segunda-feira, 29 de setembro de 2008

CAIÇARA


Caiçara
CONTO by Severo D’Acelino/2008.

Desviei meu Rio, para o subterrâneo da Chapada, longe do Mar. O Vale na Serra, Ilha de pedras vivas, natureza que morreu na queimada da Savana.

O Sol desponta como uma bola de fogo, esturricando a terra, sangrando o Vale, marcando como Queloide, todo manancial do Rio assoreado. O vento não sustenta o meu respirar que queima meu coração a deriva no Sol.

A claridade impedia a minha visão e o silencio mim deixou surdo. Sensação de desconforto aterrorizava meus movimentos e gelava minhas emoções. O eco de minha voz soava no meu consciente e a cabeça era como um sino sobre o ataque de aríetes de puro ferro. Vagueei sonambulante sem sair do lugar. Estava caído sobre o tronco que atravessava o Rio secado do Mar.

Corri os olhos e deparei com um vulto, era o que procurava, tinha certeza que havia alguém ali naquele banco de areia. Era um corpo, só de pensar, fiquei gelado e meu corpo ficou paralisado, sem atender o comando de minha mente que ora queria ir ao encontro do vulto, para ver de quem se tratava, ora queria sair correndo e esquecer do que vira e procurar em outro lugar.

Aos pouco fui tomando coragem e os movimentos se tornaram livre e fui nadando até o local. Era o corpo de Marujo que balançava aos fluxos das ondas calmas que batiam no seu corpo encalhado.

Diante do corpo de Marujo comecei a buscar respostas para o problema que mim intrigava: na noite anterior ele discutia com a mulher que reclamava de suas idas e vindas na chalana com a tal fulaninha, e sempre chegava sem nenhum peixe e que ela ia dar um basta naquela situação. Ele negou e chamou para ela ir com ele. Não sei mais o que aconteceu, pois comecei a beber e sair com Gaivota, riscar o cerrado com gente nova que se bandeou para aquelas bandas.

Não chamei por socorro porque já havia percebido o corpo sem vida e pelas aparências ele não morreu afogado, primeiro porque era o maior nadador da região e segundo porque não tinha ninguém que mergulhasse como ele e resistisse mais de dez minutos dentro d’água,, submerso. Alguma coisa aconteceu. Busquei adivinhar onde estava a chalana que o desenfeliz usava, pois certamente estaria cheia de provas das minhas suspeitas.

O sopro do vento anunciava uma mudança e logo mim apressei a resgatar o corpo para a praia e depois mim ocupar com a chalana. O corpo ainda não havia adquirido a rigidez cadavérica, de modo que pude acomodar nas folhagens dos arbustos para providenciar sua remoção para o povoado.

Sair pensando na Caiçara, tinha vontade de dar uma pisa de cipó caboclo naquela égua safada. Ela aprontou para Marujo e não sei o que foi, mas vou descobrir. Fui buscar ajuda para transportar o corpo e avisar da tragédia. No caminho encontrei com Angustura e Gaivota que mim fez voltar para com eles levar o corpo. Quando lá chegamos avistamos de longe a chalana que a deriva, seguia os ventos, mandei que eles levassem o corpo e sair correndo pela praia em direção da chalana, pois tinha certeza que ela ia bater nos mangues.

As rezadeiras receberam e prepararam o corpo de Marujo que depois de vestido com o Terno de panamá branco, que sempre mantinha para ser usado no seu funeral, foi colocado em cima de uma mesa tosca que foi improvisada para a ocasião. Mandaram chamar Maria de Zefa, a Caiçara, como era conhecida, mandou informar que estava de paquete e que não iria aos funerais, a sentinela poderia ser feita que ela só iria depois fazer uma visita na cova dele.

“Na sua ira, sempre blasfemava e dizia que um dia ti mato seu peste
Perguntei uma vez, como ela conseguia manter o Marujo
agarrado nas barras de sua saia
E porque ele não iria embora. Ela respondia que era reza forte. Se ele não mim quer
Não fica pra ninguém. Um dia eu mim canso “e chupo a alma dele.”

Todas as mulheres do pequeno povoado estavam ali e todas tinham uma história com o Marujo. Ele era muito tido e todos gostavam dele, de velhos as crianças.

Conseguir recolher a chalana e arrastei para o matagal com o auxilio de um porrete, dentro, como eu previa, estavam pertences de Zefa e isso fez com que eu reafirmasse minhas suspeitas. Marujo foi pro mar com Zefa, a Caiçara deu cabo dele, mas como eu não sei. Peguei o que pertencia a ela e levei para lhe mostrar, assim que ela mim avistou, bateu a janela do barraco e se fechou em copas.

- Caiçara!!! Marujo morreu ou foi matado ? Tem aqui um recado dele. Joguei os picuás dela no fundo do barraco e fui para a casa das rezadeiras olhar o defunto que parecia estar rindo e aí eu pensai que ele não deu o que Caiçara queria. Sorrir tristemente e acenei para ele e fui vagar pelos lugares que gostávamos de ir.

Só a Velha Lú sabia do poder do sortilégio de Caiçara
Algumas vezes a encontrara a olhar o vazio hipnotizada
Pela fresta de porta entreaberta. Dizia a Velha Lu que ela estava
Despachando o peso que já não agüentava, dos náufragos que ela velava.

Já anoitecia e o céu ficava escuro, o sol ainda estava ali, como que esperando a Lua para dar um abraço. Entrei no barracão e mim refugiei no canto onde ficava com Marujo e ali comecei a conversar com ele. Sentia sua presença e a casa cheia onde todos falavam ao mesmo tempo e os copos sempre em movimento. Mulheres e crianças se revezando. Esse era o ritual de todas as noites ali no barracão, onde se ouvia o soim do violão, da sanfona e das risadas. Respirei

Maria Zefa entrou no barracão mascando fumo. ( acho que os restos utilizados da reza forte que fez para matar Marujo.) cara de pouco amigo, num relance olhou para mim por baixo dos olhos, virou a cara e torceu os beiços, deu uma cusparada de desprezo e saiu arrastando os pés. Fiz que não vi ou percebi nada, peguei o candeeiro que estava fumaçando , ajeitei o paviu e subir em cima da bancada, botei o candeeiro na cumieira e desci para baixo pelo mastro central.

O trazia o cheiro forte do incenso que queimava na casa das rezadeiras onde a sentinela se dava e os amigos velavam e bebiam o defunto. Fiquei com o estombago embrulhado só de pensar na cara e no desprezo que levei. Estava com o corpo todo tremendo, a cusparada bateu em cheio nos meus brios e atingiu minha cara envergonhada, me sentir sujo.

Numa forte contração abrir a boca e vomitei como um desesperado até a última gota de fel, ali sentado num canto me contorcendo dei um grito surdo que congelou a minha alma, um grito silencioso, para aplacar a minha ira, meu ódio contido, minha vontade de esganar a vagabunda, pelo desaforo e constrangimento que estava sentindo

Respirei fundo, peguei um litro de cachaça que estava no pé da bancada e ali mesmo em meio aos vômitos, esvaziei o litro bebendo pelo gargalo e ouvindo o galo cantar anunciando os primeiros raios de sol

Amanhecera e eu ali, ao longe chegava nitidamente o som das cantilenas do funeral, era a sentinela que se findava e muitos ali estavam a beber o defunto e logo mais o cortejo começaria, atravessando a ponte para o campo santo na colina das almas, com o defunto dentro de uma rede.

Cheguei à porta deparei com um clarão alucinante, era a Lua cor de Sol, que se sentava no prado nesta noite sem estrelas e abria suas portas para receber toda gente do povoado que se dirigia enfileirada. Sentir uma euforia e não sabia se iria gritar ou se corria para algum lugar para mim esconder. A multidão se dirigindo para o clarão, entrando lua a dentro era demais para mim.

Alucinado gritei por Caiçara e corrir de porta adentro e fui enxotado de porta a fora e arrastado pela multidão

Minha visão da Lua foi um surto psicótico, o resto era pura realidade, fui tangido do barraco pela Caiçara que até as janelas fechou para não ver o cadáver do amásio passar. Para ela eu fui o culpado de tudo, até porque sabe que eu encontrei a chalana com as sandálias, raízes, fumo e as coisas dela, se confirmaram as minhas suspeitas e sei que ela sabe que eu sei que ela causou a morte dele.

Foi raiva, vingança pelos ciúmes por ter pensado que Marujo fosse pescar com a outra e mesmo sem gostar de mar, se jogou na chalana para pescar, só que não foi peixe. Foi a energia, a alma do Marujo que deve ter endoidecido e fraco, não soube se defender e depois de morto foi jogado no mar enquanto ela se evadira, se envultara e abandonava a chalana que ficou a deriva mas não foi longe, certamente ficou enganchada em alguma coisa e só depois se soltou.

Ouvia-se ao longe o som da ladainha, que ecoava por toda área trazida pelos ventos, era o cortejo que se dirigia ao Campo Santo e eu estendido em sua rota ali no chão e o corpo de Marujo estendido dentro de uma rede, levado pelos bêbados que disputavam o talão, como era chamado ali o pau que sustentava a rede do defunto, afastado pelas beatas condoídas pelo meu estado de embriagues e estupor fui colocado numa bancada para não cair, mas resistir cambaleante acompanhei o cortejo recordando a visão da Lua.

- Coitado, bebeu demais o finado e ficou delirando. É o que dar nestes beberrões, se aproveitam de tudo para beber, até da morte para se matar de cachaça.

Amanhecera o Sol já era quente e o funeral já chegava ao Campo Santo onde mestre Bedeu já preparava a cova para receber Marujo, só que em vez de uma ele cavou duas, perguntado por que duas, respondeu que não podia falar, era coisa dos outros,, não iria plantar uma Palmeira que não existia nem fazer estradas para se perder. Esta foi a sua resposta.


Sair do mar pra não lembrar você e o vento me traz o que eu quero esquecer.
Entre os soluços do meu choro eu tento explicar contemplando as estrelas de minha solidão, a emoção aperta meu peito esmagando meu orgulho para você voltar
Ouço o que não quero ouvir, mas vem de mim a solidão
Vagando nos meus pensamentos a sua imagem, desço e vou buscar
Mas não consigo abraçar e perco o que nunca tive: Esperança
Vem Marujo, vem navegar nos meus sonhos
Mares distantes da maré alta para ninguém vêem
Vem vamos pescar estrelas do mar
Aqui perto, vem , vamos construir nosso ninho de amor.

Uma toada lânguida, distante, fina e cheia de tristeza na noite fria sem estrelas e sem luar. Não acreditei em nada que escutei, só na metade do que vi, mas Caiçara chorou. Ouvir seus lamentos noite adentro vindo das entranhas da terra. Estava na cova, se hibernando não sei. Só sei que por muitos dias, Caiçara sumiu e quando voltou, trouxe com ela um rapagão de nome Marujo, só que não gostava de Mar, era um pescador de raízes e folhas sua chalana era uma roça e seus remos a enxada e foice e seus amores os olhos de Caiçara, agora mais rejuvenescida e lânguida. A Sereia do roçado de costas pro litoral.

Conta-se que ela se recolhe numa cova e se cobre de terra
passa uma semana. Internada – diz-se para conversar
com os mortos, numa viagem de revisitação
em busca de respostas ou para fugir.
Depois deste tempo, volta mais velha ou mais moça
conforme a situação e ou o resultado.
Para guardar a sepultura a terra se fecha
e muda de lugar. É que se alguém ferir a, ela morre.

Desviei meu Rio, para o subterrâneo da Chapada, longe do Mar. O Vale na Serra, Ilha de pedras vivas, natureza que morreu na queimada da Savana.
Desviei meu Rio. Para o subterrâneo do Mar.










sexta-feira, 19 de setembro de 2008

DESABAFO - O RACISMO DA MÍDIA


Ana Maria Braga,

Você tem plena consciência do poder de influenciar pessoas por meio do seu programa, que até não é ruim.

Não o assisto quando posso. Sintonizo outra emissora. Mas vejo a chamada do seu novo quadro e fico a pensar até onde vai a cabeça das pessoas da sua produção.

Sou negro. E esta é a razão deste meu e-mail, que se vincula a um problema protagonizado pela aristocracia midiática da qual você faz parte.

Passo ao assunto: Desde todo tempo o ofício de cozinhar sempre foi reduzido a coisa sem importãncia, pela mídia, por ser o espaço de labor principalmente das mulheres negras. Mais tarde os homens, também normalmente negros, foram ocupando o espaço. Hoje Em Dia os chefes e/ou gourmet ocupam os vídeos das emissoras e a minha negrada foi desaparecendo, talvez no conceito midiático, "por não fotografarem bem" neste País que, ironicametne, chamo de ariano.

Mas você que se diz tão sensível e igual, não se deu ao luxo ou trabalho preocupado de, no novo quadro a ser lançado em seu programa chamado os Super Chef, incluir se quer um(a) chef negro(a). Não sei se não existe um grande chef negro ou negra ou a proposta do programa é deixar caracterizado que os super - de qualquer arte e ofício - têm que ter necessáriamente a pele clara. É lamentável que a televisão, que tanto reclama programas sociais públicos, que promovem tantos programas assistencialistas - alguns até com o dinheiro do pobre cidadão -, não esteja antenada para a importância da miscigenação midiática e promova a exclusão na mídia na medida em que podem. Fica aqui o meu repúdio que, certamente, não será considerado por eu ser apenas e tão somente um beija-flor no incêndio. Mas estou fazendo a minha parte! Chamar a sua atenção, é o que me cabe, além de advertir a todos quanto eu possa (por e-mail) sobre esta questão e deixando claro que, na minha opinião, isso também é uma forma de violência igualzinha àquelas que vocês "tanto debatem" em seus programas. Que pena!!!

Não obstante isso, continuo desejando-lhe saúde e muita sorte, pois a luta que empreendo não elimina minha fraternidade para com o próximo!

Joel de Oliveira

Brasília/DF

terça-feira, 9 de setembro de 2008

QUESTÃO DE PRINCIPIOS - OPIINIÃO E ATITUDES.


QUESTÃO DE PRINCIPIO.

Severo D’Acelino



Independente de minha idade (já passei dos 60). Antiguidade para mim é posto, autoridade e símbolo de respeito. Assim fui criado e treinado para respeitar as pessoas, hierarquias, funções e títulos com disciplina, mas, sem submissão.

O nosso respeito vai além da idade, ele se afigura também, no saber, na titulação hierárquica. Pois independente da idade, há os aspectos funcionais, as representações e todo um processo que nos ensina as relações e comportamentos.
É importante que um adolescente com cargo, titulo ou função, seja respeitado e tratado com os devidos cumprimentos que a sua posição requer. Trato assim, independente de ter sido, meu subalterno, tenha idade dos meus filhos.

Esse nosso jeito de ser, muita das vezes é confundido com subalternidade submissa, ledo engano. Diante de insultos a autoridade comigo dança, e dança direitinho, na forma da Lei, com todos os respeitos devido ao cargo, posição etc. Gosto muito da expressão de Antonio Rebouças “... Para que ninguém tenha seus Direitos Violados. É necessário que o Poder detenha o próprio Poder”

Um lugar para cada coisa. Cada coisa em seu lugar – é o dito popular e o certo. A Cezar o que é de Cezar, e nisso resume a nossa ação e determina meu comportamento, minha atitude antes os acontecimentos e os enfrentamentos do dia-a-dia.
Gosto do respeito e para tal, respeito e nisso a disciplina não pode ser simplesmente atribuída a militarismo.

A organização mais severa que conheço é a Igreja, no entanto a visibilidade se faz antes os militares, mais é na sociedade civil, que o servilismo é mais perverso na medida em que não nos dar oportunidade exercer a nossa cidadania no exercício do contraditório, pois os estereótipos são instrumentos que nos engessam e cristalizam os estigmas do preconceito, onde a nossa verdade está condicionada a nossa apresentação, a cor da nossa pele e a tantas outras tipificações.

Se na caserna, podemos representar contra o General, o Almirante e, porque não podemos representar contra o Delegado, o Juiz, o Governador. Não podemos e nem devemos ter medo de nossas Autoridades, nossos Gestores, nossos Comandantes. Neste sentido é também importante que nossas autoridades, não se utilizem do Medo, para nos controlar, destruir e violar os nossos direitos.

Triste daqueles que se utilizam do poder, dos que usam o poder como muleta, como ponte, como instrumento de suas autoridades autoritárias com os Abusos sistemáticos de Poder e Autoridade. São simplesmente covardes, inseguros e ídolos de bronzes com pés de barro bastam um temporal para desabar. Nesta minha trajetória já vi diversos e inúmeros desabamentos. Eles eram pequenos e insignificantes, não sabiam disso, suas forças eram emanadas do poder e eles não souberam interpretar que: A importância de Ser, não é Ter, mas saber que È. E eles não eram só tinham e ficaram sem ter.

Kô Si Obá. Kan Afi Olorum

O desenvolvimento e prática dos tipos de discriminações se apóiam no âmbito da suposta ‘autoridade’, na falsa superioridade de uma mente doentia e vazia. Dizem que Freud explica. Mas explicar o que? A insegurança é mãe do autoritarismo, da burrice e consola os despreparados psicologicamente com uma suposta aquisição de poder, baseado no dinheiro, na suposta intelectualidade gerada pelo exercício de poder, onde os méritos estão nos privilégios dos cargos públicos, usurpados dos qualificados, que lhes dão um falso status, uma notoriedade que se dilui quando perde o espaço no poder.

Uma notoriedade que não se sustenta sozinha, precisa de uma base sólida, representada pelos que se deixam violar, para estar respirando o poder e ou poder manipular os cordéis, pois sacralizar o diabo é tarefa difícil e impossível. Uma hora ele se empolga e começa a dar seus vôos rasantes e aí se desmonta.

As relações baseadas no poder, na autoridade, não se sustentam, são relações brindadas no medo, na repressão, no autoritarismo, assim que o grupo fica livre, do algoz, não há lembranças, só ressentimentos e alívios.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

VERGONHA ACADÊMICA OU OS NEGROS RECALCADOS DA ACADEMIA



VERGONHA ACADÊMICA OU OS NEGROS RECALCADOS NA ACADEMIA
Severo D’Acelino./ag 2008.

Sempre dei prioridade, e, vou dar sempre, ao negro, seja em qualquer setor. Gosto de ser cumprimentado por negros, e de atender no que for possível, o impossível busco materializar depois. Este meu comportamento se aplica também a brancos que buscam conhecer os assuntos do negro, principalmente na expressão de sua cultura, não economizo nada. Sou todo ouvido, falado, a disposição.

O que mais mim arrepia, é negro desfazer do negro, da cultura, costumes, ética, estática, história etc. Não gosto de negros que não respeita negros. Estes são piores do que os brancos mais racistas que já conheci.

Tenho estado a dar informações e consultas nesta minha trajetória, a professores, estudantes de todos os níveis, sobre os assuntos mais diversos do negro. Muitos, depois do trabalho feito, nem sequer nos dar uma olhada como cumprimento. Esquecem de nos trazer uma cópia do trabalho, mas isso é o de menos o que mim marca é quando este professor, este aluno é negro

Não vejo isso como falta de ética estudantil ou acadêmica e sim como despeito, inveja, racismo, discriminação. Não imputo a culpa em seus professores, orientadores, ou seja, lá o que for. Culpo a falta de vergonha e respeito dos que ocuparam meu tempo para aprender sobre o tema e construírem seus trabalhos, teses, dissertações etc
Muitos que se aproveitaram de nosso conhecimento dois negros me chama atenção.

Uma tal de Rosemeire que nos ocupou mais de anos com sua dissertação de mestrado que no inicio tratou da produção intelectual de Severo D’Acelino e depois mudou radicalmente o titulo, simplesmente para me afrontar, porque durante as nossas entrevistas e debates, ficou claro a nossa aversão a tipificação do negro em afrodescendente.

Doente, fiz um esforço supremo, gastei meu dinheiro, mais fui atender o seu pedido, numa sexta –feira, assistir a apresentação do trabalho na faculdade de letras da UFBA. O trabalho foi apresentado e na medida de sua exposição fui ficando irritado mas como não queria causar vexame, uma vez que fui extremamente bem recebido e ovacionado por antigos companheiros de universidade e movimento negro, fiquei na minha, a dissertação foi aprovada com louvor, pois tratava de um assunto até então inédito na academia da Bahia, a literatura negra sergipana, tendo o livro Panáfrica África Iya N’La como eixo.

Após a apresentação, uma professora da comissão perguntou se eu já conhecia o trabalho, ela prontamente respondeu que não e que iria, assim que chegasse em Sergipe, mim entregar uma cópia. Pois bem já se vão mais de três anos e não conheço o tal trabalho, nem pela Internet, só sei que ela manipulou as informações e fez da minha trajetória, uma ficção, construiu um engodo, uma fraude acadêmica. Neste sentido, fiz uma denuncia no Conselho Estadual de Cultura e o repúdio se encontra lavrado em Ata.

Outro que me irritou foi um menino negro, metido a gato de bota, cheio de preconceitos e gordura mórbida, se achando branco, aluno de Doutor Itamar Freitas na UFSe, veio procurar documentos sobre a educação do negro, orientado pelo seu professor sobre nossas ações e produções em torno do tema. Logo que chegou se comportou equivocadamente, não sentou e se fez. de surdo quando mandei que assinasse o livro de pesquisas criou um ambiente pesado e constrangedor que eu busquei logo diluir em respeito aos seus parentes, que muito respeito. Ofereci-lhe todo material, inclusive material que não mostraria a outras pessoas. Respondir a todas suas indagações, o coloquei diante do computador para acessar todas as informações documentais e as nossas produções e trabalhos em andamento. A tudo que via, fazia ar de nojo e poço caso. Dei mais informações e referencias e sempre que nos encontrávamos ele fazia que não mim via, torcia os beiços e cuspia ou simplesmente me olhava com cara de nojo. A tudo via e nada fazia.

Uma vez no Conselho Estadual de Cultura, o comportamento do menino foi tão desrespeitoso que gelei, passou e olhou para a sala de reunião e quando me avistou, fez uma careta de nojo e cuspiu. Certamente ele se assustou em me ver no Conselho, coisa que para ele só caberia os brancos e todas as vezes que ia a biblioteca fazer suas pesquisas e me via tinha o mesmo comportamento.

Uma tarde comentei o assunto com o professor que havia indicado para oferecer as informações, dizendo que negro não gosta de negro e os pretos se odeiam ao que ele respondeu que já havia percebido o comportamento do cara, principalmente ao meu respeito, rimos e deixamos de lado.

Tempo depois fazendo uma varredura na Internet, deparei com meu nome e fui verificar, indo até a fonte, verifiquei se tratar do trabalho que o menino havia feito. Ali dizia da apresentação num congresso. Esperei que o cara trouxesse uma cópia, mas ledo engano. Conseguir que uma pessoa abrisse e copiasse o trabalho, li e verifiquei a idiotice acadêmica, ele não sabia se mim criticava e desqualificava meu trabalho, minha trajetória ou se elogiava o certo é que, principalmente nas críticas ele se perde e mostra o quão infantil e reducionista é seu trabalho e como será um péssimo professor. Ali ele explicitou todo seu desespero, sua inveja, despeito, preconceito e ignorância do tema que estava tratando.

Jogou terra na fonte que matou a sua sede, a única referência encontrada em todo Estado, para seu trabalho. Um universiotário de marca maior. O tipo de nego que reputo nego, idiotizado, mascarado, besta, nego de mentalidade escrava, o tipo comum de nego da casa grande. Será um péssimo professor da rede pública, mas um excelente professor da rede particular, não que os professores da rede particular sejam racistas, mas que este nego, que não gosta de negro( não sei como se comporta em casa.), metido a rico, que em vez de fazer uma dieta rigorosa, procura desqualificar e desprezar o negro que ele jamais será. A vocês e a todos que precisarem. Estarei sempre á disposição. Se o assunto é negro, é cultura afro sergipana. Contem comigo. Tô nem aí.

O trabalho dele é digno de pena. Não merece constar numa coletânea acadêmica, mas merece ser visto, para servir de referência aos idiotas que se acham e pensam que títulos e formações teóricas são alguma coisa, sou mais o contador de estórias, pelo menos ele tem prática e conhecimento. Só existe péssimos professores, porque foram péssimos alunos e são péssimos cidadões.

A esses dois, infelizmente da UFSe, eu tenho o maior cântico de Louvou ao Deus da Misericórdia, para atenuar seus conflitos existenciais e peço a EXU que protejam suas vítimas.

Larôiê Kleber !!!
Larôiê Rosimeire!!!

sábado, 23 de agosto de 2008

INDICAÇÕES - PROPOSTA & REQUERIMENTOS . severo D'Acelino no Conselho Estadual de Cultura.



APRESENTA NOMES DE CONFERENCISTAS.

INDICAÇÃO 01/08


Que este Conselho após após os tramites aprove a indicação dos Professores João Hélio e Fernando Aguiar, para compor os nomes dos conferencistas do Simpósio Estadual sobre INTOLERÂNCIA.
Os indicados são professores da Universidade Federal de Sergipe com aprovada capacidade para exposição do tema, e podem ser encontrados no Departamentos de História daquela Universidade.

JUSTIFICATIVA>

As indicações dos nomes se justificam pelo conhecimento que ambos tem da matéria, e de terem sido já testados em diversos eventos da comunidade afro sergipana e de terreiro e, neste sentido trará novas informações acerca do tema aos participantes e ao Conselho Estadual de Cultura, podendo ser convocados para uma exposição na reunião do Patrimônio.

Sala do Conselho 05 de Agosto de 2008.

José Severo dos Santos
Conselheiro

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

PROPOEM QUE O ESTADO COMPRE PRODUÇÕES SERGIPANA PARA BIBLIOTECAS ESCOLARES

PROPOSTA 05/08


Que após lida e deliberada pelos Conselheiros, seja encaminhada a votação a propositura para que qualquer produção financiada e ou que tenha o apôio cultural do Estado, tenha 30% de sua produção adquirida e distribuída pelos diversos instrumentos culturais e educacionais e as que não forem contempladas ou não tiverem acesso ao apôio e ou financiamento do Estado e ou Governo, tenha 40% adquirida pelo Estado para distribuição junto as bibliotecas escolares e órgãos culturais.


JUSTIFICATIVA.

O Estado e Governo vêm contemplando publicações de algumas produções, literária e estilos culturais e artísticos, sem, contudo promover a sua distribuição junto aos órgãos culturais, comunidades e escolas, que ficam excluídos da referencia e sua aquisição vem sendo difícil motivado pelo auto custo do exemplar ou ingresso e assim sendo o universo de alunos e escolas e setores culturais, alèm do individuo, ficam excluídos do conhecimento, mesmo sendo produzido com a verba pública. O Estado deve garantir conforme sua Constituição, o acesso de bens culturais a sua comunidade, bem como oportunidades e condições para a produção destes bens, ampliando seu patrimônio e estimulando a produção de conhecimentos..


Aracaju, Sala do Conselho em, 05 de Agosto de 2008.


José Severo dos Santos
Conselheiro.


XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

PROPOEM A PRESENÇA DE ENTIDADES NEGRAS NO CONSELHO

Proposta 06/08


Que após lida e deliberada pelos Conselheiros, seja encaminhada a votação a propositura para que o Conselho inclua em sua composição, a presença de Entidade Negra a cada gestão, seja formal ou informal a fim de garantir a isonomia representativa e o respeito a Diversidade e os termos multiculturalista da Constituição Estadual onde propugna pelo pluralismo de idéias, com respeito às diferenças éticas; socioculturais, lingüísticas e religiosas, características do convívio democrático, enfatizada no seu Art. 228.

“O Conselho Estadual de Cultura terá composição paritária e proporcional, assegurada a participação entre seus membros de representantes de entidades e/ou instituições culturais.”

Os Direitos e Garantias Fundamentais assinalam a proteção contra discriminação por motivo de raça, cor, sexo, idade, classe social, orientação sexual, deficiência física, mental ou sensorial, convicção político-ideológica, crença em manifestação religiosa.

Caberá a secretaria do conselho, encaminhar comunicado a todas Entidades negras do Estado com informações referente aos pré-requisitos e se possível as Normas que regem o Conselho, para que possam encaminhar suas documentações cadastrais afim de que possam ser incluída no sorteio. Este sorteio será entre as Entidades Negras, de onde sairá a que comporá o Conselho junto as demais representações sorteadas.


Justificativa.


A presença do negro, enquanto negro e cultura, cada vez mais se estreitam no cotidiano estadual. Sua presença tem sido estritamente de submissão, onde a subalternidade impede de promover ações definitivas para o coletivo, pelo medo e receio de se expor ou ser constrangido pelo autoritarismo da arrogância de quem tem liberdades de transito pelos espaços de poderes. O medo não deve ser instrumento de poder.

O negro não deve ter medo do seu governo e não deve compor as galerias das sombras porque Igualdade, Justiça e Liberdade são maiores que as palavras - São perspectivas que deve ser levada adiante, na quebra do nosso silencio obediente, buscando na participação a construção de motivos e nos debates das idéias, a consolidação do nosso espaço. Buscar a retórica para dizer as verdades e não encobri-la para se tornar civilizado e ser aceito pelo grupo do poder.

A Cultura negra, que representa 86% da população absoluta deste Estado Negro, sem Cultura, merece visibilidade. Esta é uma ação afirmativa contra séculos de etnocídio, que dizimou a cultura indígena e atomizou a cultura negra em beneficio de um sistema etnocêntrico gerador do Racismo Institucional a que somos vítimas diuturnamente.

Precisamos vencer os preconceitos, ultrapassar os limites e derrubar barreiras, através de mudanças de Atitudes e Comportamentos. Precisamos que o governo crie e instale um departamento na secretaria de cultura dedicado aos Assuntos Afros sergipano, aproveitando os recursos humanos de reconhecida capacitação gerencial, remanescentes da universidade, evitando as militâncias.


Sala do Conselho em 19 de agosto de 2008.



José Severo dos Santos
Conselheiro


XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

PROPOEM A CRIAÇÃO DO DEPARTAMENTO DE ASSUNTOS AFRO-INDIGENA NA SECRETARIA DE CULTURA

PROPOSTA 07/08


Proponho na forma regimental, que após ouvido o plenário desta casa, que seja oficiado ao excelentíssimo senhor secretário de cultura Luiz Alberto, para que este determine ao setor competente da secretaria, estudos para criação e instalação de um Departamento de Assuntos Afro-Indígena, Daquela secretaria, afim de dar visibilidade, proteção e promoção ao Patrimônio Espiritual e Material destas duas culturas, alijadas das ações e representação do Estado.

Proponho. Também que o citado Departamento, não seja administrado ou dirigido por militantes do Movimento Negro ou Indígena, mas por profissionais destacados na área da administração pública.

Proponho, mas, que o deliberado seja encaminhado as Entidades da Organização Negra e Indígena: Ministério Público e Ordem dos Advogados de Sergipe.


Sala do Conselho, 19 de agosto de 2008.


José Severo dos Santos


XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

PEDE INFORMAÇÕES SOBRE ANDAMENTO DE PROPOSTA APRESENTADAS.

REQUERIMENTO


REQUEIRO , na forma regimental, que este a Secretaria deste Conselho informe a situação das Propostas, sobre:

- Prêmio Igualdade Racial
- Mudança de denominação do Museu de Laranjeiras
- Reconhecimento do São Gonçalo
-Reconhecimento do Nagô.

Requeiro, mas, que o deliberado seja encaminhado a Casa de Cultura Afro Sergipana.

Sala do Conselho em 19 de Agosto de 2008.



José Severo dos Santos


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REQUER VOTO DE LOUVOR Á CÃMARA MUNICIPAL DE SANTOS

REQUERIMENTO



REQUEIRO, na forma regimental, que após ouvido o plenário deste egrégio Conselho, seja oficiado ao Excelentíssimo Presidente da Câmara Municipal de Santos, Voto de Louvor, pelas ações em Reconhecimento ao Herói Negro Sergipano e Santista. QUINTINO DE LACERDA.

Requeiro, mas, que igual expressão, seja oficiada ao Senhor Presidente d Associação de Defesa da Comunidade Negra e Sambista de Santos, Senhor Luiz Otavio de Brito responsável pelos Projetos e homenagens a QUINTINO DE LACERDA.

Requeiro, também, que o deliberado, seja dado conhecimento ao Presidente da Câmara Municipal de Itabaiana, bem como a Prefeita, como expressão ao mês do seu falecimento a 13 de agosto de 1898.

Sala do Conselho, em 19 de Agosto de 2008.


José Severo dos Santos

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

CASA DE CULTURA AFRO SERGIPANA IN REFERENDUN - AÇÃO MULTIPLICADORA NA ACADEMIA.

Artigo aceito para publicação pela Comissão Científica do VI Encontro Perspectivas do Ensino de História – ENPEH, de 10 a 13
de outubro de 2007 – Natal/RN – No prelo – Disponível emhttp://www.ensinodehistoria.com.br/producao Cultura afro‐brasileira e africana no livro didático de História do Brasil e História de Sergipe: possibilidades de transposição didática

Kléber Rodrigues Santos1

Resumo

A cada dia percebe-se que não se pode mais esconder a riqueza da cultura e história
africana, ainda tão desqualificada na historiografia brasileira. Neste sentido, o livro didático, tão influente no trabalho pedagógico, e se constituindo, praticamente, como o único material impresso de que muitos alunos brasileiros dispõem, pode contribuir para a garantia do respeito à cultura afro-brasileira e africana. Portanto, este trabalho divulga os primeiros resultados da pesquisa que se propõe a examinar o acervo de leis, documentos oficiais e artigos que tratam da cultura afro-brasileira e da cultura africana e viabilizar a“transposição didática” dessa temática para obras escolares de História de Sergipe.

A pesquisa já cumpriu o estágio do exame da legislação, de outros documentos oficiais e das teorias de ensino-aprendizagem e agora busca se debruçar sobre cartilhas e livros didáticos.

Palavras-chave: Cultura afro-brasileira e africana, livro didático, transposição didática.

Abstract

Every day is noticed that her more it cannot hide the wealth of the culture and African history, still so disqualified in Brazilian historiography. In this sense, the didactic book, so influential in the pedagogic work, and if constituting, practically, as the only material printed paper that many Brazilian students dispose, it can contribute to the warranty of the respect to the culture afro-Brazilian and African. Therefore, this work publishes the first results of the research that intends to examine the collection of laws, official documents
and goods that treat of the Afro-Brazilian culture and of the African culture and to make possible the "didactic transposition" of that theme for school works of History of Sergipe.

The research already accomplished the apprenticeship of the exam of the legislation, of other official documents and of the teaching-learning theories and now search if leans over on spelling books and text books.

Keywords: Afro-Brazilian and African culture, didactic book, didactic transposition

• Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe. E-mail: kleberrsantos2004@hotmail.com.

Este trabalho faz parte do Projeto “História regional para as séries iniciais da escolarização básica brasileira: o texto didático em questão”,
desenvolvido pelo Grupo de Pesquisas em Ensino de História, sob a orientação do Prof. Dr. Itamar Freitas, do Departamento de Educação da UFS.

2
Introdução

Há três anos, depois da sanção da Lei 10.639/032, estabeleceu-se um quadro
composto por várias dúvidas a respeito de como seriam abordadas, no livro didático de
História do Brasil e de Sergipe, a cultura afro-brasileira e africana.
Diante de tantas inquietações geradas, questionou-se nos meios escolares,
acadêmicos e editoriais sobre a possibilidade de se realizar a transposição didática dessa temática. De 2003 (ano da aprovação da lei supracitada) até hoje, a sociedade sergipana ainda se pergunta a propósito da estratégia a ser utilizada para didatizar a cultura afrobrasileira e africana, utilizando elementos da experiência local.

Em Sergipe, os conteúdos sobre África e sobre a história e a cultura dos afrobrasileiros são ensinados até agora de forma muito tímida. Mesmo com as modificações na legislação, precisa-se de uma ação pedagógica que insista numa educação de qualidade, e atue de forma pungente na manutenção da diversidade étnico-cultural e no desmantelamento das ações discriminatórias:

É preciso a compreensão de que todo o processo de transformação do currículo a
partir da Lei 10.639/03 não é apenas uma tentativa de incluir a cultura e a
história afro-brasileira numa sociedade que há muito tempo as exclui, mas sim
estabelecer no processo educativo as heranças culturais e a diversidade étnica da
cultura brasileira, possibilitando o diálogo e a participação de todos que a
compõem, sem distinções, promovendo os princípios da dignidade, do respeito
mútuo e da justiça social (SILVA, 2007:71).

Assim como em outras partes do Brasil, a população negra sergipana também sofre
com a discriminação invisível corroborada pelo mito da democracia racial, que nega
aspectos essenciais à vida dos afro-descendentes, como o direito a conhecer em
profundidade e ter valorizado a sua participação na história do país. A chamada
democracia racial “traz em seu cerne a negação do preconceito e da discriminação, a
isenção do branco e a culpabilização dos negros”HASENBALG, 1979 apud BENTO, 200-
:1)

A cultura negra, introduzida através da escravidão, imprimiu “marcas profundas em
toda extensão da alma sergipana” (D’ACELINO, 1998). Infelizmente, em nosso Estado, a
desqualificação da identidade cultural do negro, a desvalorização de sua herança africana, atrelada ao preconceito racial construído ao longo de vários séculos, tem gerado constrangimentos e baixa auto-estima.

Não se pode mais esperar para que a riqueza e a fecundidade da cultura negra passe
a ser vista nos conteúdos escolares e integrada à formação cultural dos estudantes.
Estudiosos como Nilma Lima Gomes têm uma opinião definida sobre esse assunto:
Na minha opinião, trabalhar com a cultura negra, na educação de um modo
geral e na escola em específico, é considerar a consciência cultural do povo negro,
ou seja, é atentar para o uso auto-reflexivo dessa cultura pelos sujeitos. Significa
compreender como as crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhos negros e
negras constroem, vivem e reinventam suas tradições culturais de matriz
africana na vida cotidiana (GOMES, 2003:79).

É necessário reconhecer a relevância de incluir a cultura negra nos manuais
didáticos e realizar pesquisas e ensino de conteúdos sobre a África e os africanos,
dedicando um espaço efetivo para essa temática em nossos programas ou projetos. Neste
sentido, o livro didático pode contribuir para a formação de crianças e jovens de estrato sociais mais pobres – constituídos em sua grande maioria de negros –, ajudar na

2 Altera a Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no
currículo oficial a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências.

3recuperação das identidades negras/mestiças e promover o fim de uma visão monocultural e eurocêntrica.
A transposição didática3 da cultura afro-brasileira e africana tem uma grande
importância social num país como o Brasil, marcado pela diversidade étnica e cultural.
Pode ter um valor muito maior em Sergipe, estado que é carente em iniciativas em torno do livro didático (FREITAS, 2001), e que não conta, no ensino, com uma bibliografia especializada para tratar da cultura negra (SOUSA, 2006)

4.Também se faz necessária a revisão pedagógica dos manuais didáticos de Sergipe
que trazem como proposta a inclusão de conteúdos sobre cultura afro-brasileira e africana.
É preciso verificar como eles lidam com as teorias de ensino-aprendizagem. Além disso, torna-se indispensável avaliá-los no sentido de atender as necessidades de professores e alunos, possibilitando-lhes trabalhar conteúdos com propriedade, evitando assim as simplificações explicativas que banalizam o conhecimento.
Atendendo aos aspectos dispostos acima, este artigo se propõe a analisar
pedagogicamente o segundo volume5 da série Cadernos pedagógicos intitulado A presença
do negro na formação étnica sergipana. Essa proposta de didatização6 da cultura negra
em Sergipe é de autoria da Casa de Cultura Afro Sergipana, fundada pelo militante, ativista dos direitos humanos, ator e pai-de-santo Severo D’Acelino.

Crítica pedagógica

A presença do negro na formação étnica sergipana é um dos diversos trabalhos
ligados à educação que a Casa de Cultura Afro Sergipana vem realizando desde a sua
fundação, em 1968. A partir do ano de 1986, mais precisamente, a entidade passou a
elaborar propostas para a inclusão da cultura negra sergipana nos currículos escolares e também foram publicados alguns livros com o objetivo de levar, a alunos e professores do estado, um conhecimento sobre a cultura afro-brasileira e africana.

O livro tem como contribuição fundamental, a compreensão da organização social e
cultural de Sergipe, favorecendo um estudo sobre a cultura negra e um resgate sobre a
participação dos afro-descendentes na história sergipana. Busca, na difusão do patrimônio histórico-cultural do negro, uma ação reparadora relativa à exclusão e negação da identidade dessa parcela expressiva da população.

A obra possui trinta e sete páginas e está estruturada em: seção Objetivos, com as
metas e pretensões da coleção a qual o livro faz parte; Introdução, com uma apresentação do material, expondo, por exemplo, as fontes históricas e a proposta pedagógica; uma área reservada à exposição de leis federais, como a Lei 10.639/03, estaduais, como a Lei 4.192/997 e históricas, como a Lei Áurea; texto didático da historiadora sergipana Maria Thetis Nunes

3 Conceito i nt r oduzido, em 1975, pelo sociólogo Michel Verre t e r e d i s c u t i do por Yves Chevallard, relacionado à passagem de um conteúdo de saber cientifico a uma versão didática deste objeto de saber. A transposição didática busca combinar o
conhecimento do conteúdo formal com o do tratamento didático que deve receber tal conteúdo, para torná-lo de fácil compreensão para o aluno.

4 O professor Antonio Lindvaldo Sousa, da Universidade Federal de Sergipe, evidencia que a historiografia sergipana ainda se pauta em trabalhos sobre política institucional e economia. Ele sugere como forma para enfocar a cultura negra em sala de aula, o uso de cópias de documentos oficiais, como cartas e notas de jornais, complementando com a releitura de alguns textos impressos da historiografia sergipana tradicional que podem trazer muitas informações sobre a vida dos negros em Sergipe, mesmo tão influenciados pelo jargão explicativo que trazia a contribuição dos afro-descentes num quadro esquemático da formação social brasileira.

5 O primeiro volume da série chama-se O índio na formação sergipana.

6 Foram procuradas outras entidades, movimentos e organizações negras, no sentido de encontrar outras propostas de didatização da cultura negra em Sergipe, obtendo como resultado a informação de que, na capital do Estado, não existem entidades interessadas na elaboração de livros didáticos que incluam a história e cultura afro em seus conteúdos. Entre as entidades contatadas estão:

Promotoria de Educação do Ministério Público de Sergipe, Centro Sergipano de Educação Popular, Organização de Mulheres Negras Maria do Egito, Organização Careca e Camaradas, Secretaria Municipal de Educação de Aracaju.

7 Recomenda a inclusão de conteúdos da cultura negra em concurso público, curso de formação e aperfeiçoamento do servidor público civil e militar, institui o dia 19 de janeiro como Dia Estadual de Luta da Consciência Negra, e dá outras providências.
4
Thetis Nunes com o mesmo título do livro; a seção Questionário, com 272 exercícios;
Sugestão para atividades e Referência Bibliográfica.
Na terceira página, na qual se encontra a introdução do livro, a proposta pedagógica
está superficialmente explicitada. O texto informa que a obra está baseada na educação inclusiva, não definida com clareza, e nem tem seus fundamentos teóricos apresentados.
Vê-se que o processo de ensino-aprendizagem é pensado na intenção de promover
através do conhecimento, reverter estereótipos e resgatar a excluída ancestralidade
africana para a memória coletiva:
(...) buscando a possibilidade de uma incursão revisitadora, a nossa
ancestralidade através de fios deste tecido multiforme que nossos pesquisadores
nos apresenta como instrumentos de construção da tapeçaria, assinalando um
episódio de nossa história para que possamos no futuro, conhecer ou construir e
entender o nosso passado (CASA DE CULTURA AFRO SERGIPANA, 2004:3-4).
Apresentar a educação inclusiva como concepção teórico-metodológica pode ser
considerada uma inovação na área pedagógica. Os Parâmetros Curriculares Nacionais
indicam que é preciso:
(...) investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza
representada pela diversidade etnocultural que compõe o patrimônio
sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que
compõem a sociedade. Nesse sentido, a escola deve ser local de dialogo, de
aprender a conviver, vivenciando a própria cultura e respeitando as diferentes
formas de expressão cultural. (BRASIL, 1997:32).
Questionando a segmentação entre os diferentes campos do conhecimento, o livro
também pretende uma ação interdisciplinar, contando, inclusive, com a participação de
disciplinas das Ciências Exatas, como a Matemática e a Física.

De acordo com o escritor Luiz Antonio Barreto, a obra também segue o “método de
testes”, utilizado desde o século XVIII para avaliar aptidões e que foi sendo desenvolvido como instrumento de avaliação pela Pedagogia. Os testes foram usados pela primeira vez pelo psicólogo J. Mackeen Cattell, mas, os primeiros a relacioná-los com as práticas educativas foram E. Meumann e J. Winteler (BARRETO, 2004).
A partir da década de 1930, os testes passaram a compor livros didáticos e os
manuais dos professores. Já na década de 1970, esse método alcançou seu auge ao
instrumentalizar a pedagogia tecnicista, sendo combatido com rigor, posteriormente, como uma prática tradicional, uma avaliação por excelência (FREITAS, 2006).

Provavelmente, por adotar a tradicional pedagogia dos testes, o livro aqui analisado
acaba por exibir raras situações em que o aluno é realmente estimulado a adotar uma
postura ativa, autônoma e reflexiva em relação aos conteúdos que lhe são apresentados.

Em relação ao texto didático da obra, é possível caracterizá-lo como fluente. Ele
apresenta unidade, coerência e coesão. Num panorama geral, a linguagem adotada e seus
conceitos e informações são adequadas ao aluno do Ensino Médio e das séries finais do
Ensino Fundamental, pois respeitam a capacidade cognitiva própria dos docentes desses
níveis de ensino.

Porém, pode-se afirmar que esse texto, de autoria da historiadora Maria Thetis
Nunes, não é o mais adequado aos objetivos do manual referentes à reversão de
estereótipos e resgate da ancestralidade africana.
O texto de Thetis Nunes se baseia numa perspectiva tradicional da História, que se
fundamenta em fatos políticos e econômicos, não se enquadrando num perfil cultural de
valorização de identidades e etnias. Dessa forma, observa-se que não há coerência entre o texto didático e a proposta de ensino-aprendizagem adotada pela obra.
O livro A presença do negro na formação étnica sergipana não conta com um manual do professor. Essa é uma falha grave.

O manual do professor é de suma importância, pois descreve a estrutura geral da obra, expressando a articulação das propostas teórico-metodológicas com as estratégias utilizadas na elaboração do livro BRASIL, 2007:17). O manual do professor também orienta a forma de trabalhar com os materiais didáticos em sala de aula, sugere atividades complementares, subsidia a correção de atividades e exercícios destinados para os alunos, indica recursos e fontes que podem ser utilizados pelo professor, além de apontar textos auxiliares, sugestões de filmes e
respostas aos exercícios propostos para os alunos (BRASIL, 2007:17). A ausência desse
manual diminui as possibilidades de reflexão no trabalho docente, principalmente no que se refere à utilização do livro didático pelo aluno, aos preceitos teóricos e aos
procedimentos metodológicos.

A proposta de didatização promovida pela Casa de Cultura Afro Sergipana também
não possui ilustrações. Essas imagens ou ilustrações devem ser de fácil compreensão e
precisam se adequar às finalidades pedagógicas para as quais foram elaboradas. Elas
propiciam novas formas de conhecimento auxiliar na leitura e na compreensão dos textos e levam o aluno a problematizar os conceitos históricos (BRASIL, 2006:28).
No livro didático de história, a principal contribuição da ilustração é a sua capacidade de desencadear um processo discursivo através do estímulo visual. Uma vez que seja acompanhada de legenda ou guarde relação com algum texto próximo a ela, contribui para o entendimento do texto e para a construção de conceitos.

Segundo Miguel Angel Santos Guerra, a imagem visual tem as funções de cortar a
monotonia de um texto escrito, despertar interesse no aluno, transcodificar a mensagem icônica e provocar uma experiência didática, dado o seu poder de reorganização do real.

Para o autor, a ilustração explica graficamente mediante a manipulação de diversos
códigos sobrepostos numa mesma imagem, verifica uma determinada idéia, processo ou
operação apresentada e ilustra o conteúdo manifestado no texto, conferindo-lhe equilíbrio(GUERRA, 1998:122-123).

No que se refere às atividades e exercícios, o PNLD informa que
os textos, as ilustrações, os exercícios e as atividades propostas precisam
favorecer o desenvolvimento do pensamento autônomo e crítico e de diferentes
tipos de capacidades e habilidades, tais como: a memorização, observação,
investigação, compreensão, interpretação, argumentação, análise, síntese,
comparação, formulação de hipóteses, planejamento, criatividade e avaliação
(BRASIL, 2007ª:15).

As sugestões para atividades, que são encontradas na parte final do livro analisado,
estão de acordo com o que o texto supracitado recomenda. Elas apresentam um estímulo
para a realização de trabalhos de pesquisa que desenvolvem a investigação (como o
levantamento do número de afro-descendentes na escola), de produção textual, seminários sobre questões relativas à situação do negro no país, a leitura de leis e outros documentos oficiais. No entanto, a obra não fornece maiores orientações sobre os usos dos seus 272 exercícios. Percebe-se imediatamente que eles não desenvolvem a produção de textos. O que prevalece são as perguntas de “marcar x”, que visam a memorização e a fixação de conteudos, não conseguindo provocar no aluno a construção de hipóteses e argumentação.

O livro é dedicado a um público abrangente: professores e alunos dos níveis
Fundamental, Médio e Superior. Essa característica acarreta alguns problemas. Observa-se nas perguntas, muitas vezes, a presença de vocábulos e conceitos que podem até ser comuns para professores e alunos das séries finais do Ensino Fundamental, do Ensino Medio e Superior, mas que são avançados para aqueles das séries iniciais.

Estes alunos têm, em média, entre 6 e 11 anos, não possuindo ainda um vocabulário
extenso e a compreensão de muitos conceitos. Segundo Piaget, nessa faixa etária, as
crianças passam por períodos de desenvolvimento, conhecidos como estágio da
inteligência intuitiva e estágio das operações intelectuais concretas. Dessa forma, no decorrer de todo esse período, a criança passa de uma fase marcada pelo início do
pensamento com linguagem, da interiorização das ações para um nível mais elevado, em
que as estruturas operatórias começam a repousar sobre proposições de enunciados
verbais e o raciocínio hipotético-dedutivo é mais consistente (PIAGET, 1967:112-114).
Seguindo também os princípios da teoria verbal significativa de David Ausubel,
observa-se que o seqüenciamento dos conteúdos de ensino deve ser orientado por uma
hierarquia conceitual em ordem descendente, começando pelos conceitos mais gerais até a apresentação dos mais detalhados (MARTÍN; SOLÉ, 2004:67).

À guisa de conclusão: por um livro de História de Sergipe com mais qualidade
O que se pode concluir a partir da avaliação pedagógica realizada neste artigo é que
A presença do negro na formação étnica sergipana possui vários erros em sua elaboração.

As falhas apresentadas vão desde a falta de manual do professor, passando pela falta de ilustrações, até, por exemplo, por um texto didático não adequado. Em relação à concepção teórico-metodológica, verifica-se que se encontra má explicitada; a proposta pedagógica oscila entre a inovação e o tradicionalismo.

O livro analisado pode assumir um papel relevante em Sergipe, posto que ele se
destina à didatização do conhecimento sobre a cultura negra. Mas, mesmo num Estado
com tão poucas propostas de livros didáticos, e com um número de produções sobre
história e cultura afro tão reduzido, é necessário prezar pela confecção de novos manuais com mais qualidade e quantidade.

É imprescindível que além da Casa de Cultura Afro Sergipana, outros grupos
culturais, entidades do movimento negro, organizações não-governamentais e centros de
pesquisa de Sergipe passem a dar mais atenção à implementação de práticas pedagógicas e à edição de livros escolares voltados para a diversidade étnico-racial.
Espera-se que o presente trabalho venha contribuir na melhoria das iniciativas de
transposição de conhecimentos históricos e pedagógicos para o livro didático, sempre
objetivando o reconhecimento da identidade negra, o respeito pela cultura afro-brasileira e africana e o reconhecimento dos afro-descendentes na sociedade sergipana.

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terça-feira, 12 de agosto de 2008

RACISMO INSTITUCIONAL - MODELO SERGIPANO


RACISMO OFICIAL
O MODELO SERGIPANO

O Estado democrático não pode patrocinar a Intolerância. Não pode discriminar. Não pode se ausentar ou terceirizar suas funções.
Severo D’Acelino.

Senhor Governador.
Senhor Prefeito.

É visível a atitude racista chapa branca em Sergipe, principalmente na administração petista, o que causa indignação tendo visto que fora do poder sempre propugnou por uma gestão democrática, onde todos fossem contemplados com os signos constitucionais, mas na prática a conversa é outra.

A gestão do governador Marcelo Deda e do Prefeito Edvaldo Nogueira, não oferece nenhuma oportunidade de expressão ao coletivo negro. Nenhuma ação se volta em beneficio deste segmento e por isso, seu maior instrumento é a exclusão de indivíduos e grupos negros, do espaço da mídia.

É o AI-5 Petista, a imprensa que já desde a administração do Usineiro já mostrava sinais reducionistas em função de divulgação das Questões e Condições do Negro, recrudesceu na administração dos Alves, e cristalizou na administração de Deda, que transformou a Prefeitura numa secretaria do Estado, monopolizou e sacramentou o corporativismo na mídia contra as questões negras.

Tanto a Secretaria de Estado da Comunicação, quanto a Secretaria Municipal de Comunicações, detem um dos maiores orçamentos das administração do Estado e da Capital, de fazer inveja a Saúde, Educação e Segurança.

Qualquer um que levantar as questões do negro nestes últimos anos na mídia sergipana, levará um susto e certamente dirá que Sergipe é o Estado da Federação onde as questões raciais não são conflituosas, visto a inexistências de registro na mídia, a não ser as pontuações eventuais, nas efemérides do mês de novembro.

A estratégia do isolamento, por certo conta com a parceria dos usineiros, pastores e coronéis, os donos da mídia sergipana, a quem o erário público engorda com pagamentos vultosos, para divulgar os feitos das administrações, calar vozes e impedir a Liberdade de Expressão aos negros, que lutam por tratamento igual, sem preconceitos, discriminações.

Os governos têm medo da Liberdade de Expressão, porque não querem defrontar com a Expressão da Liberdade Crítica dos Negros Conscientes que lutam por melhorias setoriais, como dizem os petistas e os comunistas, como a Saúde da População Negra, melhoria na Segurança Pública, a baixa qualidade e etnocentrismo do Ensino e Educação, o Desemprego, a Moradia, contra a Intolerância Religiosa , por um Imprensa Democrática e melhoria das condições de vidas, na luta contra o Racismo e Apartheid nesta sociedade excludente, racista. Luta pelos cumprimentos das Leis do Direito e da Justiça.

A Mídia sergipana presta um desserviço a democracia. Está atrelada a grupos de interesses enganosos, que querem controlar, amordaçar, engessar a maior população do Estado: A Negra, para se manter no poder, cristalizando os favores e patenteando o paternalismo, tirando a dignidade do negro e remetendo ao anonimato, com regulação de incapaz.

Os governos são os maiores clientes da mídia, impressa, falada e televisada, só falta se apropriar da internete, como o Governo da China.

Quando e quais os Jornais, Rádios ou Tvs, abriram espaços a negros para discutirem, denunciares ou formar opinião sobre as questões do coletivo?
Com a palavra O Governador do Estado e o Prefeito da Capital. Para a Policia Federal é muito fácil, verificar as pautas destes órgãos, nos últimos três ou 15 anos, para verificar a Liberdade de Expressão ou a Expressão da Liberdade do povo negro na mídia sergipana, braço de defesa do governador.

E se professores solicitarem aos seus alunos um trabalho sobre o negro na imprensa sergipana. O que eles vão encontrar? Como pode promover educação sem instrumentos pedagógicos. Como pode educar uma comunidade plural através do sistema etnocêntrico do Estado e do Governador e Prefeitos. Será que através de cestas de alimentos?

E a cesta de educação, de segurança, de cultura, de direitos, de leis, de justiça, de igualdade, de democracia, de saúde, de emprego, de qualificação, de moradia, de cidadania?

Quantas Entidades da Organização Negra de Sergipe foram ou são contempladas com os projetos do Estado, Governador ou Prefeitos?

Se o Estado sendo o maior cliente da mídia, poderia questionar e promover mudanças de atitudes e comportamentos, promover sanções e vetar as publicações publicas nestes veículos, até que regularizasse a questão do direito do negro se expressar livremente, sem a produção efemérica de “pautas”. Gobineau fez, Getulio fez e tantos fazem da mídia uma trincheira, um instrumento de repressão. Para seu gáudio e expressar seu poder no mandarinato porque tem mídia que seus mais variados veículos, não tem fôrça critica e está a serviço de quem paga mais e ou do poder, pautando as ações de diversos grupos.

Por Direitos Iguais. Para Todos!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

QUESTÃO DE PRINCIPIOS




Severo D’Acelino



Independente de minha idade (já passei dos 60). Antiguidade para mim é posto, autoridade e símbolo de respeito. Assim fui criado e treinado para respeitar as pessoas, hierarquias, funções e títulos com disciplina, mas, sem submissão.

O nosso respeito vai além da idade, ele se afigura também, no saber, na titulação hierárquica. Pois independente da idade, há os aspectos funcionais, as representações e todo um processo que nos ensina as relações e comportamentos.
É importante que um adolescente com cargo, titulo ou função, seja respeitado e tratado com os devidos cumprimentos que a sua posição requer. Trato assim, independente de ter sido, meu subalterno, tenha idade dos meus filhos.

Esse nosso jeito de ser, muita das vezes é confundido com subalternidade submissa, ledo engano. Diante de insultos a autoridade comigo dança, e dança direitinho, na forma da Lei, com todos os respeitos devido ao cargo, posição etc. Gosto muito da expressão de Antonio Rebouças “... Para que ninguém tenha seus Direitos Violados. É necessário que o Poder detenha o próprio Poder”

Um lugar para cada coisa. Cada coisa em seu lugar – é o dito popular e o certo. A Cezar o que é de Cezar, e nisso resume a nossa ação e determina meu comportamento, minha atitude antes os acontecimentos e os enfrentamentos do dia-a-dia.
Gosto do respeito e para tal, respeito e nisso a disciplina não pode ser simplesmente atribuída a militarismo.

A organização mais severa que conheço é a Igreja, no entanto a visibilidade se faz antes os militares, mais é na sociedade civil, que o servilismo é mais perverso na medida em que não nos dar oportunidade exercer a nossa cidadania no exercício do contraditório, pois os estereótipos são instrumentos que nos engessam e cristaliza os estigmas do preconceito, onde a nossa verdade está condicionada a nossa apresentação, a cor da nossa pele e a tantas outras tipificações.

Se na caserna, podemos representar contra o General, o Almirante e, porque não podemos representar contra o Delegado, o Juiz, o Governador. Não podemos e nem devemos ter medo de nossas Autoridades, nossos Gestores, nossos Comandantes. Neste sentido é também importante que nossas autoridades, não se utilizem do Medo, para nos controlar, destruir e violar os nossos direitos.

Triste daqueles que se utilizam do poder, dos que usam o poder como muleta, como ponte, como instrumento de suas autoridades autoritárias com os Abusos sistemáticos de Poder e Autoridade. São simplesmente covardes, inseguros e ídolos de bronzes com pés de barro bastam um temporal para desabar. Nesta minha trajetória já vi diversos e inúmeros desabamentos. Eles eram pequenos e insignificantes, não sabiam disso, suas forças eram emanadas do poder e eles não souberam interpretar que: A importância de Ser, não é Ter, mas saber que È. E eles não eram, só tinham e ficaram sem ter.

Kô Si Obá. Kô Si Olorum

O desenvolvimento e prática dos tipos de discriminações se apóiam no âmbito da suposta ‘autoridade’, na falsa superioridade de uma mente doentia e vazia. Dizem que Freud explica. Mas explicar o que? A insegurança é mãe do autoritarismo, da burrice e consola os despreparados psicologicamente com uma suposta aquisição de poder, baseado no dinheiro, na suposta intelectualidade gerada pelo exercício de poder, onde os méritos estão nos privilégios dos cargos públicos, usurpados dos qualificados, que lhes dão um falso status, uma notoriedade que se dilui quando perde o espaço no poder.

Uma notoriedade que não se sustenta sozinha, precisa de uma base sólida, representada pelos que se deixam violar, para estar respirando o poder e ou poder manipular os cordéis, pois sacralizar o diabo é tarefa difícil e impossível. Uma hora ele se empolga e começa a dar seus vôos rasantes e aí se desmonta.

As relações baseadas no poder, na autoridade, não se sustentam, são relações brindadas no medo, na repressão, no autoritarismo, assim que o grupo fica livre, do algoz, não há lembranças, só ressentimentos e alívios.

VENDA DO TERRENO DE ITAPORANGA


RECIBO

Depois de tanto tempo,o Terreno foi vendido. Agora o livro vai sair e posso colocar piso nas três salas de aulas da frente. Depois que meu compadre faleceu, não tinha mais como continuar com o terreno e ou fazer qualquer ação ali. A vizinha é uma pessoa do mal e fez muita safadeza contra meu compadre,, roubou todo material de construçãO que ele colocou no terreno. Tem uma quadrilha a serviço dela. Arromba a cerca para os carros dos seus clientes passem. Se utiliza das fruteiras e colocou um pescador para morar lá, fez uma barraca. Este pescador é empregado dela, é ele que pesca os peixes que ela utiliza no bar e sua presença no terreno é simplismente para hostilizar os proprietários. Agora que vendir, ela bateu de frente com o novo proprietário, dizendo que eu, não tenho nada ali, e que o terreno é dela. Pode.
R$15.000,00

Recebi de Wedson Goes Matos, residente e domiciliado em Estância, a Rua Otaviano Siqueira, 342 bairro Alagoas, portador da Identidade 230.696 SSP/Se – CPF 051.774.645-04, a importância supra citada como pagamento do Sitio Bom Pastor, localizado no município de Itaporanga D’Ajuda, de sua propriedade, adquirido de Arivaldo José Reimão.
DECLARO que caberá a Wedson Góes Matos, a quem passo o direito de propriedade, promover a regularização documental para transferência de titularidade no Cartório, para seu nome, que será efetuado com ELZE CARDOSO REIMÃO, residente e domiciliada em Aracaju, a Rua Carlos Gomes, 223, bairro Ignácio Barbosa.
PAGAMENTO- a forma de pagamento foi de R$ 10.000,00 em espécime e R$ 5.000,00 em Cheque pré-datado para o dia 15 de agosto do corrente ano. Cheque n° 047.210 do Banco Estado de Sergipe, Agencia 0008- Estância.
E para quitação vai assinada em duas vias.
Aracaju, 31 de Julho de 2008.

Wedson Góes Matos
RG.-230.696 SSP/Se CPF- 051.774.645-04
Rua Otaviano Siqueira, 342, Bairro Alagoas
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Testemunha:

Everaldo Santos
RG – 662.042 CPF – 265 119 755 68
Povoado Pariporé – caminho do Abais

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quinta-feira, 31 de julho de 2008

O MESTRE

O JOVEM PESQUISADOR - HISTORIADOR DA VILA DE SANTO ANTONIO DAS ALMAS.



Wanderley, o mais jovem Historiador de Itabaiana, pesquisador nato, com uma percepção extraordinária e um faro fantástico. Em qualquer levantamento que faz, surpreende os mais experimentado pesquisadores. Com ela os documentos saltam as vistas. Saem dos tumulos onde foram escondidos e veem a superficie aos encontro dos seus olhos e alcance das suas mãos. Parabens Itabaiana.Qualquer dia desses Wanderley lhe presenteará com a Mina que deixou frustrados muitos que desbravaram suas terras. O Ouro de Itabaiana, a Prata, continua em casa.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

PAIS E MÃES DE SANTOS ABONDONADOS - A FALTA DE SOLIDARIEDADE DOS FILHOS DE SANTOS




Epa Epa Babá...

Feliz do Pai ou Mãe de Santo que são freqüentados, amados, respeitados e reconhecidos pelos seus filhos, estejam onde estiverem. Aqueles que independentes das festas suntuosas, das comidas e bebidas fartas ou das “pegações”, são visitados, revisitados e freqüentados pelos seus filhos. Nos dias de Ósseas, nas obrigações, nas rezas e nos sirês.

Os que fortalecidos pelos Axés do Terreiro e luzes dos Orixás, tenham as presenças marcantes dos seus filhos, na saúde e na doença principalmente, onde os filhos se reversam na solidariedade para nada lhe faltar, seja médicos, remédios, terapias, acompanhamentos não lhes faltam, seja no Terreiro, em Casa, no Hospital, na Cadeia em qualquer lugar.

Os filhos de Axé, os reconhecidos não deixam jamais de prover seus Pais e Mães, principalmente quando ficam vulneráveis, eles estão ali para fortalecer seus Pais e Mães, com a energia e luzes de suas presenças, mimando e acolhendo em respeito e dedicação a espiritualidade litúrgica do seu Orô.

São poucos os que assim procedem, mas ainda existe e felizes são seus Pais.

O que vemos é a desagregação, o desprestigio, as fugas, intolerâncias, o desconhecimento a falta de solidariedade e toda ação negativa, quando os Pais e Mães de Santos, caem na desgraça, seja espiritual ou material e na vulnerabilidade, percebam que estão sozinhos e abandonados e que ninguém lhe visita, chega com alguma resposta as suas perguntas.

Os que tardiamente percebem que as suas necessidades, vulnerabilidades são como a lepra nos tempos idos. Ninguém chega para lhes visitarem, trazer uma palavra amiga, um calor humano, uma energia reparadora, uma ajuda , um acompanhamento, uma companhia nos hospitais, nas cadeias, uma ajuda . O abondono, a solidão, a ingratidão vão aos pouco lhes matando de tristezas, depressões, angustias e morrem.

Nos seus enterros, muita gente, muito ‘’choros”, todos querem pegar no caixão, mas ninguém esta interessados no cerimonial do axexê, feito os primeiros passos as pressas
E sem nenhum fundamentos, só para constar. Passada a primeira semana na missa de sétimo dia, se tiver, só poucas pessoas aparecem. Se houver patrimônio, a briga se instala para assumirem a herança, poucas são aquelas que se preocupam com o legado espiritual, o Axé que deve ser transplantado, despachado e renovado a Axé do Terreiro. A briga se instala, primeiro com os parentes e depois com os demais e nisso.

Era uma vez um Terreiro, um Pai ou Mãe de Santo.

Muito dos filhos, já mudaram para outros Terreiros, outra Religião ou simplesmente abandonaram o candomblé. E outros, começam a fazer apologia dos Pais, dizendo que eram os melhores e coisa e tal., só que nenhuma solidariedade foi firmada, na hora em que eles mais precisavam. Uma simples presença, um simples abraço já era o presente mais representativo para atenuar a solidão, a angustia, a vergonha de terem sidos abandonados e rejeitados, por quem dedicou todas suas forças, energias,, preocupações e atenções, na liturgia Orixá.

Epa Epa Babá. Senhor da Paz e da Misericórdia, protegei os Pais e Mães de Santos de um dia ter que passar por isso. Malembe. Mussura

segunda-feira, 28 de julho de 2008

BELEZAFRONEGRITUDE.COM.BR/SE



PARABENS PARA VOCÊ



ANIVERSARIANTES


FELIZ ANIVERSÁRIO. QUE OS SONS DE TODAS AS CANÇÕES SEJAM A POLIFONIA DO SEU RISO. FELIZ ANO NOVO. BÔAS FESTAS COM PAZ...SAÚDE e PROSPERIDADES.
FELIZ ANIVERSÁRIO, Daisyvani.

domingo, 27 de julho de 2008

PROFILAXIA DO AXÉ - UM REPÚDIO AS NOVAS PRÁTICAS






Profilaxia do Axé.

Os’ responsáveis”dos axés, cada vez mais atentam contra a sua continuidade, preservação e segurança, na medida em que transforma em um carnaval e o centro em um ponto de ônibus ou num balcão de supermercado onde o pagou passou se festeja como garantia de posse e titularidade. Onde fazer uma macumbinha é o principal indicador de sabedoria, iniciática dos pretensos entendidos no santo e nas múltiplas liturgias. Evidencia uma característica reducionista onde os chamados pais e mães de santos, são os refém dos chamados filhos de santos.
Esses só aceitam aqueles , só os consideram enquanto lhes servem e obedecem.

Os tais filhos de santos, começam a testar seus pretensos conhecimentos, os aprendidos no terreiros, com seus amigos e nas estradas, batendo cancelas. E suas vítimas são os próprios pais e mães de santos, irmãos, amigos e pretensos inimigos.
Qualquer indisposição com alguém do santo, vai logo fazendo sua macumbinha e ainda diz que com ele/ela agora é na macumba.

São inúmeros os casos em que esta nova expressão se estende e usam a nova mania. Fazer macumba. Nunca contra o Prefeito, o Juiz, o Governador, o Delegado, o Secretário, enfim, suas macumbas não alcançam as elites do poder, só a periferia. Se especializam em rogar pregas, queimar as casas e terreiros dos outros, amarram os serviços e manifestos dos outros, fazem e acontecem.

Só não sabem é melhorar suas vidas, desmanchar e desamarrar as chamadas macumbinhas, aprendidas as pressas nos livros equivocados, fácil de interpretar, mas de difícil compreensão, pelo vasto conteúdo e nenhuma idoneidade e se multiplicam as “leituras” pelos novos alfabetizados das macumbarias, que com fiados e nunca tem dinheiro ou disposição para pagar, estão gordos (as), mesmo sem o que comer em casa. Pois os que ganham em suas macumbas não se multiplicam, daí a marginalidade, onde os terreiros são submetidos a agregarem uma corja de ladrões, viciados, pederastas, prostitutas e garotos de alugueis que para manter seus pequenos vícios, se prostituem ou simplesmente usam seu corpo para roubar, através da passividade ou atividade sexual,
conforme o freguês ou a vítima.

Os terreiros estão sendo utilizados para encontros, agendamentos e pegações, onde o sexo é o artigo de maior procura e oferta.
Em tempos idos na história mais recente do candomblé, o comportamento era diferente, o matriarcalismo era rígido e respeitado, os efeminados e gays não tinham grandes espaços e quando conseguiam, se tornavam mais rígidos, não permitindo que seus terreiros se transformasse em parada de malfeitores e palco de putaria e desrespeito.

Hoje quem manda no candomblé, são os gays e efeminados, mar4cando cancelas e chancelas, fragilizando os terreiros e sendo fragilizados pelos seus compassas que fazem e determinam suas ações e tarefas, transformando os terreiros num centro de marginalidade, comprometendo toda comunidade e enfraquecendo os Axés que a cada dia se transforma em evocações de ritus evangélicos contra os próprios omorixás que se utilizam da religiosidade para proclamar suas vaidades e parcos poderes sobre cada vez mais, reduzidos filhos de santos e carnavalizar o patrimônio ancestral que é ofertado aos partidos e aos serviços da marginalidade subalterna contra seus próprios irmãos.

Não há solidariedade alguma, os próprios pais e mães de santos se submetem expontaneamente para fazer macumba para os seus iguais, sem nenhuma preocupação se estão certos ou errados. O que pesa é a vaidade de dizer que acabou com fulano ou sicrano e ou que queimou a casa de beltrano. Isso é a carga de herança que seus supostos filhos de santos, começam a praticar, reproduzindo ação negativas para afagar seus egos. Uma macumbinha para amarrar o serviço de fulano, uma macumbinha para se vingar de sicrano, uma macumbinha para conseguir o amor de beltrano. E segue as transgressões, pensando que Exu protege ladrões, assassinos, vigaristas.

A Lei do Santê, tarda mais não falha, é a chamada Lei do Retorno, a Lei de Talião a lei da Compensação a Lei da Sanção, da Justiça, de Ogum, de Xangô, de Oxalá, que tudo vê e tudo sabe. Exu está e estará sempre na alinha da intermediação e exerce seu livre arbítrio. Quantas vezes ele deixa de atender um pedido, quantas vezes ele deixa de entregar uma oferenda por achar que não foi bem servido. Quantas vezes os Orixás rejeitam as tais oferendas por perceber transgressões.

Quantas vezes o feitiço cai sobre o feiticeiro. É a resposta do Tempo, é o castigo do transgressor, nada acontece por nada. Uma pedra no sapato de um filho, pode ser o chute que foi dado pelo pai, pela mãe, por alguém da família que se exibe contra um fragilizado. Tem que se insurgir contra o forte, o opressor e não contra o fraco oprimido. Macumba não dar inteligência e nem mantem ninguém nos cargos ou submisso sexualmente, apaixonadamente, subalternamente a outra pessoal.

O Axé se fortalece nas mãos do omorixá ou sacerdotes, tementes aos Orixás e comunidades que servem, observando os preceitos, sem vaidades ou cometimento de transgressões. Fortalece na medida em que se faz o bem, presta solidariedade e promove a unidade e fortalecimento dos que lhes procuram, atenuando conflitos e invocando os Orixás para as proteções e fortalecimentos dos fracos, oprimidos, doentes e necessitados. Os fundamentos do Candomblé é semelhante aos fundamentos de todas as religiões, pois todas são ancestrais e divinas, a sacralização depende do conjunto de ações que se pratica e em nome de quem.
Olorum mudupé.