Uma escola/educação unidirecional europeizante, eurocentrica e reducionista que nos transforma em macaqueadores da cultura ocidental onde brancos e negros são mantidos afastados pelo ponto de vista eurocentrico , que só veicula os valores apoiados na imagem do vencedor e na sua pratica etnocêntrica, esmaga e mata todas as possibilidades da cultura do negro e do índio, negando o status de ficar no mesmo patamar da cultura européia impedindo a desconstrução dos mitos produzidos ao longo de séculos de dominação, intolerância e marginalização.
A Justiça é posta contra o negro e nunca ao seu favor, a ciência jurídica, principalmente a penal ainda perduram os traços da sua longa convivência com a escravidão, para a qual a nossa condição é revogável. Não há Direitos para o Negro, só contra o negro. Estamos pois em liberdade condicional, a sua prática do Direito Criminal é racista. No dizer de Nilo Batista, só a demonstração de um novo direito penal que não seja:
a- Boleguim ideológico da dominação,
b-destruidor dos destinatários de suas normas,
c-da estigmatização e do privilegio.
Busquemos, pois, um Direito Penal:
i-concebido e pré disposto como garantidor da justiça social
ii-realizador dos valores essenciais da pessoa humana
iii-um direito da redenção e confraternidade
Só deste novo Direito Penal se poderá dizer que é um direito dos negros e outros oprimidos e não um direito contra os negros e contra os oprimidos.
“No Brasil será sempre impróprio falar-se num direito penal do negro, mas só porque deve falar num direito penal contra o negro. Transbordam da tradição jurídica lusitana escravista, incorporada pela legislação brasileira, um rigor e uma crueldade que tem coerente seqüência nas leis penais posteriores á abolição e, praticamente, na aplicação prática discriminatória dessas leis.”
Nilo Batista.
Muito de nós os negros, principalmente nos espaços de poder, os chamados negros da Casa Grande, em vez de assumir nossas lideranças, por representar a Elite antes o coletivo, fugimos das reivindicações, da raça e da cultura, nos associando ao poder contra os manifestos de nossa gente. Reproduzimos como os “ libertos africanos” que sem cidadania, aderiam ao escravismo, atuando contra a Resistência Negra, contra a abolição porque poderiam ser deportados como “estrangeiros” A alforria revogável qual doação, mantinha-os submissos aos interesses dos antigos senhores. Os libertos do Direito Escravista.
As nossas organizações, dependentes dos poderes públicos, ainda não elaboraram uma estratégia de autonomia e independência nos debates das idéias, nas soluções dos problemas e na construção da identidade, por conta das “Elites Negras” que se excluem das questões do coletivo.
Será preciso outros 400 anos, para que o Preto, seja levado a sério e respeitado como representante da maioria da população deste Estado que teima em jogar seu racismo, debaixo do tapete. e manter cristalizada a filosofia paternalista, numa Ode a Casa Grande
Uma apologia a ideologia branqueadora e paternalista, onde o negro até hoje é visto pela visão JURIDICA e não FILOSOFICA, um juridicismo de visão estreita, julgando ter feito muito pelos Pretos, quebrando suas correntes. Não tem a coragem de transformar o Antigo Escravo em Homem Livre emancipado e seu igual, o que é Filosófico, a leitura e reflexão das problemáticas, a prática da Humanidade.
Ainda hoje, o branco não admite a Igualdade antes ao negro (principalmente o Preto), seu antigo escravo, pois sua mentalidade de senhor é mais forte e impede o ato através dos preconceitos, não aceita a autonomia independência e consciência do negro forçado a pensar branco.
O Preto e o Índio, vítimas do etnocidio branco, ( sem espaços na mídia, propriedade dos Usineiros escravagistas; do Estado teocrático partidárizado e dos Evangélicos mercantilistas, que cassam nossas vozes violando os nossos direitos de expressões, mas que querem nossos votos e submissão, o que haveremos de desconstruir. A Diversidade é uma relação de poder inclusiva porque não permite ações invasivas do julgo paternalista que impede a reflexão e cristaliza a atomização.
Essa Elite Negra, de memória seletiva e mentalidade escrava que busca no clarear da pele e do diferencial de status, reproduzir no coletivo negro os estigmas dos dominadores, fazendo tudo para ser igual ao seu colonizador, porque se envergonha de si enquanto raça e cultura, enquanto diferença, enquanto outro. Por se sentir inferior e não diferente, fazem grandes esforços para se igualarem aos que lhes inferiorizam.
Este pensamento de Alberto Memmi e Frantz Fanon nos dar oportunidades de exemplificar a realidade da nossa mentalidade escrava e sentimentos de rejeição e a nossa vergonha de ser negro, não gostar de negros nos leva ao ódio iterracial, separatista, reducionista e acima de tudo imoral, que nos leva as práticas daquilo que combatemos. O Racismo; Xenofobia; Intolerância; Discriminações, contra nossa raça e culturas e religiões.
Quem pode impedir ou discriminar um Índio de ser Padre, Pastor, Pai de Santo, Monge se ele não que ser Pagé ?
Quem pode impedir ou discriminar que o Negro seja Pastor, Padre, Pajé, Monge, se ele não quer ser Pai de Santo?
Quem pode impedir ou discriminar que um Branco seja Pai de Santo, Pajé, Pastor, se ele não quer ser Padre.
A ninguém é dado o direito de impedir, discriminar e criar obstáculos Ao exercício do livre arbítrio do Negro (preto, pardo, mulato) seja cristão, budista, xintoísta, evangélico, macumbeiro, espírita, islamita, batista ou outra qualquer denominação religiosa ou filosófica pois a única expressão que a Constituição não permite é o curandeirismo e o fanatismo, muito em voga entre nós.
Existe e deve ser respeitado a Diversidade e o Livre Arbítrio.
Nem todo negro gosta de Samba, Capoeira ou Candomblé.
Pluralismo é isto. Liberdade de Expressão, de se expressar, que é a própria expressão da Liberdade.
Sirvo-me das expressões de Juanita Elbein em Arte Sacra Negra e Kelli em Intolerância e Racismo no Interior dos Quilombos e Comunidade Negra, postado pelo CNNC/Ba, para exemplificar a leitura do inconsciente coletivo sobre o tema.
“0 Brasil é um país de origem luso-afro-ameríndio, elementos constitutivos que se encontram em diversos graus de associação e transformação(...). Essa população preserva grande parte de suas culturas de origem em diversos graus de transformação, dependendo da maior ou menor retenção dos modelos africanos e das circunstanciais sócio-históricas das diversas regiões onde se estabeleceram os vários grupos étnicos.
Os africanos e seus descendentes, portadores de uma riquíssima, tradição, correspondente às dos diversos reinos de onde eles procediam, trouxeram e radicaram aqui seus costumes, suas hierarquias civis e militares, suas línguas, suas concepções estéticas, dramatizações, literatura oral e mitologia e, sobretudo. a sua religião. Devido a vários fatores, a cultura nagô classificada como yorubá pela etnologia moderna, proveniente do oeste da Nigéria, centro e sul de Daomé, composta por grupos oyó. Egbá ,egbádo, ijexá, sabé e ketu sobreviveu como uma estrutura própria e influenciou todas as outras, quer seja a jêjê, proveniente de Daomé e cujos traços culturais são semelhantes aos dos adjá, fon, huedá e jegun. quer sejam as de origem bantu que maior acomodação e transformação sofreram.
A prática da religião tradicional, cuja doutrina e liturgia armazenam e explicitam o conheci¬mento, a filosofia e a ética negro africaria, foi o fator principal que permitiu ao negro bra¬sileiro preservar suas raízes culturais, manter vivas suas tradições, sua integridade psicológica e o sentido de comunidade em bem organizadas sociedades egbé localizadas em terreiros, que mantiveram vivos os sistemas culturais herdados.
Na diáspora, o espaço geográfico da África genitora e seus conteúdos culturais foram transferidos e restituídos no terreiro, polo de concentração do africanismo de onde se irradiam e permeiam a sociedade global.
0 terreiro recria uma estrutura socio cultural e gera importante atividade artística e artesanal diretamente derivadas dos modelos tradicionais e das necessidades do culto. Alguns produtos dessa atividade, suas origens, as técnicas, os materiais usados, o simbolismo e, sobretudo, o significado no contexto cultural que lhes deu origem, bem como recriações que inspiram, são o objeto desta abordagem.
A arte africana esta fundamentalmente associada à religião.
Não é estranho, pois, que nos cultos afro¬ brasileiros se repita essa modalidade. Música, cânticos, danças litúrgicas, os objetos sagrados, sejam os que foram parte dos altares ou os que paramentam os orixás, contêm aspectos artísticos que integram o complexo ritual. 0 conceito estético é utilitário e dinâmico. 0 belo não é concebido como um mero prazer estético, mas participa de todo um sistema.
Os objetos têm uma finalidade e uma função. Expressam categorias, diferentes qualidades; componentes de um todo, são ativos indutores de ação. Portadores de força mística estimulam o processo de adoração. 0 místico e o sagrado se expressam através de um complexo sistema simbólico cujos objetos emblemas se manifestam esteticamente.
Os objetos por si mesmos são apenas substância material. Para adquirir sua representação simbólica devem ser consagrados. Um objeto reune as condições estéticas requeridas pelo culto, mas que não foi”preparado”, carece de fundamento . é simplesmente uma expressão artesanal e/ou artística.
0 caráter sagrado é dado através de cerimônias especiais durante as quais poderes específicos lhe são transferidos. Não são. Portanto, objetos divindades, fetiches onipotentes que controlam os adeptos. São emblemas preparados e aceitos como símbolos de forças espirituais. Os objetos não são apenas representações materiais, mas emblemas essenciais em que o sagrado está representado. 0 adepto não se inclina diante da madeira, porcelana, barro, palha ou pedras, mas diante do abstrato sagrado, da mesma maneira que o católico não adora a imagem material de santos e crucifixos, mas o espírito místico que simbolizam.
Os diversos elementos que constituem um emblema não devem ser compreendidos em separado. Assim por exemplo, o xaxará vassoura ritual emblema do Orixá Obaluaiyê, é um objeto com uma estrutura determinada, constituída por uma quantidade de símbolos signos que se encontram nela incorporados búzios, certas contas, palha da costa, nervuras de palmeiras, cores específicas, etc. e que, embora tenham significados próprios, não devem ser considerados separadamente, mas como partes integrantes da totalidade do símbolo xaxará que contribuem para expressar. Por sua vez, o xaxará toma significado pela função que Obaluaiyé princípio masculino do panteão da terra e patrono das enfermidades epidêmicas tem na constelação das divindades nagôs.
Os objetos símbolos, formas estéticas carregadas de significado, podem ajudar nos a inferir todo o sistema religioso estético de uma comunidade cultural. É a expressão estética que “empresta" sua matéria para que o sagrado e místico se revelem.
Escultura, objetos simbólicos, quer sejam alegóricos, terapêuticos, protetores, agressivos ou advinhatórios, devem reunir qualidades técnicas que respondem a critérios estéticos e estilísticos bem definidos. A maior parte dos objetos sacros deve ser vista de maneira dinâmica, já que são concebidos para serem usados em circunstâncias rituais, de procissão ou dança, nas quais movimento e cor, panos, cortinas de palha da costa e tiras e outros elementos completam a concepção simbólico estética.
Há objetos específicos para expressar as mais diversas situações rituais objetos, relacionados à fertilidade, controle, coesão ou estabilidade social, mortalidade e eterno renascimento, os que conotam heroísmo, soberania, hierarquia, os relacionados com o gênesis do universo e dos seres e suas relações com o mundo sobrenatural, os que representam os princípios e os elementos espirituais do universo e dos seres humanos.
Apreciar objetos de arte que se acham fortemente associados a cânones estéticos e a um contexto cultural complexo pouco ou mal conhecidos. exige do observador grande despojamento etnocêntrico, abertura e sensibilidade para valorizar e
reconhecer na diversidade cultural um meio de enriquecimento profundo e de equilíbrio nas relações humanas.
Os objetos não são apenas exibidos como material etnológico. Além de sua função ritual e simbólica são expoentes vivos de uma criatividade peculiar da qual Deoscoredes M. dos Santos (Mestre Dídi) é um dos seus mais puros representantes.
A arte negra contribui amplamente para as principais correntes das artes baianas. Desde o peculiar estilo de, talhas e santaria barrocas até os trabalhos de Agnaldo dos Santos, desde as manifestações folclóricas como capoeira, afoxê e maculelê até os mais contemporâneos de música popular, desde as colheres de pau até os mais requintados quitutes, desde as blusas e batas até o gosto pelas cores, colares, berloques e balangandãs, desde as esculturas e desenhos de Mário Cravo, Caribé e Hélio de Oliveira até as mais abstratas reformulações de Rubem Valentim, toda a gama das artes baianas leva a forte e inequívoca marca de sua herança negro africana.”
“Eu nasci, cresci, vivi e vivo até hoje em um quilombo, logo, sou quilombola. Já nasci em um lar cristão, nunca fui de outra religião.
Até certo momento da minha vida, confesso que achava que deveria separar a religião da cultura. Nós temos festas comemorativas que acontecem anualmente: dia de São Benedito, Festas Juninas e Julinas, Encontro da Cultura Negra e etc, aonde são dias em que quase toda a comunidade se reúne para se alegrar, dançar, brincar, sorrir... Mas esse evento é freqüentado apenas pelos católicos da região.
Meu quilombo é formado por 400 pessoas, sendo boa parte delas membros da Igreja Assembléia de Deus, onde se encontra mais problemas na hora de “liberar” seus membros para quaisquer eventos “mundanos” no quilombo. Temos a Igreja Batista da qual sou membro. O pastor nunca fica sabendo para onde vamos e o que faremos lá, pois ele também é contra essa mistura de religião com cultura.
Acontece se passarmos muito tempo freqüentando esses eventos e festas e sermos excluídos, bem mais pra frente, por intermédio de “irmãos” que vão até o pastor criticar nossa “má conduta”. Existe aqui também, como já falado anteriormente, a Igreja Católica, que é a que está mais presente em tudo. E temos umas duas, três ou mais pessoas que são admiradores ou até mesmo seguem Umbanda e Candomblé, ressaltando que, não temos terreiro em nossa comunidade. Já tivemos um, mas a pessoa que o mantinha não mora mais em nosso quilombo e a grande vontade dos que a esta, é reconstruir um templo, um terreiro por lá. Com certeza, haverá “quebra-pau”, pois o preconceito ainda é muito grande.
Se me perguntarem o que eu acho de tudo isso, eu responderia que não tenho nenhuma opinião formada a respeito. A evangelização nos dividiu demais, não somos unidos como deveríamos ser. Tínhamos conseguido resgatar o jongo depois de um considerável esforço e hoje ele já não existe mais tão fortemente como antes, pois a maioria dos componentes era da Assembléia de Deus e o pastor os impedem completamente de continuar a fazer parte, assim como também no futebol.
Temos um grupo de Hip Hop, aonde no penúltimo evento que nos apresentamos, não contamos com a presença de um dos componentes que nos “deixou na mão” sem prévio aviso e logo quando contatado, disse que seu pastor (Assembléia de Deus), achou melhor que não fosse tocar conosco. Ele é do grupo já há um tempo, e hoje não sabemos se ainda o é.
O que falta é reunião para redefinir.
Aos poucos, tudo vai sendo destruído pela forte “pressão religiosa”. E sobre isso, eu tenho uma opinião formada. No passado, Yeshua não falou em evangelização. As palavras de Yeshua foram mudadas conforme os europeus quiseram. Yeshua veio pra fazer a diferença. Assim como veio Ghandi, Tchê Guevara, Zumbi, esses nomes tão fortes e ilustres. Yeshua falou em amor, união, paz. No Velho Testamento, vemos passagens de sacrifícios/oferendas que eram oferecidos a Deus e, claro, ainda hoje o sacrifício é realizado.
Ao contrário do que dizem, ele não é, nunca foi e nunca será pecado. Por acaso é pecado oferecermos a Deus nossas vidas, nossas casas e tudo o que temos? Por um acaso é pecado oferecer o meu animal mais forte, mais bonito e vistoso a Deus? Eu me disponho a responder: Não. Não é!
Isso foi à forma mais fácil que os europeus encontraram de começar a conversão, a mudança, e transformar a nossa religião, a religião dos pretos, em uma religião abominável como hoje o é aos olhos de muita gente. Aos poucos foram excluindo isso e aquilo e quando demos conta, já estavam lá, suspendendo a imagem de um Yeshua branco, ensangüentado, totalmente diferente da realidade. Começaram a apelação: Se não creres, se não vieres até ele, será lançado no inferno juntamente com o diabo. Diabo... está aí outra criação deles para conversão pelo temor.
No quesito artístico, tenho que admitir, eles tiveram talento e criatividade. É muito fácil conseguir arrastar milhares e milhares de “fiéis” para os bancos das igrejas alegando que se morrerem sem estar em “comunhão” com Deus, irão para o inferno. Só não percebe que isso é completamente inviável quem não quer. Mas não pretendo falar sobre diabos e demônios agora.
Deixe-os para aqueles que adoram os invocar e fazem questão de trazê-los pra dentro das igrejas gritando pelo seu nome e fazendo fileiras de oração depois do culto com as mãos postas sobre as cabeças, dando show de graça para todos que quiserem ouvir, e também ver as pessoas se contorcendo no chão, duros e fazendo caretas. Eu sou amante de psicologia e sei bem que, mexemos com energias, nosso corpo sempre responderá positivamente a um comando, pois somos energias. Isso se chama Hipnose.
Acho engraçado, as pessoas vão até a igreja sem problema algum e muitas das vezes saem pior do que entraram, com o corpo totalmente sobrecarregado (Claro! Depois de uma sessão de espiritismo, não tem como ser diferente). Absolutamente nada contra os espíritas, mas é que em muitas igrejas, me sinto sentada em uma “mesa branca” assistindo todos os espíritos baixarem. Muitas igrejas trabalham desta forma, “acham lindo”, e ainda “metem o pau” nos espíritas e macumbeiros. Por que será? A forma de trabalho é praticamente a mesma, não consigo ver muita diferença. Acho que a única, é que os espíritas assumem que são espíritas.
”Eu, como protestante preta, não mais sigo o Cristianismo enquanto instituição. Eu sigo o Cristianismo de Matriz Africana. Esse acaba com o ódio que muitos sentem do cristianismo enquanto instituição, que é uma religião que massacra, aterroriza, impede as pessoas de serem felizes e as obrigam a viver sob fortes regras, as transformando em bonecos de corda, marionetes.”
Em um Domingo, presenciei um irmão de a igreja pedir que oremos, pois nossa igreja está sendo perseguida sem um porquê. Agora eu pergunto, sem um por quê? Absolutamente! Claro que tem um porque. Qual a religião que sempre invadiu terreiros nessa vida? Qual a religião que sempre deu showzinho em público quebrando imagens de santos? Que religião segue o prefeito de Salvador que mandou derrubar todos os terreiros? Eu respondo: O Cristianismo enquanto instituição.
Muitos crentes vieram me dizer: “Ah, mas não podemos ser todos incriminados por uma coisa que só esse prefeito fez”. Quando me voltei pra essa pessoa e perguntei se ela achava que o prefeito estava errado, não soube me dizer. Ou seja, considera apelação do prefeito, mas acha que ele está no caminho certo.
Infelizmente, tudo isso reflete dentro do meu quilombo. O mesmo preconceito!
E eu digo, é possível sim, crer em Cristo e manter as tradições. Por mais que muitos pensem o contrário, Cristo está mais próximo das tradições do que imagina e um dia essa verdade, irá ser revelada para rompimento do sofrimento do meu povo preto. Eu creio!
Graças à capacitação de historiadores, esse mistério vem sendo desvendado com certezas. E o rancor, o ódio de algumas pessoas de outras religiões, vem sendo quebrado. Vão percebendo que os europeus se apropriaram do cristianismo e o transformaram em uma religião violenta. Falo com bases nas posturas de meu marido hoje, comparando com as que ele tinha assim que nos conhecemos e começamos a namorar. Tinha pudor, tinha ódio do Cristianismo e hoje, não mais. Não é seguidor de Umbanda, mas falo sem nenhuma vergonha que suas crenças são voltadas pra tal. Nem falava no nome de Jesus de tanto ódio. Hoje me deparo com frases como estas: “Fulano está de um jeito que só Jesus”. E pra isso, não precisei evangelizá-lo. Até seu irmão, que antes tinha o mesmo pudor do Cristianismo, me deparei com uma comunidade em seu Orkut que diz: “Jesus! Eu te amo!” Tudo isso, graças ao desvendamento que se vem dando em relação a isso.
Acho o máximo. Vejo o progresso, graças a Deus! E é disso que precisamos: união entre o povo preto e não precisamos arrastar ninguém de uma religião à outra pelos cabelos.
Deus há de julgar a todos com sua benevolência. Só me pergunto: Como Deus julgará civilizações que usando o seu Santo nome trucidaram 200 milhões de seus filhos e filhas na África e seqüestraram quase 30 milhões para as Américas? Qual será o julgamento para a escravidão de homens e mulheres que se apropriaram da força de trabalho, mudaram as línguas, os nomes, costumes e cometeram atrocidades inimagináveis? Que enforcaram milhares de negros e depois foram para os cultos como nada tivessem feito, com sensação de missão cumprida, com “a alma limpa”, simplesmente por acharem que haviam feito um grande favor pra Deus, matando estes filhos do demônio.
Já chegaram a dizer que Deus é branco e que o diabo é que é preto. Quem foram os seguidores e adoradores do diabo e satisfizeram os desejos do mal, foram os seqüestradores ou os meus ancestrais que viviam nas suas florestas e savanas, fazendo seus cultos nos terreiros em paz?
As civilizações ocidentais que se diziam seguidoras de Yeshua foram tão perversas, que hoje, a maioria de nossos irmãos e irmãs se calam, sendo subserviente com medo de clamar e lutar por justiça, porque se consideram descendentes de amaldiçoados e acham que a vontade dos opressores é a vontade de Deus. Veremos!”
Grande Asè!
DOIS Comentários sobre a questão.
• Olá Kelly
Li seu texto e achei muito boa sua crítica.Concordo com você que a religião tem nos dividido enquanto negros e negras. Sou da Igreja Metodista e tenho trabalhado e sonhado que é possível sermos negros, física, cultural e espiritualmente - sem as divisões impostas pelas instituições sociais e religiosas. Na minha vivência tenho percebido que as pessoas negras metodistas, e creio que em geral no meio evangélico, já incorporaram de tal forma o evangelho branco, europeu que o reproduzem com maior fidelidade do que as pessoas brancas,principalmente no que se refere à condenação da cultura e práticas religiosas negras. É difícil! O preconceito existe por parte das pessoas negras "crentes" em relação às pessoas negras "não-crentes" (como também ocorre o inverso), mas nos "crentes" está arraigado de tal forma que qualquer leve aproximação com a cultura afro é vista do mal. Penso, que cabe a cada uma de nós que se torna consciente da existência do preconceito religioso - ocupar espaços dentro das instituições religiosas para denunciar e incomodar no sentido de provocar mudanças e para que venhamos a desfrutar da união entre o povo negro independente das religiões professadas e sem medo de encontrar nas diferenças um caminho para nosso crescimento.
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Diná da Silva Branchini
Conheço a comunidade Quilombola do Campinho há 2 anos e me surpreendi com a presença maciça de evangélicos e a completa ojeriza em relação às tradições de reverência à ancestralidade. Como sou de família de tradição de zeladores de terreiro, fui lá procurando uma identificação nesta sociedade preconceituosa que não me enquadro.
Mais tarde fiquei sabendo que houve um grande centro de culto aos ancestrais similar o que hoje poderemos chamar de Umbanda e, com o advento da chegada de obras de construção da BR-101, que dividiu o Quilombo ao meio e, com esta obra trouxe "estrangeiros" a grilar suas terras e também "baianos" a misturar suas religiões de origem mais semelhante ao Candomblé e fundar outro centro. Quizilas entre os zeladores de terreiro se formaram e tanto a evangelização quanto o catolicismo serviram de porto seguro à esses comportamentos que foram praticamente banidos da comunidade.
Entretanto cultura e dons divinos não morrem, o ASÈ é forte na terra e Ifá é presente no Ori de muitos membros do coletivo que utilizam sua força herdada para o culto com fé e força na cultura cristã eurocêntrica.
As práticas de tempos imemoriais são muito poucas mas ainda presentes e muito escondidas. O relato da Queli é muito interessante, forte e admirável pois reflete uma visão crítica que pouquíssimos no Quilombo a tem.
Recentemente, na última Semana da Consciência Negra, houve um zelador a falar sobre a filosofia do Candomblé no Quilombo e foi muito interessante pois mais que uma religião é uma forma de viver que este Quilombo, que dá as costas a esta força ancestral e tradicional revive em seu dia a dia sem nem saber. Os preceitos filosóficos do Candomblé estão mais fortes neles que no de tantos outros seguidores do Candomblé que vivem em cidades. E, devido a um processo histórico, repudiam a base pela ignorância difundida e conceitos difamados por cultura díspare à que eles se harmonizam por natureza.
Realmente os Cesares fizeram um excelente trabalho político de evangelização onde nós negros éramos carga e os Brancos os santos barrocos! E perpetuam entre os descendentes das cargasdonavios negreiros para se manterem no poder. Eis o fruto da ignorância em nosso mundo.
Paulo Artur
Localização: O Quilombo Campinho da Independência está localizado ao sul do Estado do Rio de Janeiro, a 20 km da cidade de Paraty, entre os povoados de Pedras Azuis e Patrimônio. É banhado pelo rio Carapitanga e servido por cachoeiras e pela exuberante Mata Atlântica.
Histórico: A origem do Quilombo Campinho da Independência é muito peculiar. Todos os moradores são descendentes de três escravas: Antonica, Marcelina e Luiza. Segundo as histórias contadas pelos mais velhos as três não eram escravas comuns, pois tinham cultura, posses e habitavam a Casa Grande. Conta-se que no local existiam grandes fazendas, sendo a Fazenda Independência a mais importante. Após a abolição da escravatura os fazendeiros abandonaram suas propriedades e as terras foram divididas entre aqueles que nela trabalhavam
Kelly, 23 anos, recém-casada. Pseudônimo Nzinga Mbandi
PROPOSTAS.
No esforço de contribuir com as reparações das desigualdades geradoras do preconceito, racismo, discriminações e intolerâncias, alencamos as propostas como indicadores de uma política pública nas áreas da Educação; Saúde; Direitos Humanos; Religião e Comunicações.
EDUCAÇÃO
O processo de desenvolvimento da capacidade física, moral e intelectual da criança, visando a sua melhor integração individual e social. O Coletivo negro sergipano, não teve e não tem até hoje seus indicadores culturais como instrumentos pedagógico para sua formação, seja moral, intelectual. O Estado exclui e viola os direitos naturais e constitucionais do negra na educação e prioriza as ações em torno de um único grupo cultural, cristalizando o etnocentrismo e a prática diária do etnocidio tanto do negro, quanto do que restou do índio. Buscando o reencontro de uma ação afirmativa e compensatória, é que buscamos a coes reparadoras e inclusivas dos valores da cultura negra na grade das disciplinas com ênfase na religião e lingüística.
1- Que o Estado através dos Conselhos Estaduais de Cultura e Educação, fiscalize a aplicação das Leis 4.192 de dezembro de 99( estadual) e Lei 10.639 de janeiro de 2003(federal)
2- Que o Estado, através da Secretaria de Educação, instrumentise , as escolas para oferecer Certificados de Isenções aos concludentes do ensino médio para que possam apresentar no ato de inscrição de qualquer concurso público no território de Sergipe.
3- Que o estado através da Secretaria de Educação, ofereça a Universidade e a todos os órgãos e instituições no Estado, referendos para incluir nas grades dos seus concursos, conteúdos das Culturas Negra e Indígena, no percentual de 40% e 20%, respectivamente.
4- Que o Estado através das Secretarias de Cultura e Educação, contrate prestação de serviços permanente para atualização, capacitação de professores e alunos da rede pública. Show, Seminários, Cursos, Oficinas etc. Relativo a manifestação inclusiva das culturas negra e indígena de forma a promover a identificação e reconhecimentos dos seus indicadores.
5- Que o Estado através da Secretarias de Cultura e Educação, Banco do Estado promova urgente o mapeamento dos indicadores culturais e patrimoniais, para promoção de políticas publicas e utilização como instrumento pedagógico na formação intelectual dos educandos.
SAÚDE.
A saúde da população negra foi sempre relegada pelo estado, considerando igual a todos os usuários dos serviços públicos, mas discriminando os idosos, crianças, homens e mulheres. O serviço de saúde é racista na medida em que seleciona quem nas mesmas condições, devem receber atenções e procedimentos operacionais consistentes. Entre o negro e o branco, decidem sempre pelo branco. Os Idosos e as Crianças são os mais prejudicados nos atendimento e nos acessos aos procedimentos e medicações indicadas. Propomos
1- Que o Estado através das Secretarias de Saúde,Educação, estabeleça condições, através de acordos e convênios, para o acesso da população negra a uma saúde especifica e de qualidade, tendo como indicadores as nosologias da população e que implante urgentemente o programa de Saúde da População Negra nas Escolas com a instalação de Consultórios Médico Odontológico e Psicosocial , dotando as Escolas de médico, enfermeira, assistente social, dentista e psicólogo.
2- Que o Estado através das Secretarias de Saúde e Cultura promova sistematicamente, capacitação do pessoal para o pronto atendimento e identificação dos sintomas afim de que o diagnóstico seja imediato e que em todos os Postos de Saúde, haja um laboratório para exames básicos de sangue e equipamentos para medir a pressão e o índice de açúcar no sangue (glicemia) e que os exames sejam agendados em até 3 dias.
3- Quer o Estado através das Secretarias de Saúde e Comunicação, promova sistemática Campanha de Interesse público na mídia para prevenção das doenças e Informações sobre a saúde da População Negra abordando as nosologias, Miomas, Hipertensão, Anemias Falciforme, Quelóide e suas implicações Sociais.
4- Que o Estado através da Secretarias de Saúde, fiscalize a aplicação do disposto legal sobre a identificação dos usuários da saúde, em Postos, hospitais, ou seja, em qualquer unidade de saúde. A identificação sobre RAÇA. COR. ETNIA, a fim de facilitar as ações patológicas.
5- Que o Estado promova adoção dos serviços permanente de Pediatria, Psicologia, Gerontologia e Nutricionismo nas unidades de saúde pública para atendimento aos usuários negros antes a sua característica nosologica e riscos. Esses serviços não devem ser encarados como especialistas e sim como geral.
DIREITOS HUMANOS
Constantemente o Brasil vem sendo citado como País onde os Direitos Humanos são violados. Sergipe como o Estado da Federação de maior contingente populacional negro, tem se cristalizado em ser também o mais racista, desprezando as regulações e sua população negra, vive sem respaldo, na medida em que o próprio Estado pratica o crime recrudescendo o instituto do Racismo Institucional, na vala comum das tradições e por isso não vista pelos institutos e órgãos jurídico-policiais para o pronto combate e proteção da comunidade atingida. As diversas violências são perpetradas pela condição racial-social. Propomos
1- Que o Estado junto as Secretarias de Cultura, Ouvidoria Geral: Justiça; Segurança e Comunicação promovam uma Campanha de Esclarecimento a População indicando os órgãos de apoio e promovam junto às organizações populares sistemáticas ações informativas e preventivas através de Seminários, Palestras, Conferencias Temática que garantam os manifestos da população.
2- Que o Estado através da Defensoria Pública e Secretaria de Justiça, Ouvidoria Geral, disponibilize uma equipe para atender a população atingida, grupos, e indivíduos por atos e ações que violem seus direitos e promovam constrangimentos e que as Delegacias tenham Assistentes Sociais. Pedagogos e Psicólogos, para assistir a população, integrando as de apoio cidadão junto aos Delegados.
3- Que o Estado através da Secretaria de Educação promova a inclusão temática na transversalidade da grade disciplinar o conteúdo e prática dos fundamentos e debates dos Direitos Humanos, promovendo trimestralmente em toda rede publica, Seminário temático sobre as violações e prática dos Direitos Humanos, alencando as proposições tiradas do evento. As ações devem ser programadas e promovidas pelos alunos, com as coordenações de professores e deve contar no Projeto Político Pedagógico das Escolas.
4- Que o Estado através das Secretarias de Segurança, Justiça; Cultura, Policias Civil e Militar, Ouvidoria Geral, promova sistematicamente ações conjunta sobre os Direitos Humanos, afim de capacitar, aperfeiçoar e valorizar seus recursos humanos da segurança pública em suas relações com as comunidades e seus manifestos.
5- Que o Estado, através da Defensoria Pública e Secretaria de Cultura, Comunicações, Ouvidoria Geral, manifeste sistemático repúdio as violações dos Direitos Humanos, assegurando ampla liberdade de expressão, principalmente na mídia e seus diversos canais, impedindo as discriminações que este canal pratica contra os diversos segmentos da comunidade negra negando o direito constitucional de expressão.
RELIGIÃO
O Brasil é um Estado Laico e sua representatividade regulativa promove a expressão e prática de todos os credos e filosofias religiosa, buscando no respeito a diversidade a união e a paz entre os povos. Como signatário da ONU, assinou as Declarações Universal dos Direitos Humanos garantidora das expressões culturais numa linha do pluralismo. Sergipe vem reproduzindo, apesar dos destaques de avanços contemporâneos, ações colonizadoras dificultando as práticas, difusão e, sobretudo a revitalização dos manifestos da religiosidade do negro, desrespeitando a sua evolução e importância. Sabedor que a religião é o ponto de irradiação cultural, promove através de manifestações equivocadas o etnocídio das tradições negras através da cristalização da Intolerância e o Racismo Institucional. Propomos
1-Que o Estado através da Secretaria de Cultura, Educação e Comunicações, garanta o livre exercício da religião, através de mudança de atitudes e comportamento dos agentes públicos dos três Poderes e Campanhas de Esclarecimentos e Defesa do Patrimônio Material e Imaterial: Histórico e Cultural do Estado, enfatizando a importância do Negro e suas Culturas.
2- Que o Estado através da Secretaria de Justiça, Cultura e Comunicações e Defensoria, promova ações qualificatórias que iniba o Conselho Tutelar, Policia Civil, Militar, Promotoria Pública ou qualquer órgão ou agente público de invadir os recintos sagrados dos Terreiros, desrespeitando ritus, símbolos. Obrigações iniciáticas e votivas, para seqüestrar neófitos ou qualquer pessoa, sem Autorização Judicial, desrespeitando a Constituição, baseado em denuncias de anônimos racistas, praticantes da intolerância religiosa, os chamados fanáticos religiosos ou vizinhanças hostis.
4- Que o Estado através da Secretaria de Cultura através da Defensoria pública, impeça o uso político partidário das ações e programas público no interior das comunidades de terreiros, visando beneficiar facções partidária ampliando as desigualdades e divisões em torno dos grupos vulneráveis e que garanta através dos seus órgãos a prática e os ritus público da religião.
5-Que o Estado através da Secretaria de Justiça, Educação, Comunicações, Segurança e Cultura, promova ações afirmativas para o exercício do livre arbítrio junto a comunidade de Terreiro para que possam , conhecendo seus Direitos e sabendo-o defendido pelo Estado, possam organizar-se e contribuir, funcional e operacional com o desenvolvimento sustentável da Comunidade, revitalizando, preservando e irradiando a cultura negra do Estado recuperando suas matrizes.
COMUNICAÇÕES
É através dos veículos de informações que se erguem as barreiras intransponíveis, impedindo o direito e cerceando a palavra e expressões dos indivíduos e grupos discriminados por fatores diversos: raça, cor, etnia, sexo, orientação sexual, ideologia, credo, religião, partido, estética etc. Enquanto a Mídia esbraveja contra supostas mordaças e atentados a liberdade de imprensa, ela mesma, aqui em Sergipe, invade, priva e excluem, indivíduos e grupos de utilizar seus espaços pelos motivos mais torpes, pratica o crime constitucional, na violação de direitos.
É Racista a imprensa sergipana, seu poder é tal que manter o governo como refém, tendo o Estado como seu maior cliente, pauta a vida e ideologia da sociedade, controlando a todos, principalmente os negros.
Seus poderosos proprietários: usineiros, coronéis, pastores, padres, políticos e empresários se alternam no poder dominador cristalizando o poder da imprensa em excluir, banir e controlar os pensamentos de insurgentes.
“Para que Ninguém tenha sues Direitos Violados é Necessário que o Poder detenha o próprio Poder”, já dizia Rebouças, alertando para os problemas, monopólio e abuso de poder do dirigismo e desvios da Imprensa seletiva. É o que ocorre em Sergipe. Todos os coronéis, usineiros, políticos, padres, pastores, empresários, etc. Se protegem entre si, independente da sigla partidária, o povo e a verdade é que se dane. Eles controlam o Poder.
A crise de valores na imprensa sergipana fragmenta os padrões da ética cristalizando uma atitude racista no cotidiano. Só há tolerância ao racismo, onde esses valores são arraigados, onde os interesses privados prevalecem sobre o público, onde o Estado não está voltado para o bem comum.
Esse sentimento de impotência no imaginário racial e social, dificulta mudanças, prevalecendo a apatia e a esperança de salvação pelos programas assistencialistas, paternalistas, predominando uma identidade negativa dos excluídos.
1- Que o Estado através da Secretaria de Comunicações, Cultura, Educação e demais órgãos promovam as facilidades para que os agentes culturais difundam os manifestos e calendário de eventos e que a mídia seja democrática não violando e ferindo os direitos constitucionais de liberdade de expressões das comunidades negras sistematicamente nas rádios, jornais e televisões.
2-Que o Estado através dos seus órgãos, evite usar os canais da mídia sergipana que promovam as discriminações e impeçam as livres expressões dos indivíduos, grupos e lideranças, por motivo de ideologia, credo, raça, cor ou orientação sexual, negando espaços para os formadores de opinião.
3-Que o Estado, através do Ministério Público e Defensoria Pública promova ações para o fechamento do órgão racista, cassando a licença e remetendo a justiça para processo por Racismo, constrangimento, danos morais, principalmente quando jornalistas censuram depoimentos por não gostar do tema, credo, raça, cor, religião,partido, ideologia, ou opinião do individuo, grupo ou comunidade e impõem barreiras, impedindo a comunicação, cerceando direitos.
SEVERO D'ACELINO - Como o primeiro prêto a participar do Conselho Estadual de Cultura do Estado de Sergipe, um instrumento conservador, não foi fácil digerir um Militante Negro que pensa negro diuturnamente e que através das provocações constroi seus instrumentos pedagógicos para gerar mudanças de comportamentos a atitudes em favor do Coletivo Negro.
As dificuldades foram prontamente se instalando na medida em que começou a sua postulação. (Estou aqui falando na terceira pessoa, mas sou Eu mesmo) Postulações essas que traduziam melhoramentos, valorizações e vizibilidades para o Negro Sergipano e então começa seu inferno, a chapa começou a arder. Ter que a cada postulação enfrentar o grupo de Conselheiros que com ações equivocadas levantavam barreiras as proposituras e criticava o vocabulário uutilizadas, suas ações e comportamentos improprios a Conselheiro.
Evidentemente que não faço parte da "Elite Intelectual de Sergipe" e meu vocabulário é tipicamente de Negro Preto da periferia, sem a preocupação de ferir ninguem, pois sou uma pessoa laltamente disciplinada( tive excelente escola a Marinha) e respeito as autoridades, mesmo que elas nãO se dem ao respeito.
O nosso objetivo não foi de mero expectador ou coadjuvante para aprovar o que mandam, mais de agente transformador em favor das Questões e Condições da Comunidade Negra e nisso reside as diversas ações negativas contra os nossos propositos e ideias, sendo ameaçado, vilipendiado e aturado pelos membros do Egrégio Conselho Estadual de Cultura, um orgão que reproduz em seus interior, os estgmas que a sociedade maniqueista e racista pratica contra nos os negros.
E, nestes embates, ainda não recebi apôios ou solidariedades de nenhum representante das Entidades Negras ou de qualquer individuo ou grupo negro.
Mas como negro de marca e origem, sergipano da cepa, não desisto e vou mandando propostas e falações. Um dia alguem vai escutar, por enquanto apresento as Propostas que na sua mzaioria foram: arquivadas, rejeitadas, retiradas por solicitações e esquecidas.
Houve aprovação neste elenco. Vale apenas conhecer as propostas e vale tambem um Estudo : Severo D'Acelino e sua passagem pelo Conselho Estadual de Cultura.


I
A lógica do meu raciocínio investigativo sobre as questões mais comuns dos acontecimentos diários nas minhas observações em torno de manifestos com caráter psicológico das ações repetidoras que se reproduzem constantemente geradas pela visão do observador participante desta comédia de erros, numa perspectiva do objeto em epígrafe.
Nunca em toda minha trajetória, deparei com um Branco, que, seja por atitudes ou comportamentos, desprezasse, odiasse ou tivesse nojo de Brancos e dissesse que não gostasse de Branco.
Diuturnamente deparo com a situação inversa. Negros que mal suportam suas famílias. Detestam , desprezam, odeiam e tem nojo de negros, quanto mais pretos mais os seus nojos e cristalização dos estereótipos que reproduz contra os negros, crencem Que foi que fizemos? Ninguem merece.

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Tenho combatido o bom combate, das discriminações em torno do negro, efetivamente praticadas pelos brancos e pelo poder. E, não vejo lógica nas atitudes discriminatórias dentro da raça negra, onde o mais claros discriminam os mais escuros e pretos. O Negro discriminar os Negros. Isso é conflito racial, ou seja interracial, que o sistema alimenta e cala.
A racialização se instala também a nível discriminatório, na cultura, religião, educação, qualificação, escolaridade, relacionamentos, cristalizando a ideologia do recalque e a pedagogia da rejeição, que como modelo de ação negativa, se reproduz vestingiosamente e se instala no inconsciente coletivo.
Na Igreja Católica tenho presenciado e sido vítima de tais comportamentos discriminatórios e de rejeição. Pessoas que se sentem ofendidas com a presença de negro no recinto e isola-o durante todos os ritus. Até o Pai e Nosso não compartilha e se partilha, deixa patente o seu nojo e insatisfação. Na hora do “abraço” saudação, o constrangimento é infinitamente maior. O negro é frontalmente agredido com os comportamentos asquerosos dos ‘’FIEIS’. Sou constantemente vítima deste tipo de constrangimento na Igreja Nossa Senhora de Lourdes e percebo que muita das vezes o padre pula o ritu da tal “saudação” Meus irmãos, saudai-vos uns aos outros.
Percebo que a Igreja como ritu aberto, deve abrir a participação dos “fieis”, para que possam se comunicar social e politicamente, falando de suas dores, fraquezas e problemas. Entendo que esta pedagogia da libertação, funcionará como uma terapia coletiva e provocará mudanças radicais. E, ainda, levará mais “fieis” a Igreja, seja pelo Santo Oficio, ou pela oportunidade de expressar a suas dores e ou revoltas que, certamente serão partilhadas por todos.
A Religião Ancestral, representada pelo Candomblé, Umbanda e Espiritismo por sua vez, ponto de resistência e irradiação da cultura negra, deve se reestruturar politicamente para varrer as discriminações e racismo no interior da religião, do terreiro, da comunidade. Por mais que se acentue que não há discriminações é lá onde tudo acontece, principalmente as discriminações sexuais e raciais. Para atingir alguém o comportamento mais recorrente é chamar de veado e de negro, geralmente acompanhado dos mais rebuscados predicados. É la onde se reproduz contra o negro, todos os estigmas gerados na sociedade.
Os terreiros deveriam oferecer a comunidade, sistemáticos serviços espirituais, de limpeza, sacudimentos, aconselhamentos, descarregos, rezas, com rituais todos os dias, tendo as manhãs e noites para os atendimentos aos que necessitam de apoio e aconselhamentos espirituais.
Os centros Espíritas têm os seus dias de atendimentos. Segundas-feiras Dia das Almas, na falta de um Terreiro e rituais específicos, vou ás Igrejas, rezar pelos meus Ancestrais e Amigos que se foram. Iyansã ; Obaluaiyé e Nana, são Vodus votivos dos Mortos;Eguns os nossos Ancestrais.
Não conheço nenhum político que assuma ou se comprometa a tratar das questões e das condições do coletivo negro, principalmente aqueles que se apresentam como negros e depois de eleitos, fazem o contrário, primando pela maior divisão racial. O negro, enquanto negro no poder, está sempre na função de Feitor e Capitão do Mato, sempre perseguindo os negros. Os governantes controlam as organizações e manifestos dos negros, cooptando uns e decapitando outros, as lideranças são conflitantes entre si e o coletivo termina não sendo atendido pelas organizações, uma vez que os projetos desenvolvidos e os apresentados, são os individuais dos seus “ chefes, líderes, donos etc.” que não servem ao coletivo, comunidade, grupo, mas aos políticos que no espaço de poder junto aos governantes, lhes propiciam, funções para manter o pessoal a pão e água até as próximas eleições.
O negro no mercado de trabalho em Sergipe é para vigiar outro negro, principalmente no comércio, lojas, shopping, Bancos, bares e restaurantes. É perverso e degradante, um negro entrar em uma loja e se sentir constrangido pela fiscalização a que é objeto, além das câmaras eletrônicas, o “segurança” lhe segue a cada passo. A vulnerabilidade é tal que o negro aceita passivamente a violência e constrangimento ilegal. Quando não, e busca os seus direitos, o gerente do local diz que não é racista e que não deu a ordem para tal agressão e que, portanto não tem responsabilidades sobre o crime. Dificilmente se ver um preto ou uma preta na recepção ou no atendimento destes locais, só se for segurança. É fato encontrar o negro Mulato e Pardo, pretos é muito difícil. O único espaço que preto transita condicionalmente é no serviço público.
As escolas representam as Casas Grandes para o negro, seja ela pública ou particular, está ali para colocar o negro no seu lugar, instruir-los as mais baixas qualificações e domestica-los para servir aos brancos. Um adolescente que expresse sua vontade de ser médico ouve logo do professor que ele não dar para isso não. É muito difícil, precisa de muito estudo e inteligência. Porque não faz o curso de mecânico. Sem saber o professor que a segurança do carro do doutor, esta nas mãos do mecânico e que inteligência e potencialidade não tem cor. Tem fome e falta de oportunidades para se projetar
REFLEXÕES EM DÓ MAIOR
I
A lógica do meu raciocínio investigativo sobre as questões mais comuns dos acontecimentos diários nas minhas observações em torno de manifestos com caráter psicológico das ações repetidoras que se reproduzem constantemente geradas pela visão do observador participante desta comédia de erros, numa perspectiva do objeto em epígrafe.
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MARIA EMILIA DOS SANTOS
D. BIBI
A guerreira do Amanhecer
Nascida e criada no Aribé em Aracaju no ano de 1927 em 30 de Agosto de Odília Eliza da Conceição e Acelino Severo dos Santos.
A menina irrequieta apelidada de carinhosamente de Bibi, estava sempre ocupada com os afazeres de casa, ajudando a criar seus irmãos e ainda pré-adolescente assumiu a responsabilidade do trabalho na fábrica de tecidos junto com sua irmã Nair.
Suas atividades políticas foi aperfeiçoada na fábrica junto com suas colegas operárias que como ela buscavam soluções para os problemas trabalhistas. Associou-se a JOC, Juventude Operária Católica surgida no seio da Igreja de onde fazia parte nas ações dos grupos.
Pertenceu ao Sagrado Coração de Jesus, foi grande colaboradora das obras da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, sócia do Circulo Operário, contribuiu na construção do cinema Vera Cruz e estava presente em diversos Congressos Eucarístico e Operário, fazendo diversas viagens para fora do Estado na condição de representante. Voava sempre pela PANAIR. Hoje é Estrela na Constelação das Guerreiras do Amanhecer, sempre revitalizando e iluminando caminhos.
Sua vida em torno da família se estreitou mais ainda com o casamento de sua irmã Nair e a compra da Casa da Família, pelo antigo IAPETEC. Nunca descuidou da educação dos seus irmãos, seja na intelectual ou profissional, sua preocupação sempre esteve voltada para o coletivo, onde sua família era a prioridade.
Não se casou, suas ações estavam voltadas para as resoluções das melhorias de sua classe, família e amigos. Teve diversos afilhados, participou ativamente como apôio aos companheiros sindicalistas e políticos “ Comunistas”, mesmo sem nunca ter se filiado a qualquer partido, ajudava e contribuía com todos, desde que a procurasse ou tivessem precisando de ajudas.
Foi assim que durante a linha dura dos militares, auxiliou diversos companheiros, dando-lhes guaridas, servindo de intermediária, escondendo documentos e dando apôio as suas famílias.
Bibi já tinha memória da repressão, pois com quatro anos de idade, já percebia as movimentações na Casa de sua Avó, Mãe Eliza, que fez do seu Terreiro um reduto de proteção aos perseguidos pelo regime repressor do governo Maynard, que perseguia o Candomblé e os Comunistas.
A JOC não era bem vista pela classe política e era em determinado momento, considerada subversiva. Foi neste clima que viveu MARIA EMILIA DOS SANTOS, uma mulher extrovertida, amiga, acolhedora, ríspida, intolerante, dominadora, meiga, autoritária, chorona, empreendedora. Uma Mulher capaz de se excluir para incluir os outros. Sempre lutou por melhorias e suas atividades sociais estavam sempre, agregadas as atividades políticas, as políticas de sua reflexão.
Contribuiu com diversas associações, fundou e ajudou fundar outras tantas e contribuía inclusive com mensalidades.
Aposentada da Fábrica, não descansou um só minuto, fazia de suas amizades e conhecimentos, instrumentos pedagógico para o desenvolvimento da comunidade, seja arranjando emprego, encaminhando aos estudos, conseguindo apôio para famílias necessitadas, denunciando as condições da comunidade, criticando políticos, profissionais, agentes comunitários e outras lideranças por entender lesivas ou invasivas a comunidade.
Foi a grande incentivadora do seu irmão mais novo. Severo D’Acelino a quem chamava José. Foi Pai, Mãe, Critica Orientadora. Desde cedo o encaminhou a comunidade educacional e sempre o estimulou através dos seus exemplos a ações multiplicadoras. Foi sua crítica ferrenha. Incentivava o Teatro, as Tradições Populares e fundamentava as manifestações da Cultura Negra, criticando o modelo do Movimento Negro e suas relações com os demais participantes.
Estava sempre atenta a mídia, e qualquer movimento cultural Ajudou na sua formação intelectual, artística, militar etc. e contribuiu
com espaços a construção do Movimento Negro em Sergipe através do Grupo Regional de Folclore e Artes Cênica Amadorista “Castro Alves”, a atual Casa de Cultura Afro Sergipana, acompanhando todas as suas ações, fazendo inclusive por três gestões, parte da sua Diretoria.
Na área da educação e saúde e ação social, muito contribuiu, assumindo inclusive a manutenção da Escola Comunitária que manteve por muito tempo em sua residência e que por lá passaram centenas de alunos da Prainha do Santos Dumont.
Manteve até a sua morte, estreita relação com a Igreja e seus membros, adotando a Igreja de São Francisco como a sua Paróquia em substituição a Nossa Senhora de Lourdes do Bairro Siqueira Campos, onde muito contribuiu, mas que com sua mudança para o Santos Dumont, após a sua aposentadoria e para tomar conta do seu Pai, adotou o Animpum como a sua prioridade.
Construindo ações alternativas para a melhoria da Comunidade. Uma das suas ações foi a sugestão de compra pela Prefeitura do terreno ao lado de sua casa, para promover atendimentos a comunidade e como a primeira Dama era de suas relações, o ato foi consumado e convidada a prestar serviços ao município na área social, tornou-se funcionária pública e mais cômoda para prestar serviços a comunidade.
Ultimamente, dizimista da Igreja, estava sempre ocupando as ondas da Rádio Cultura, criticando, batendo papo com os seus amigos locutores, dando informes sobre as questões gerais e especificas da comunidade e, como Amiga do ALANON, estava sempre participando das reuniões. A sua participação na Rádio, notabilizou pelo jargão “Boa Noite, Boa Tarde ou Bom Dia Santos Dumont!!!”
Não posso enumerar as ações em torno de Dona EMILIA. Dona BIBI, a quem carinhosamente a chamava de FILHA e tive a infelicidade de estar ausente na sua partida. Meu coração já não bate com tanta freqüência. Minha Irmã, Minha Irmãe, Minha Filha, a que tanto amo, e lutamos juntos contra as ações invasivas de suas doenças, tardiamente diagnosticadas e, em 31 de Janeiro de 2007 a pouco mais de três horas da tarde, a menina irrequieta, chamando pelo seu irmão, que tardiamente chegava, serenamente deu seu ultimo suspiro e olhar sereno, cerrado por ele ascendia o firmamento, iluminada, transformada em mais uma Estrela, na Constelação dos Ancestrais.
O momento de Tributo é fugaz, trazem-nos imagens tênue, distorcidas, claras, escuras, mais nítidas de toda uma vida. De toda uma memória.
“Eu fui para Deus e não
esquecerei daqueles que amei
consolai Senhor, os que sofrem
com a minha morte, por que foi
grande a minha agonia.
Maior é a minha alegria na
Imensa gloria do Senhor.
Uma lágrima, uma dor, uma
Saudade deixei no coração de
todos que me conheceram e me
amaram. Mas, se o Senhor assim
quis, seja feita a sua Santíssima
vontade”
Bibi, o chamado nos deixou triste e
inconsoláveis, mais assim como Deus
a chamou para perto de si,
certamente nos confortará dando o
fortalecimento e a convicção de que
Você, apenas Nasceu para a Vida
Eterna.
De quem é o Terreiro?
Dos sacerdotes? Seus parentes ou da Irmandade?
O Terreiro em Questão
Severo D’Acelino
Sou da Casa de Xangô Aiyrá, da Iyalorisha Mãe Eliza, seu neto sanguíneo e “Deixa”. Nas minhas memórias, alcancei o Terreiro já no alto da Suissa Braba em Aracaju, era de esquina e tinha um grande terreno que abrigava duas Casas, o Terreiro e mais uma edificação nos fundos, onde morava o pessoal agregado.
O Terreiro maior que conhecia era o de Alexandre em Laranjeiras, onde minha Avó freqüentava, parece que era o único que ela ia, lá ás festas seguiam até um mês inteiro.
Certa vez fui surpreendido com a noticia de que minha Avó, ia para o Rio de Janeiro e o Terreiro foi fechado, ela levou todos os assentamentos, e plantou o Axé lá na Ilha da Conceição em Niterói.
Hoje este Axé está comigo, foi plantado no Santos Dumont, após ser enviado de lá por falecimento de minha Avó e de Bebé e Benício, respectivamente sua filha adotiva e o marido dela. Está no Iyle Ashe Opô Aiyrá – Comunidade Oni-Odé Olubojutô. Sou Deixa de minha Avó.
Não tenho lembranças de quem ficou no local, só sei é que tempos depois o morro foi derrubado e se apropriaram das terras dela. Ato que a Prefeitura até então não resolveu.
Não entendi como um Terreiro podia mudar de lugar. Anos depois fiquei sabendo que o Terreiro de Zé de Abakossô, localizado na Baixa Fria, hoje Avenida Rio de Janeiro, foi vendido e ele transferiu tudo para o Rio de Janeiro.
Achei estranho, tanto minha Avó quanto Zé de Abakossô mim surpreenderam, pensei que tinha que ficar algum filho ou filha de santo no lugar, dando prosseguimento aos atos litúrgicos e não entendia como era possível vender um Terreiro.
Eu já tinha conhecimento de fechamento de Terreiros,, não os da repressão pela policia, mas por morte dos Pais de Santos e sabido dos filhos de santos irem para outros Terreiros.
Na minha cabeça os Terreiros podiam até mudar de lugar, mas acabar, nunca. Em Laranjeiras Alexandre tinha o Terreiro e eu tinha conhecimento que o Terreiro era do Orixá (o dono era o Santo).
O Terreiro era num sítio grande e tinha uma Casa, onde abrigava os Santos e o pessoal, em tempo de festas grande se fazia um Caramanchão ao lado. Ele morava lá, mas tinha sua casa em Aracaju, no Siqueira Campos e lá em Laranjeiras sempre ficava alguém.
Quando ele morreu, houve uma parada, mas continuou com Tia Alira de Oiya que após seu falecimento ficou a cargo de Cecilinha e com seu falecimento a família que já vinha querendo dividir em herança conflituou e como eu andava fazendo levantamento da herança cultural do Terreiro.
Iniciei o processo de tombamento para preservar o Patrimônio Histórico Cultural do mais antigo Terreiro de Sergipe e fui violentamente atacado, agredido e vilipendiado pela família, ainda hoje guardo as imagens das agressões, da família e dos intelectuais contrários a memória do patrimonial negro e foi por isso que não fui a luta para reaver as terras do Terreiro de minha Avó, o medo de ser confundido e ser chamado de interesseiro e ladrão.
Ficou Umbelina com o Terreiro Santa Bárbara Virgem, com a sua morte, o Terreiro e a Irmandade ficou sob a responsabilidade de um grupo, liderado pela Mestra Alaíde que orientava D. Lourdes para o exercício da Sucessão afim de garantir a decisão da Antiga Lôxa e das Entidades. Por fim D. Lourdes é a mais nova Lôxa do Terreiro, a sucessora de Umbelina, mantendo os cincos Terreiros da Irmandade além das Taieiras. Com a sua morte, houve conflito e finalmente a sua filha de criação Bárbara, foi tutelada e assumiu a administração do Terreiro, da Irmandade e das Taieiras, até a saída de alguns insatisfeitos.
Zé de Abakossô, anos depois retorna a Sergipe, mesmo mantendo Terreiro no Rio de Janeiro, replantou Axé em São Cristóvão, onde edificou outro Terreiro, consagrado ao seu Orixá OXOSSE, reafirmando sua matriz. Após seu falecimento, o “herdeiro” já anunciado (parece ser parente), assumiu o Terreiro, sem grandes traumas e sem grande aceitação.
Outros Terreiros, já contam com seus “herdeiros” nominados e visto com indiferença pelos grupos que preferem silenciar antes a decisão seletiva dos Pais e Mães de Santos em impor seus parentes no comando do Terreiro. Poucos foram os sucessores, identificados pelos jogos divinatórios e ou indicados pós morte dos Pais de Santos, num ritual de sucessão. Só há noticias de “Herdeiros” cujos graus de parentesco, evidenciam a relação nuclear.
O silencio da irmandade e ou grupo, denuncia as imposições dos Sacerdotes e seus interesses de manter o Terreiro no seio da família e são poucos e muito poucos os que contam com as aprovações da maioria ou que busquem firmar relações que lhes garantam a sucessão pacifica, solidária e reconhecida.
Para muitos a hierarquia deveria seguir o seu curso, por diversas razões, ficando, portanto, na falta do primeiro, o segundo da linha, que seria por idade e ou por função, no caso, na falta do Pai de Santo, assumiria a Mãe Pequena e ou o Pai Pequeno e assim sucessivamente, dependendo da aceitação dos envolvidos e, só depois de certo período, a confirmação dos Orixás, assumindo definitivamente o / a eleita dos Deuses.
A falta de coesão e de entendimento repele a afirmação de identidade, disciplina, liderança, compromisso e organização, prejudicando o crescimento e fortalecimento da comunidade de Terreiro.
Aos “herdeiros” os estigmas das Chefias, os autoritarismos centralizados e dispersões dos grupos. Fazem ações personalistas, autoritárias e sem articulações, certos dos seus poderes e de suas autoridades.
Os Sucessores, os reconhecimentos, a coesão, disciplinas, solidariedades, compromissos, relações diplomática e democrática, sob o signo da liderança, respeito e cooperação, mesmo que não tenham os conhecimentos básicos dos cargos e funções. Fazem ações conjuntas e participativas. São articulados.
Aos “herdeiros” declarados, os parentes dos Pais e Mães de Santos, deveriam logo após a declaratória pública, serem imediatamente iniciados nas práticas do cargo e das funções dos Terreiros, assumindo e dividindo alternadamente a direção dos rituais e gestões administrativas dos Terreiros com os Pais e Mães afim de se firmarem antes as Irmandades em busca de reconhecimento.
Desta forma não haverá grandes conflitos, pois já foram testados e os grupos já estão acostumados com suas ações, conhecendo suas tendências e filosofias.
Sempre pensei e ainda penso que o Terreiro era e é do Orixá, um Templo Espiritual edificado e ou plantado em homenagem ao Orixá, administrado pelo seu Sacerdote / Sacerdotisa sem o embargo da materialidade dos parentes, o Terreiro é um Patrimônio dos seus seguidores e não da família do Sacerdote ou Pai de Santo ou Zelador.
Na falta destes, mantido pelos filhos ou filhas, conforme as indicações, seja da irmandade ou do Orixá Patrono através de sinais, seja: sonhos, jogos divinatórios e ou manifestação pública do Orixá indicando a sucessão do Pai de Santo, Zelador, Sacerdote.
Nunca pensei um Terreiro como herança patrimonial da família e de parentes dos Pais de Santos e sim como Herança de um Axé D’Orixá pertencente a Comunidade do Terreiro ou seja Irmandade, independente da sucessão espiritual recair sobre um parente.
Penso que a alternância do Poder Espiritual não está no prédio do Terreiro, mas é fortalecido principalmente nele, que emanam os fluidos energéticos onde estão plantados os diversos Axés e impregnado das energias dos diversos rituais.
Penso um Terreiro onde seus adeptos contribuam sistematicamente para a sua manutenção e crescimento, preservando o todo sem problema de continuidade.
Onde além dos espaços sagrados, tenha edificados os espaços domésticos e sociais, para abrigar os filhos, filhas, agregados e freqüentadores que venham em busca de tratamentos espirituais.
Penso um Terreiro que tenha seus espaços, mais o espaço do Pai de Santo, Babalorisha, Iyalorisha ou Mãe de Santo, independente deles teres suas residências, e devem ter. O espaço no Terreiro deve ser puramente funcional.
Penso a Comunidade de Terreiro, contribuir mensalmente principalmente com o salário do Sacerdote, Zelador, Sacerdotisa etc., mesmo que estes tenham suas rendas.
Penso o Terreiro como uma empresa, com suas funções organizacionais e administração empresarial, onde seus filhos e filhas de santo, adeptos e simpatizantes, façam parte do conjunto de sócios contribuintes, preservando os ritus, ósseas, obrigações, festejos, oferendas etc.; concomitante as ações sociais e as prestações de serviços.
A manutenção do Terreiro deve ser atribuição dos seus seguidores, adeptos, filhos de santos. Enfim a Irmandade é que deve prover todas as ações e necessidades do Templo e suas manifestações, sejam de ordem material e/ou espiritual.
Penso o Terreiro, remunerando seu pessoal de apôio, onde os ritus não podem ter problemas de continuidade e as suas presencias são imprescindíveis na parte espiritual e na segurança.
Penso que deve haver, sempre e garantida a sucessão, mesmo em vida do Sacerdote. Ele simplesmente pode e deve se aposentar e passar a reger o Conselho Sacerdotal do Terreiro.
O advento de herança, não expressa a continuidade e tem o teor de apropriação, domínio, propriedade, partilha etc. O certo no seio espiritual deve ser sucessão. Herança cheira a materialidade de natureza dispersiva e estática. O Axé deve ser revitalizado e preservado sim, como herança espiritual da ancestralidade do Terreiro.
Penso o Terreiro com sua política espiritual e social definida, com sua estrutura demarcada na temporalidade, organizacional e funcional, com gestões definidas. Neste ponto o viés econômico é importante, para dar suporte aos ritus, daí a necessidade de Regulação explicita, onde as funções se definem em beneficio de todos e defesa do Terreiro e da própria Irmandade.
São importantes, portanto as ações em torno de captação de rendas, onde os recursos oriundos de “contribuições, doações e prestações de serviços” se somem para garantir a continuidade e independência, dando personalidade a Irmandade na defesa da territorialidade.
Cabe, portanto, a Irmandade, envidar esforços para o crescimento e fortalecimento do Patrimônio Material e Imaterial do Terreiro, seja nas aquisições de bens, nas ampliações do território ou dos próprios bens do Terreiro, através de ações afirmativas e inovadoras.
Exemplifico aqui, que, da contribuição de 40 filhos de santo no valor de quinhentos reais, dará para adquirir uma propriedade na zona rural, um sítio, por exemplo, com mais de seis tarefas de terra. Aí é só plantar os Axés e estará caracterizada a ação patrimonial do Terreiro com personalidade da Irmandade, de resto é só se organizar e edificar o Templo do Orixá Patrono do Terreiro e da Irmandade. Aí não terá “herdeiros”, só sucessor.
Historicamente os nossos Terreiros, são nas residências dos Pais e Mães de Santos, onde criam extensa família e mais ainda os agregados. A parte espiritual muitas das vezes se confunde com a doméstica. Seus compartimentos sagrados são violados seguidamente: Camarinha, Pegi, Roncó, Quarto de Exu, Barracão etc. Vez por outra, utilizados como depósitos agregando outras funções: “Guardar televisão, valores, peças, alojamento , encomendas, moveis , refeitório etc.”
E, quando os Pais e Mãe de Santos morrem ou mudam de religião, os filhos sanguíneos acabam com o Terreiro, alegando que precisam dos espaços. Daí, os filhos e filhas de santo, perdem o referencial e reféns da Intransigência dos “herdeiros”, ficam a deriva e ou migram para outros espaços, sujeitos as mesmas reações.
Essa manifestação muita das vezes induz a perda de identidade e leva a outros caminhos. Alguns exemplos têm dado certo grau de unidade, quando alguém do grupo busca agregar todos em outro Terreiro da mesma matriz, mas a relação nem sempre dar certo, daí a migração é certa e mudam até de Orixás e Nações.
Outro Terreiro que se mim afigura como destaque ao tema, é o antigo Terreiro “COSME DAMIÃO”, da Zeladora Maria José das Areias, que foi dos Filhos de Oba em Laranjeiras. A Nação cultuada era Nagô Forte, diferenciado por uma batida e coreografia diferente do Nagô tradicional, esse Nagô ainda resiste no Terreiro de Mariinha, uma das filhas, que seria a sucessora da Zeladora.
O Terreiro de Maria José das Areia se localizava nas “Areias”, antiga localidade de Aracaju, hoje denominada de Castelo Branco. Ali reuniu as mais diversas personalidades da vida sergipana que acorriam aos memoráveis festejos, que como Laranjeiras, duravam semanas.
A área do Terreiro era enorme e cada filho e filhas de santo, tinha ali seu espaço, onde construíam seus barracos, todos eles padronizados, onde poderiam habitar enquanto perduravam as obrigações.
“Com “o falecimento da Zeladora, houve o impacto inicial e depois o conflito de “Propriedade”“ “Fuga de Identidade”, uma das filhas sangüínea foi apontada como sucessora da Zeladora e o estopim eclodiu com uma outra que não era de sangue e houve o famoso” Cisma”, o Terreiro foi fechado por decisão da família, sua área vendida para uma empresa e a dispersão foi geral.
Para agregar os irmãos e irmãs a pretensa sucessora, edificou em sua residência um Terreiro e deu continuidade as ações espirituais da Nação enlutada e seu Terreiro teve outra denominação, encerrando assim as manifestações do Terreiro “ São Cosme e Damião”
Se houvesse coesão, hoje o “Terreiro São Cosme e Damião” estaria em pleno funcionamento, a Irmandade cada vez mais forte e seus Axés preservados. Mas o fantasma dos “herdeiros” extinguiu os esforços e a história da afamada Zeladora, Maria José das Areias e igual a elas tantos outros.
Centenas de Terreiros foram extintos com o falecimento dos seus cabeças, patronos, fundadores, gestores, heróis e heroínas que em vida se devotaram aos Orixás, Caboclos e Entidades do Panteão Africano em Sergipe, os nossos Ancestrais negros e índios.
Podemos nos espelhar nas ações da Religião Judaico-Cristã, uma vez que a nossa religião está também, a ela ligada, seja pela dominação colonialista, seja pela sua repressão e intolerância religiosa, nos obrigando a incorporações diversas de ações cristãs ao nosso ritual, a tão famosa sincretização, onde nossos Orixás eram e são correspondidos aos Santos Católicos, faça referência ao Dízimo e sua importância na socialização da divisão para somação e multiplicação. Garantia de preservação da Religião e da Fé.
O Dízimo, marca a trajetória de retribuições a Deus, no entendimento de uma parte que nos dá, contemplando dimensões quando aplicado os recursos partilhados pela comunidade.
O Dizimo, na dimensão religiosa, deve suprir com recursos, todas as necessidades diretas ou indiretamente ligadas ao culto e aos seus Sacerdotes. Gastos com o Terreiro, construção e manutenção, salário do Pai de Santo e funcionários, encargos, energia elétrica, água, telefone, paramentos litúrgicos, velas, ferramentas, etc.
Na dimensão social, o dízimo deve suprir as necessidades dos irmãos mais carentes da Irmandade.
É importante salientar que o Dízimo é dinheiro, e dinheiro é o que se referenda todas as ações dos nossos rituais. Se paga as folhas, o obé, o chão, os atabaques, o cabelo, em diversos manifestos dos nossos rituais, os jogos divinatórios etc.
Neste sentido, a oferta que se deve fazer a guisa de dízimo é simbólica e importante, uma contribuição a manutenção dos Axés dos nossos Orixás; Inkices; Vodus; Entidade e seus Sacerdotes, os Babalorixás e Iyalorixás, Lôxas Patrões, Zeladores, Tatas, responsáveis pela preservações dos Axés e manifestos aos nossos Ancestrais.
Babá Abaolá
Larôiyê Yiangui
Ogum ê!!! Patakouri