quinta-feira, 14 de agosto de 2008

CASA DE CULTURA AFRO SERGIPANA IN REFERENDUN - AÇÃO MULTIPLICADORA NA ACADEMIA.

Artigo aceito para publicação pela Comissão Científica do VI Encontro Perspectivas do Ensino de História – ENPEH, de 10 a 13
de outubro de 2007 – Natal/RN – No prelo – Disponível emhttp://www.ensinodehistoria.com.br/producao Cultura afro‐brasileira e africana no livro didático de História do Brasil e História de Sergipe: possibilidades de transposição didática

Kléber Rodrigues Santos1

Resumo

A cada dia percebe-se que não se pode mais esconder a riqueza da cultura e história
africana, ainda tão desqualificada na historiografia brasileira. Neste sentido, o livro didático, tão influente no trabalho pedagógico, e se constituindo, praticamente, como o único material impresso de que muitos alunos brasileiros dispõem, pode contribuir para a garantia do respeito à cultura afro-brasileira e africana. Portanto, este trabalho divulga os primeiros resultados da pesquisa que se propõe a examinar o acervo de leis, documentos oficiais e artigos que tratam da cultura afro-brasileira e da cultura africana e viabilizar a“transposição didática” dessa temática para obras escolares de História de Sergipe.

A pesquisa já cumpriu o estágio do exame da legislação, de outros documentos oficiais e das teorias de ensino-aprendizagem e agora busca se debruçar sobre cartilhas e livros didáticos.

Palavras-chave: Cultura afro-brasileira e africana, livro didático, transposição didática.

Abstract

Every day is noticed that her more it cannot hide the wealth of the culture and African history, still so disqualified in Brazilian historiography. In this sense, the didactic book, so influential in the pedagogic work, and if constituting, practically, as the only material printed paper that many Brazilian students dispose, it can contribute to the warranty of the respect to the culture afro-Brazilian and African. Therefore, this work publishes the first results of the research that intends to examine the collection of laws, official documents
and goods that treat of the Afro-Brazilian culture and of the African culture and to make possible the "didactic transposition" of that theme for school works of History of Sergipe.

The research already accomplished the apprenticeship of the exam of the legislation, of other official documents and of the teaching-learning theories and now search if leans over on spelling books and text books.

Keywords: Afro-Brazilian and African culture, didactic book, didactic transposition

• Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe. E-mail: kleberrsantos2004@hotmail.com.

Este trabalho faz parte do Projeto “História regional para as séries iniciais da escolarização básica brasileira: o texto didático em questão”,
desenvolvido pelo Grupo de Pesquisas em Ensino de História, sob a orientação do Prof. Dr. Itamar Freitas, do Departamento de Educação da UFS.

2
Introdução

Há três anos, depois da sanção da Lei 10.639/032, estabeleceu-se um quadro
composto por várias dúvidas a respeito de como seriam abordadas, no livro didático de
História do Brasil e de Sergipe, a cultura afro-brasileira e africana.
Diante de tantas inquietações geradas, questionou-se nos meios escolares,
acadêmicos e editoriais sobre a possibilidade de se realizar a transposição didática dessa temática. De 2003 (ano da aprovação da lei supracitada) até hoje, a sociedade sergipana ainda se pergunta a propósito da estratégia a ser utilizada para didatizar a cultura afrobrasileira e africana, utilizando elementos da experiência local.

Em Sergipe, os conteúdos sobre África e sobre a história e a cultura dos afrobrasileiros são ensinados até agora de forma muito tímida. Mesmo com as modificações na legislação, precisa-se de uma ação pedagógica que insista numa educação de qualidade, e atue de forma pungente na manutenção da diversidade étnico-cultural e no desmantelamento das ações discriminatórias:

É preciso a compreensão de que todo o processo de transformação do currículo a
partir da Lei 10.639/03 não é apenas uma tentativa de incluir a cultura e a
história afro-brasileira numa sociedade que há muito tempo as exclui, mas sim
estabelecer no processo educativo as heranças culturais e a diversidade étnica da
cultura brasileira, possibilitando o diálogo e a participação de todos que a
compõem, sem distinções, promovendo os princípios da dignidade, do respeito
mútuo e da justiça social (SILVA, 2007:71).

Assim como em outras partes do Brasil, a população negra sergipana também sofre
com a discriminação invisível corroborada pelo mito da democracia racial, que nega
aspectos essenciais à vida dos afro-descendentes, como o direito a conhecer em
profundidade e ter valorizado a sua participação na história do país. A chamada
democracia racial “traz em seu cerne a negação do preconceito e da discriminação, a
isenção do branco e a culpabilização dos negros”HASENBALG, 1979 apud BENTO, 200-
:1)

A cultura negra, introduzida através da escravidão, imprimiu “marcas profundas em
toda extensão da alma sergipana” (D’ACELINO, 1998). Infelizmente, em nosso Estado, a
desqualificação da identidade cultural do negro, a desvalorização de sua herança africana, atrelada ao preconceito racial construído ao longo de vários séculos, tem gerado constrangimentos e baixa auto-estima.

Não se pode mais esperar para que a riqueza e a fecundidade da cultura negra passe
a ser vista nos conteúdos escolares e integrada à formação cultural dos estudantes.
Estudiosos como Nilma Lima Gomes têm uma opinião definida sobre esse assunto:
Na minha opinião, trabalhar com a cultura negra, na educação de um modo
geral e na escola em específico, é considerar a consciência cultural do povo negro,
ou seja, é atentar para o uso auto-reflexivo dessa cultura pelos sujeitos. Significa
compreender como as crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhos negros e
negras constroem, vivem e reinventam suas tradições culturais de matriz
africana na vida cotidiana (GOMES, 2003:79).

É necessário reconhecer a relevância de incluir a cultura negra nos manuais
didáticos e realizar pesquisas e ensino de conteúdos sobre a África e os africanos,
dedicando um espaço efetivo para essa temática em nossos programas ou projetos. Neste
sentido, o livro didático pode contribuir para a formação de crianças e jovens de estrato sociais mais pobres – constituídos em sua grande maioria de negros –, ajudar na

2 Altera a Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no
currículo oficial a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências.

3recuperação das identidades negras/mestiças e promover o fim de uma visão monocultural e eurocêntrica.
A transposição didática3 da cultura afro-brasileira e africana tem uma grande
importância social num país como o Brasil, marcado pela diversidade étnica e cultural.
Pode ter um valor muito maior em Sergipe, estado que é carente em iniciativas em torno do livro didático (FREITAS, 2001), e que não conta, no ensino, com uma bibliografia especializada para tratar da cultura negra (SOUSA, 2006)

4.Também se faz necessária a revisão pedagógica dos manuais didáticos de Sergipe
que trazem como proposta a inclusão de conteúdos sobre cultura afro-brasileira e africana.
É preciso verificar como eles lidam com as teorias de ensino-aprendizagem. Além disso, torna-se indispensável avaliá-los no sentido de atender as necessidades de professores e alunos, possibilitando-lhes trabalhar conteúdos com propriedade, evitando assim as simplificações explicativas que banalizam o conhecimento.
Atendendo aos aspectos dispostos acima, este artigo se propõe a analisar
pedagogicamente o segundo volume5 da série Cadernos pedagógicos intitulado A presença
do negro na formação étnica sergipana. Essa proposta de didatização6 da cultura negra
em Sergipe é de autoria da Casa de Cultura Afro Sergipana, fundada pelo militante, ativista dos direitos humanos, ator e pai-de-santo Severo D’Acelino.

Crítica pedagógica

A presença do negro na formação étnica sergipana é um dos diversos trabalhos
ligados à educação que a Casa de Cultura Afro Sergipana vem realizando desde a sua
fundação, em 1968. A partir do ano de 1986, mais precisamente, a entidade passou a
elaborar propostas para a inclusão da cultura negra sergipana nos currículos escolares e também foram publicados alguns livros com o objetivo de levar, a alunos e professores do estado, um conhecimento sobre a cultura afro-brasileira e africana.

O livro tem como contribuição fundamental, a compreensão da organização social e
cultural de Sergipe, favorecendo um estudo sobre a cultura negra e um resgate sobre a
participação dos afro-descendentes na história sergipana. Busca, na difusão do patrimônio histórico-cultural do negro, uma ação reparadora relativa à exclusão e negação da identidade dessa parcela expressiva da população.

A obra possui trinta e sete páginas e está estruturada em: seção Objetivos, com as
metas e pretensões da coleção a qual o livro faz parte; Introdução, com uma apresentação do material, expondo, por exemplo, as fontes históricas e a proposta pedagógica; uma área reservada à exposição de leis federais, como a Lei 10.639/03, estaduais, como a Lei 4.192/997 e históricas, como a Lei Áurea; texto didático da historiadora sergipana Maria Thetis Nunes

3 Conceito i nt r oduzido, em 1975, pelo sociólogo Michel Verre t e r e d i s c u t i do por Yves Chevallard, relacionado à passagem de um conteúdo de saber cientifico a uma versão didática deste objeto de saber. A transposição didática busca combinar o
conhecimento do conteúdo formal com o do tratamento didático que deve receber tal conteúdo, para torná-lo de fácil compreensão para o aluno.

4 O professor Antonio Lindvaldo Sousa, da Universidade Federal de Sergipe, evidencia que a historiografia sergipana ainda se pauta em trabalhos sobre política institucional e economia. Ele sugere como forma para enfocar a cultura negra em sala de aula, o uso de cópias de documentos oficiais, como cartas e notas de jornais, complementando com a releitura de alguns textos impressos da historiografia sergipana tradicional que podem trazer muitas informações sobre a vida dos negros em Sergipe, mesmo tão influenciados pelo jargão explicativo que trazia a contribuição dos afro-descentes num quadro esquemático da formação social brasileira.

5 O primeiro volume da série chama-se O índio na formação sergipana.

6 Foram procuradas outras entidades, movimentos e organizações negras, no sentido de encontrar outras propostas de didatização da cultura negra em Sergipe, obtendo como resultado a informação de que, na capital do Estado, não existem entidades interessadas na elaboração de livros didáticos que incluam a história e cultura afro em seus conteúdos. Entre as entidades contatadas estão:

Promotoria de Educação do Ministério Público de Sergipe, Centro Sergipano de Educação Popular, Organização de Mulheres Negras Maria do Egito, Organização Careca e Camaradas, Secretaria Municipal de Educação de Aracaju.

7 Recomenda a inclusão de conteúdos da cultura negra em concurso público, curso de formação e aperfeiçoamento do servidor público civil e militar, institui o dia 19 de janeiro como Dia Estadual de Luta da Consciência Negra, e dá outras providências.
4
Thetis Nunes com o mesmo título do livro; a seção Questionário, com 272 exercícios;
Sugestão para atividades e Referência Bibliográfica.
Na terceira página, na qual se encontra a introdução do livro, a proposta pedagógica
está superficialmente explicitada. O texto informa que a obra está baseada na educação inclusiva, não definida com clareza, e nem tem seus fundamentos teóricos apresentados.
Vê-se que o processo de ensino-aprendizagem é pensado na intenção de promover
através do conhecimento, reverter estereótipos e resgatar a excluída ancestralidade
africana para a memória coletiva:
(...) buscando a possibilidade de uma incursão revisitadora, a nossa
ancestralidade através de fios deste tecido multiforme que nossos pesquisadores
nos apresenta como instrumentos de construção da tapeçaria, assinalando um
episódio de nossa história para que possamos no futuro, conhecer ou construir e
entender o nosso passado (CASA DE CULTURA AFRO SERGIPANA, 2004:3-4).
Apresentar a educação inclusiva como concepção teórico-metodológica pode ser
considerada uma inovação na área pedagógica. Os Parâmetros Curriculares Nacionais
indicam que é preciso:
(...) investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza
representada pela diversidade etnocultural que compõe o patrimônio
sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que
compõem a sociedade. Nesse sentido, a escola deve ser local de dialogo, de
aprender a conviver, vivenciando a própria cultura e respeitando as diferentes
formas de expressão cultural. (BRASIL, 1997:32).
Questionando a segmentação entre os diferentes campos do conhecimento, o livro
também pretende uma ação interdisciplinar, contando, inclusive, com a participação de
disciplinas das Ciências Exatas, como a Matemática e a Física.

De acordo com o escritor Luiz Antonio Barreto, a obra também segue o “método de
testes”, utilizado desde o século XVIII para avaliar aptidões e que foi sendo desenvolvido como instrumento de avaliação pela Pedagogia. Os testes foram usados pela primeira vez pelo psicólogo J. Mackeen Cattell, mas, os primeiros a relacioná-los com as práticas educativas foram E. Meumann e J. Winteler (BARRETO, 2004).
A partir da década de 1930, os testes passaram a compor livros didáticos e os
manuais dos professores. Já na década de 1970, esse método alcançou seu auge ao
instrumentalizar a pedagogia tecnicista, sendo combatido com rigor, posteriormente, como uma prática tradicional, uma avaliação por excelência (FREITAS, 2006).

Provavelmente, por adotar a tradicional pedagogia dos testes, o livro aqui analisado
acaba por exibir raras situações em que o aluno é realmente estimulado a adotar uma
postura ativa, autônoma e reflexiva em relação aos conteúdos que lhe são apresentados.

Em relação ao texto didático da obra, é possível caracterizá-lo como fluente. Ele
apresenta unidade, coerência e coesão. Num panorama geral, a linguagem adotada e seus
conceitos e informações são adequadas ao aluno do Ensino Médio e das séries finais do
Ensino Fundamental, pois respeitam a capacidade cognitiva própria dos docentes desses
níveis de ensino.

Porém, pode-se afirmar que esse texto, de autoria da historiadora Maria Thetis
Nunes, não é o mais adequado aos objetivos do manual referentes à reversão de
estereótipos e resgate da ancestralidade africana.
O texto de Thetis Nunes se baseia numa perspectiva tradicional da História, que se
fundamenta em fatos políticos e econômicos, não se enquadrando num perfil cultural de
valorização de identidades e etnias. Dessa forma, observa-se que não há coerência entre o texto didático e a proposta de ensino-aprendizagem adotada pela obra.
O livro A presença do negro na formação étnica sergipana não conta com um manual do professor. Essa é uma falha grave.

O manual do professor é de suma importância, pois descreve a estrutura geral da obra, expressando a articulação das propostas teórico-metodológicas com as estratégias utilizadas na elaboração do livro BRASIL, 2007:17). O manual do professor também orienta a forma de trabalhar com os materiais didáticos em sala de aula, sugere atividades complementares, subsidia a correção de atividades e exercícios destinados para os alunos, indica recursos e fontes que podem ser utilizados pelo professor, além de apontar textos auxiliares, sugestões de filmes e
respostas aos exercícios propostos para os alunos (BRASIL, 2007:17). A ausência desse
manual diminui as possibilidades de reflexão no trabalho docente, principalmente no que se refere à utilização do livro didático pelo aluno, aos preceitos teóricos e aos
procedimentos metodológicos.

A proposta de didatização promovida pela Casa de Cultura Afro Sergipana também
não possui ilustrações. Essas imagens ou ilustrações devem ser de fácil compreensão e
precisam se adequar às finalidades pedagógicas para as quais foram elaboradas. Elas
propiciam novas formas de conhecimento auxiliar na leitura e na compreensão dos textos e levam o aluno a problematizar os conceitos históricos (BRASIL, 2006:28).
No livro didático de história, a principal contribuição da ilustração é a sua capacidade de desencadear um processo discursivo através do estímulo visual. Uma vez que seja acompanhada de legenda ou guarde relação com algum texto próximo a ela, contribui para o entendimento do texto e para a construção de conceitos.

Segundo Miguel Angel Santos Guerra, a imagem visual tem as funções de cortar a
monotonia de um texto escrito, despertar interesse no aluno, transcodificar a mensagem icônica e provocar uma experiência didática, dado o seu poder de reorganização do real.

Para o autor, a ilustração explica graficamente mediante a manipulação de diversos
códigos sobrepostos numa mesma imagem, verifica uma determinada idéia, processo ou
operação apresentada e ilustra o conteúdo manifestado no texto, conferindo-lhe equilíbrio(GUERRA, 1998:122-123).

No que se refere às atividades e exercícios, o PNLD informa que
os textos, as ilustrações, os exercícios e as atividades propostas precisam
favorecer o desenvolvimento do pensamento autônomo e crítico e de diferentes
tipos de capacidades e habilidades, tais como: a memorização, observação,
investigação, compreensão, interpretação, argumentação, análise, síntese,
comparação, formulação de hipóteses, planejamento, criatividade e avaliação
(BRASIL, 2007ª:15).

As sugestões para atividades, que são encontradas na parte final do livro analisado,
estão de acordo com o que o texto supracitado recomenda. Elas apresentam um estímulo
para a realização de trabalhos de pesquisa que desenvolvem a investigação (como o
levantamento do número de afro-descendentes na escola), de produção textual, seminários sobre questões relativas à situação do negro no país, a leitura de leis e outros documentos oficiais. No entanto, a obra não fornece maiores orientações sobre os usos dos seus 272 exercícios. Percebe-se imediatamente que eles não desenvolvem a produção de textos. O que prevalece são as perguntas de “marcar x”, que visam a memorização e a fixação de conteudos, não conseguindo provocar no aluno a construção de hipóteses e argumentação.

O livro é dedicado a um público abrangente: professores e alunos dos níveis
Fundamental, Médio e Superior. Essa característica acarreta alguns problemas. Observa-se nas perguntas, muitas vezes, a presença de vocábulos e conceitos que podem até ser comuns para professores e alunos das séries finais do Ensino Fundamental, do Ensino Medio e Superior, mas que são avançados para aqueles das séries iniciais.

Estes alunos têm, em média, entre 6 e 11 anos, não possuindo ainda um vocabulário
extenso e a compreensão de muitos conceitos. Segundo Piaget, nessa faixa etária, as
crianças passam por períodos de desenvolvimento, conhecidos como estágio da
inteligência intuitiva e estágio das operações intelectuais concretas. Dessa forma, no decorrer de todo esse período, a criança passa de uma fase marcada pelo início do
pensamento com linguagem, da interiorização das ações para um nível mais elevado, em
que as estruturas operatórias começam a repousar sobre proposições de enunciados
verbais e o raciocínio hipotético-dedutivo é mais consistente (PIAGET, 1967:112-114).
Seguindo também os princípios da teoria verbal significativa de David Ausubel,
observa-se que o seqüenciamento dos conteúdos de ensino deve ser orientado por uma
hierarquia conceitual em ordem descendente, começando pelos conceitos mais gerais até a apresentação dos mais detalhados (MARTÍN; SOLÉ, 2004:67).

À guisa de conclusão: por um livro de História de Sergipe com mais qualidade
O que se pode concluir a partir da avaliação pedagógica realizada neste artigo é que
A presença do negro na formação étnica sergipana possui vários erros em sua elaboração.

As falhas apresentadas vão desde a falta de manual do professor, passando pela falta de ilustrações, até, por exemplo, por um texto didático não adequado. Em relação à concepção teórico-metodológica, verifica-se que se encontra má explicitada; a proposta pedagógica oscila entre a inovação e o tradicionalismo.

O livro analisado pode assumir um papel relevante em Sergipe, posto que ele se
destina à didatização do conhecimento sobre a cultura negra. Mas, mesmo num Estado
com tão poucas propostas de livros didáticos, e com um número de produções sobre
história e cultura afro tão reduzido, é necessário prezar pela confecção de novos manuais com mais qualidade e quantidade.

É imprescindível que além da Casa de Cultura Afro Sergipana, outros grupos
culturais, entidades do movimento negro, organizações não-governamentais e centros de
pesquisa de Sergipe passem a dar mais atenção à implementação de práticas pedagógicas e à edição de livros escolares voltados para a diversidade étnico-racial.
Espera-se que o presente trabalho venha contribuir na melhoria das iniciativas de
transposição de conhecimentos históricos e pedagógicos para o livro didático, sempre
objetivando o reconhecimento da identidade negra, o respeito pela cultura afro-brasileira e africana e o reconhecimento dos afro-descendentes na sociedade sergipana.

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terça-feira, 12 de agosto de 2008

RACISMO INSTITUCIONAL - MODELO SERGIPANO


RACISMO OFICIAL
O MODELO SERGIPANO

O Estado democrático não pode patrocinar a Intolerância. Não pode discriminar. Não pode se ausentar ou terceirizar suas funções.
Severo D’Acelino.

Senhor Governador.
Senhor Prefeito.

É visível a atitude racista chapa branca em Sergipe, principalmente na administração petista, o que causa indignação tendo visto que fora do poder sempre propugnou por uma gestão democrática, onde todos fossem contemplados com os signos constitucionais, mas na prática a conversa é outra.

A gestão do governador Marcelo Deda e do Prefeito Edvaldo Nogueira, não oferece nenhuma oportunidade de expressão ao coletivo negro. Nenhuma ação se volta em beneficio deste segmento e por isso, seu maior instrumento é a exclusão de indivíduos e grupos negros, do espaço da mídia.

É o AI-5 Petista, a imprensa que já desde a administração do Usineiro já mostrava sinais reducionistas em função de divulgação das Questões e Condições do Negro, recrudesceu na administração dos Alves, e cristalizou na administração de Deda, que transformou a Prefeitura numa secretaria do Estado, monopolizou e sacramentou o corporativismo na mídia contra as questões negras.

Tanto a Secretaria de Estado da Comunicação, quanto a Secretaria Municipal de Comunicações, detem um dos maiores orçamentos das administração do Estado e da Capital, de fazer inveja a Saúde, Educação e Segurança.

Qualquer um que levantar as questões do negro nestes últimos anos na mídia sergipana, levará um susto e certamente dirá que Sergipe é o Estado da Federação onde as questões raciais não são conflituosas, visto a inexistências de registro na mídia, a não ser as pontuações eventuais, nas efemérides do mês de novembro.

A estratégia do isolamento, por certo conta com a parceria dos usineiros, pastores e coronéis, os donos da mídia sergipana, a quem o erário público engorda com pagamentos vultosos, para divulgar os feitos das administrações, calar vozes e impedir a Liberdade de Expressão aos negros, que lutam por tratamento igual, sem preconceitos, discriminações.

Os governos têm medo da Liberdade de Expressão, porque não querem defrontar com a Expressão da Liberdade Crítica dos Negros Conscientes que lutam por melhorias setoriais, como dizem os petistas e os comunistas, como a Saúde da População Negra, melhoria na Segurança Pública, a baixa qualidade e etnocentrismo do Ensino e Educação, o Desemprego, a Moradia, contra a Intolerância Religiosa , por um Imprensa Democrática e melhoria das condições de vidas, na luta contra o Racismo e Apartheid nesta sociedade excludente, racista. Luta pelos cumprimentos das Leis do Direito e da Justiça.

A Mídia sergipana presta um desserviço a democracia. Está atrelada a grupos de interesses enganosos, que querem controlar, amordaçar, engessar a maior população do Estado: A Negra, para se manter no poder, cristalizando os favores e patenteando o paternalismo, tirando a dignidade do negro e remetendo ao anonimato, com regulação de incapaz.

Os governos são os maiores clientes da mídia, impressa, falada e televisada, só falta se apropriar da internete, como o Governo da China.

Quando e quais os Jornais, Rádios ou Tvs, abriram espaços a negros para discutirem, denunciares ou formar opinião sobre as questões do coletivo?
Com a palavra O Governador do Estado e o Prefeito da Capital. Para a Policia Federal é muito fácil, verificar as pautas destes órgãos, nos últimos três ou 15 anos, para verificar a Liberdade de Expressão ou a Expressão da Liberdade do povo negro na mídia sergipana, braço de defesa do governador.

E se professores solicitarem aos seus alunos um trabalho sobre o negro na imprensa sergipana. O que eles vão encontrar? Como pode promover educação sem instrumentos pedagógicos. Como pode educar uma comunidade plural através do sistema etnocêntrico do Estado e do Governador e Prefeitos. Será que através de cestas de alimentos?

E a cesta de educação, de segurança, de cultura, de direitos, de leis, de justiça, de igualdade, de democracia, de saúde, de emprego, de qualificação, de moradia, de cidadania?

Quantas Entidades da Organização Negra de Sergipe foram ou são contempladas com os projetos do Estado, Governador ou Prefeitos?

Se o Estado sendo o maior cliente da mídia, poderia questionar e promover mudanças de atitudes e comportamentos, promover sanções e vetar as publicações publicas nestes veículos, até que regularizasse a questão do direito do negro se expressar livremente, sem a produção efemérica de “pautas”. Gobineau fez, Getulio fez e tantos fazem da mídia uma trincheira, um instrumento de repressão. Para seu gáudio e expressar seu poder no mandarinato porque tem mídia que seus mais variados veículos, não tem fôrça critica e está a serviço de quem paga mais e ou do poder, pautando as ações de diversos grupos.

Por Direitos Iguais. Para Todos!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

QUESTÃO DE PRINCIPIOS




Severo D’Acelino



Independente de minha idade (já passei dos 60). Antiguidade para mim é posto, autoridade e símbolo de respeito. Assim fui criado e treinado para respeitar as pessoas, hierarquias, funções e títulos com disciplina, mas, sem submissão.

O nosso respeito vai além da idade, ele se afigura também, no saber, na titulação hierárquica. Pois independente da idade, há os aspectos funcionais, as representações e todo um processo que nos ensina as relações e comportamentos.
É importante que um adolescente com cargo, titulo ou função, seja respeitado e tratado com os devidos cumprimentos que a sua posição requer. Trato assim, independente de ter sido, meu subalterno, tenha idade dos meus filhos.

Esse nosso jeito de ser, muita das vezes é confundido com subalternidade submissa, ledo engano. Diante de insultos a autoridade comigo dança, e dança direitinho, na forma da Lei, com todos os respeitos devido ao cargo, posição etc. Gosto muito da expressão de Antonio Rebouças “... Para que ninguém tenha seus Direitos Violados. É necessário que o Poder detenha o próprio Poder”

Um lugar para cada coisa. Cada coisa em seu lugar – é o dito popular e o certo. A Cezar o que é de Cezar, e nisso resume a nossa ação e determina meu comportamento, minha atitude antes os acontecimentos e os enfrentamentos do dia-a-dia.
Gosto do respeito e para tal, respeito e nisso a disciplina não pode ser simplesmente atribuída a militarismo.

A organização mais severa que conheço é a Igreja, no entanto a visibilidade se faz antes os militares, mais é na sociedade civil, que o servilismo é mais perverso na medida em que não nos dar oportunidade exercer a nossa cidadania no exercício do contraditório, pois os estereótipos são instrumentos que nos engessam e cristaliza os estigmas do preconceito, onde a nossa verdade está condicionada a nossa apresentação, a cor da nossa pele e a tantas outras tipificações.

Se na caserna, podemos representar contra o General, o Almirante e, porque não podemos representar contra o Delegado, o Juiz, o Governador. Não podemos e nem devemos ter medo de nossas Autoridades, nossos Gestores, nossos Comandantes. Neste sentido é também importante que nossas autoridades, não se utilizem do Medo, para nos controlar, destruir e violar os nossos direitos.

Triste daqueles que se utilizam do poder, dos que usam o poder como muleta, como ponte, como instrumento de suas autoridades autoritárias com os Abusos sistemáticos de Poder e Autoridade. São simplesmente covardes, inseguros e ídolos de bronzes com pés de barro bastam um temporal para desabar. Nesta minha trajetória já vi diversos e inúmeros desabamentos. Eles eram pequenos e insignificantes, não sabiam disso, suas forças eram emanadas do poder e eles não souberam interpretar que: A importância de Ser, não é Ter, mas saber que È. E eles não eram, só tinham e ficaram sem ter.

Kô Si Obá. Kô Si Olorum

O desenvolvimento e prática dos tipos de discriminações se apóiam no âmbito da suposta ‘autoridade’, na falsa superioridade de uma mente doentia e vazia. Dizem que Freud explica. Mas explicar o que? A insegurança é mãe do autoritarismo, da burrice e consola os despreparados psicologicamente com uma suposta aquisição de poder, baseado no dinheiro, na suposta intelectualidade gerada pelo exercício de poder, onde os méritos estão nos privilégios dos cargos públicos, usurpados dos qualificados, que lhes dão um falso status, uma notoriedade que se dilui quando perde o espaço no poder.

Uma notoriedade que não se sustenta sozinha, precisa de uma base sólida, representada pelos que se deixam violar, para estar respirando o poder e ou poder manipular os cordéis, pois sacralizar o diabo é tarefa difícil e impossível. Uma hora ele se empolga e começa a dar seus vôos rasantes e aí se desmonta.

As relações baseadas no poder, na autoridade, não se sustentam, são relações brindadas no medo, na repressão, no autoritarismo, assim que o grupo fica livre, do algoz, não há lembranças, só ressentimentos e alívios.

VENDA DO TERRENO DE ITAPORANGA


RECIBO

Depois de tanto tempo,o Terreno foi vendido. Agora o livro vai sair e posso colocar piso nas três salas de aulas da frente. Depois que meu compadre faleceu, não tinha mais como continuar com o terreno e ou fazer qualquer ação ali. A vizinha é uma pessoa do mal e fez muita safadeza contra meu compadre,, roubou todo material de construçãO que ele colocou no terreno. Tem uma quadrilha a serviço dela. Arromba a cerca para os carros dos seus clientes passem. Se utiliza das fruteiras e colocou um pescador para morar lá, fez uma barraca. Este pescador é empregado dela, é ele que pesca os peixes que ela utiliza no bar e sua presença no terreno é simplismente para hostilizar os proprietários. Agora que vendir, ela bateu de frente com o novo proprietário, dizendo que eu, não tenho nada ali, e que o terreno é dela. Pode.
R$15.000,00

Recebi de Wedson Goes Matos, residente e domiciliado em Estância, a Rua Otaviano Siqueira, 342 bairro Alagoas, portador da Identidade 230.696 SSP/Se – CPF 051.774.645-04, a importância supra citada como pagamento do Sitio Bom Pastor, localizado no município de Itaporanga D’Ajuda, de sua propriedade, adquirido de Arivaldo José Reimão.
DECLARO que caberá a Wedson Góes Matos, a quem passo o direito de propriedade, promover a regularização documental para transferência de titularidade no Cartório, para seu nome, que será efetuado com ELZE CARDOSO REIMÃO, residente e domiciliada em Aracaju, a Rua Carlos Gomes, 223, bairro Ignácio Barbosa.
PAGAMENTO- a forma de pagamento foi de R$ 10.000,00 em espécime e R$ 5.000,00 em Cheque pré-datado para o dia 15 de agosto do corrente ano. Cheque n° 047.210 do Banco Estado de Sergipe, Agencia 0008- Estância.
E para quitação vai assinada em duas vias.
Aracaju, 31 de Julho de 2008.

Wedson Góes Matos
RG.-230.696 SSP/Se CPF- 051.774.645-04
Rua Otaviano Siqueira, 342, Bairro Alagoas
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Testemunha:

Everaldo Santos
RG – 662.042 CPF – 265 119 755 68
Povoado Pariporé – caminho do Abais

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quinta-feira, 31 de julho de 2008

O MESTRE

O JOVEM PESQUISADOR - HISTORIADOR DA VILA DE SANTO ANTONIO DAS ALMAS.



Wanderley, o mais jovem Historiador de Itabaiana, pesquisador nato, com uma percepção extraordinária e um faro fantástico. Em qualquer levantamento que faz, surpreende os mais experimentado pesquisadores. Com ela os documentos saltam as vistas. Saem dos tumulos onde foram escondidos e veem a superficie aos encontro dos seus olhos e alcance das suas mãos. Parabens Itabaiana.Qualquer dia desses Wanderley lhe presenteará com a Mina que deixou frustrados muitos que desbravaram suas terras. O Ouro de Itabaiana, a Prata, continua em casa.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

PAIS E MÃES DE SANTOS ABONDONADOS - A FALTA DE SOLIDARIEDADE DOS FILHOS DE SANTOS




Epa Epa Babá...

Feliz do Pai ou Mãe de Santo que são freqüentados, amados, respeitados e reconhecidos pelos seus filhos, estejam onde estiverem. Aqueles que independentes das festas suntuosas, das comidas e bebidas fartas ou das “pegações”, são visitados, revisitados e freqüentados pelos seus filhos. Nos dias de Ósseas, nas obrigações, nas rezas e nos sirês.

Os que fortalecidos pelos Axés do Terreiro e luzes dos Orixás, tenham as presenças marcantes dos seus filhos, na saúde e na doença principalmente, onde os filhos se reversam na solidariedade para nada lhe faltar, seja médicos, remédios, terapias, acompanhamentos não lhes faltam, seja no Terreiro, em Casa, no Hospital, na Cadeia em qualquer lugar.

Os filhos de Axé, os reconhecidos não deixam jamais de prover seus Pais e Mães, principalmente quando ficam vulneráveis, eles estão ali para fortalecer seus Pais e Mães, com a energia e luzes de suas presenças, mimando e acolhendo em respeito e dedicação a espiritualidade litúrgica do seu Orô.

São poucos os que assim procedem, mas ainda existe e felizes são seus Pais.

O que vemos é a desagregação, o desprestigio, as fugas, intolerâncias, o desconhecimento a falta de solidariedade e toda ação negativa, quando os Pais e Mães de Santos, caem na desgraça, seja espiritual ou material e na vulnerabilidade, percebam que estão sozinhos e abandonados e que ninguém lhe visita, chega com alguma resposta as suas perguntas.

Os que tardiamente percebem que as suas necessidades, vulnerabilidades são como a lepra nos tempos idos. Ninguém chega para lhes visitarem, trazer uma palavra amiga, um calor humano, uma energia reparadora, uma ajuda , um acompanhamento, uma companhia nos hospitais, nas cadeias, uma ajuda . O abondono, a solidão, a ingratidão vão aos pouco lhes matando de tristezas, depressões, angustias e morrem.

Nos seus enterros, muita gente, muito ‘’choros”, todos querem pegar no caixão, mas ninguém esta interessados no cerimonial do axexê, feito os primeiros passos as pressas
E sem nenhum fundamentos, só para constar. Passada a primeira semana na missa de sétimo dia, se tiver, só poucas pessoas aparecem. Se houver patrimônio, a briga se instala para assumirem a herança, poucas são aquelas que se preocupam com o legado espiritual, o Axé que deve ser transplantado, despachado e renovado a Axé do Terreiro. A briga se instala, primeiro com os parentes e depois com os demais e nisso.

Era uma vez um Terreiro, um Pai ou Mãe de Santo.

Muito dos filhos, já mudaram para outros Terreiros, outra Religião ou simplesmente abandonaram o candomblé. E outros, começam a fazer apologia dos Pais, dizendo que eram os melhores e coisa e tal., só que nenhuma solidariedade foi firmada, na hora em que eles mais precisavam. Uma simples presença, um simples abraço já era o presente mais representativo para atenuar a solidão, a angustia, a vergonha de terem sidos abandonados e rejeitados, por quem dedicou todas suas forças, energias,, preocupações e atenções, na liturgia Orixá.

Epa Epa Babá. Senhor da Paz e da Misericórdia, protegei os Pais e Mães de Santos de um dia ter que passar por isso. Malembe. Mussura

segunda-feira, 28 de julho de 2008

BELEZAFRONEGRITUDE.COM.BR/SE



PARABENS PARA VOCÊ



ANIVERSARIANTES


FELIZ ANIVERSÁRIO. QUE OS SONS DE TODAS AS CANÇÕES SEJAM A POLIFONIA DO SEU RISO. FELIZ ANO NOVO. BÔAS FESTAS COM PAZ...SAÚDE e PROSPERIDADES.
FELIZ ANIVERSÁRIO, Daisyvani.

domingo, 27 de julho de 2008

PROFILAXIA DO AXÉ - UM REPÚDIO AS NOVAS PRÁTICAS






Profilaxia do Axé.

Os’ responsáveis”dos axés, cada vez mais atentam contra a sua continuidade, preservação e segurança, na medida em que transforma em um carnaval e o centro em um ponto de ônibus ou num balcão de supermercado onde o pagou passou se festeja como garantia de posse e titularidade. Onde fazer uma macumbinha é o principal indicador de sabedoria, iniciática dos pretensos entendidos no santo e nas múltiplas liturgias. Evidencia uma característica reducionista onde os chamados pais e mães de santos, são os refém dos chamados filhos de santos.
Esses só aceitam aqueles , só os consideram enquanto lhes servem e obedecem.

Os tais filhos de santos, começam a testar seus pretensos conhecimentos, os aprendidos no terreiros, com seus amigos e nas estradas, batendo cancelas. E suas vítimas são os próprios pais e mães de santos, irmãos, amigos e pretensos inimigos.
Qualquer indisposição com alguém do santo, vai logo fazendo sua macumbinha e ainda diz que com ele/ela agora é na macumba.

São inúmeros os casos em que esta nova expressão se estende e usam a nova mania. Fazer macumba. Nunca contra o Prefeito, o Juiz, o Governador, o Delegado, o Secretário, enfim, suas macumbas não alcançam as elites do poder, só a periferia. Se especializam em rogar pregas, queimar as casas e terreiros dos outros, amarram os serviços e manifestos dos outros, fazem e acontecem.

Só não sabem é melhorar suas vidas, desmanchar e desamarrar as chamadas macumbinhas, aprendidas as pressas nos livros equivocados, fácil de interpretar, mas de difícil compreensão, pelo vasto conteúdo e nenhuma idoneidade e se multiplicam as “leituras” pelos novos alfabetizados das macumbarias, que com fiados e nunca tem dinheiro ou disposição para pagar, estão gordos (as), mesmo sem o que comer em casa. Pois os que ganham em suas macumbas não se multiplicam, daí a marginalidade, onde os terreiros são submetidos a agregarem uma corja de ladrões, viciados, pederastas, prostitutas e garotos de alugueis que para manter seus pequenos vícios, se prostituem ou simplesmente usam seu corpo para roubar, através da passividade ou atividade sexual,
conforme o freguês ou a vítima.

Os terreiros estão sendo utilizados para encontros, agendamentos e pegações, onde o sexo é o artigo de maior procura e oferta.
Em tempos idos na história mais recente do candomblé, o comportamento era diferente, o matriarcalismo era rígido e respeitado, os efeminados e gays não tinham grandes espaços e quando conseguiam, se tornavam mais rígidos, não permitindo que seus terreiros se transformasse em parada de malfeitores e palco de putaria e desrespeito.

Hoje quem manda no candomblé, são os gays e efeminados, mar4cando cancelas e chancelas, fragilizando os terreiros e sendo fragilizados pelos seus compassas que fazem e determinam suas ações e tarefas, transformando os terreiros num centro de marginalidade, comprometendo toda comunidade e enfraquecendo os Axés que a cada dia se transforma em evocações de ritus evangélicos contra os próprios omorixás que se utilizam da religiosidade para proclamar suas vaidades e parcos poderes sobre cada vez mais, reduzidos filhos de santos e carnavalizar o patrimônio ancestral que é ofertado aos partidos e aos serviços da marginalidade subalterna contra seus próprios irmãos.

Não há solidariedade alguma, os próprios pais e mães de santos se submetem expontaneamente para fazer macumba para os seus iguais, sem nenhuma preocupação se estão certos ou errados. O que pesa é a vaidade de dizer que acabou com fulano ou sicrano e ou que queimou a casa de beltrano. Isso é a carga de herança que seus supostos filhos de santos, começam a praticar, reproduzindo ação negativas para afagar seus egos. Uma macumbinha para amarrar o serviço de fulano, uma macumbinha para se vingar de sicrano, uma macumbinha para conseguir o amor de beltrano. E segue as transgressões, pensando que Exu protege ladrões, assassinos, vigaristas.

A Lei do Santê, tarda mais não falha, é a chamada Lei do Retorno, a Lei de Talião a lei da Compensação a Lei da Sanção, da Justiça, de Ogum, de Xangô, de Oxalá, que tudo vê e tudo sabe. Exu está e estará sempre na alinha da intermediação e exerce seu livre arbítrio. Quantas vezes ele deixa de atender um pedido, quantas vezes ele deixa de entregar uma oferenda por achar que não foi bem servido. Quantas vezes os Orixás rejeitam as tais oferendas por perceber transgressões.

Quantas vezes o feitiço cai sobre o feiticeiro. É a resposta do Tempo, é o castigo do transgressor, nada acontece por nada. Uma pedra no sapato de um filho, pode ser o chute que foi dado pelo pai, pela mãe, por alguém da família que se exibe contra um fragilizado. Tem que se insurgir contra o forte, o opressor e não contra o fraco oprimido. Macumba não dar inteligência e nem mantem ninguém nos cargos ou submisso sexualmente, apaixonadamente, subalternamente a outra pessoal.

O Axé se fortalece nas mãos do omorixá ou sacerdotes, tementes aos Orixás e comunidades que servem, observando os preceitos, sem vaidades ou cometimento de transgressões. Fortalece na medida em que se faz o bem, presta solidariedade e promove a unidade e fortalecimento dos que lhes procuram, atenuando conflitos e invocando os Orixás para as proteções e fortalecimentos dos fracos, oprimidos, doentes e necessitados. Os fundamentos do Candomblé é semelhante aos fundamentos de todas as religiões, pois todas são ancestrais e divinas, a sacralização depende do conjunto de ações que se pratica e em nome de quem.
Olorum mudupé.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

MEMORIAL DA vIOLÊNCIA




Desde que fundei a Entidade em 1968, venho impondo a realização do meu sonho em torno da questão física para compartimentar as ações e dar funcionalidade as operações administrativas com o conforto necessário ao exercício funcional.
Já investimos em diversos municípios: Em Laranjeiras nos anos 70, compramos um antigo Sobrado, ali funcionava a Galeria Castro Alves e o Posto de Pesquisas. Infelizmente após o desabamento, tivemos de nos desfazer por conta de não poder recuperar.

Em Salgado alugamos um pequena Casa para funcionar como Espaço Social e de Lazer, mas não levamos adiante, tendo em vista ter sido invadida e relocada pelo proprietário a nossa revelia.
Buscamos localização em Riachuelo, Japaratuba e Thomaz de Geru, mas não tivemos o sucesso programado.

Em Nossa Senhora do Socorro, implementamos na Piabeta a Escola Comunitária em uma Casa aluugada e iniciamos a construção da sede, mas a diretoria local não funcionou devidamente e tivemos que nos retirar, trocando o terreno e as benfeitorias por uma Casa no Santos Dumont, onde promovemos a construção da sede e ali erguemos um prédio de dois andares, para dar funcionalidade as demais áreas construídas em frente, constando de salas de aulas e auditório.

Compramos uma Casa na esquina e a transformamos na sede do Memorial João Mulungu e Escola. Este imóvel foi vitima de invasão e depredações, liderada pelos vizinhos, que mais tarde provocaram o desabamento do auditório com o objetivo de invadir o terreno, e invadiu e só depois de mais de cinco anos, reavemos através de decisão judicial e logo o vendemos para dar sustentação as obras da Sede do Centro de Pedagogia Afro Sergipana.

Há oito anos o Centro de Pedagogia Afro Sergipana passa por problemas de continuidade, baseada em falta de recursos, perseguições dos vizinhos, falta de apoio das autoridades, vítima de pedreiros e ajudantes ladrões, vigaristas, trambiqueiros, que, além de roubarem equipamentos, praticam as extorções das mais diversas, com o objetivo de arrancar dinheiro, supondo sermos milionários, e nestes 8 anos , mais de 70 pedreiros e 200 ajudantes, passaram pela obra, muitos dos quais não passava nem um dia, era pago e dispensados por incompetência, embriagues e outros vícios.

Recentemente o pior grupo que já esteve aqui na obra, trabalhando com os recursos da venda da nesga do Santos Dumont, provocaram diversos desvios, amarravam o serviço, impunha a cada vez que retornava, um preço a mais, começou com 30 reais a diária e acabou em 50 e um dos vigarista, sabendo as minhas dificuldades e problemas com as perseguições dos vizinhos e que os recursos já não davam para continuar os serviços, e com raiva por não ceder as suas insistências para retorno de dois ajudantes vigaristas que quiseram mim dar um golpe, abandonou o serviço e dois dias depois veio buscar o pagamento e após receber, disse que queria que eu lhe desse mais um dinheiro pelo tempo que trabalhou.

Como neguei dizendo que não tinha nem para completar a semana do outro, disse que se eu não desse ele iria a justiça, a que lhe respondi que ele fosse fazer o que quizesse. Depois fiquei sabendo que ele antes de deixar o serviço, chamou os outros para fazer o mesmo e ir a justiça do trabalho, deixar o negrão de tanga, fazer ele vender tudo para pagar a gente, no que foi interrompido pelo outro,perguntando qual direito ele tinha, se não trabalhava nem uma semana e que no mês o serviço não dava nem duas semanas e passava mais de dois meses para recomeçar. O que iria resolver. E também o assédio que fez ao ajudante, para que fosse sua testemunha e que lhe daria 200 reais. O que o ajudante rebateu que ele não tinha o direito de fazer uma coisa dessas com seu Severo e que ele olhasse o que tinha recebido daqui e como era bem tratado.

No dia da audiência ele levou um dos 2dois vigaristas que quiseram mim dar o golpe , o qual afirmou a juíza ter trabalhado um mês e afirmou todas as acusações contidas no processo. O outro foi citado duas vezes mais não compareceu. Na verdade os dois k2vigaristas trabalharam uma semana e ddois dias, de segunda a sexta, pois se recusavam a trabalhar no sábado, mesmo só recebendo os dias trabalhados, e na segunda feira, vieram mim dar o golpe, a mando do pedreiro que já sabia a resposta. Diante disso eles disseram que não tinha jogo e abandonou o serviço e por conta disso os pedreiro foram embora por falta de ajudante. No dia do pagamento foi pago o dia que eles não trabalharam por falta de ajudante, um pedreiro devolveu o dinheiro dizendo que não havia trabalhado, mais ele disse não trabalhou mais veio pro serviço e tinha direito ao dinheiro. Foram por causa desses dois vigaristas que ele tramou o golpe da justiça do trabalho. De forma continua os dias trabalhados por ele não chega a 70 dias e alegou na justiça que trabalhou 6 meses.

Com a saída de Tonho, o tal pedreiro , fiquei refém dos outros, Humberto e seu filho Cezar, comandado pela Solange, mulher de Cezar, motor de discórdia, mulher dominadora e manipulista. O fatos dos dois se propuserem a depor a meu favor, desenvolveu o pior processo de manipulação, logo o Cezar ameaçou deixar o serviço se eu não o aumentasse, como a sua mulher queria. Pediu 30 e eu dei 25, o serviço continuava amarrado e liderado pela Solange que estava todo dia no serviço e mesmo sabendo que eu não gopstava e não aprovava, fazia para mim provocar.

Todos os dias shavia discussão entre o pai e o filho, e, depois vir a confirmar que era provocações a minha pessoa. No dia da audiência eles estavam trabalhando em outros lugares, telefonei e afirmaram que estariam no horário. A Solange exigiu a sua presença e não houve como espera e foi conflitante esse dia. Por motivos técnicos a audiência foi marcada para outro dia e as tensões foram aumentando e, como os acontecimentos foram piorando em torno de mim e as chantagens se pronunciando por conta da minha indisponibilidade financeira e pela imposição da Solange em não deixar que o marido trabalhasse dia de sábado e domingo, como solicitei, para concluir alguma coisa em finais de semana.

Como ficou evidente o meu receio pelo não comparecimento dos dois na audiência, fui na delegacia e prestei uma queixa sobre a questão, certo de que se eles não comparecesse eu usaria o documento para a juíza deliberar e promover a presença das testemunhas hostis. O fato não ocorreu e no dia aprazado Cezar compareceu e o pai foi direto para o tribunal, houve a audiência e retornamos.

Dias depois quando vieram buscar o dinheiro que mensalmente lhes dava como gratificação pela ocupação do prédio da sede no Santos Dumont, que havia sido objeto de depredação por parte dos vizinhos e dos drogados. Coloquei na rádio o chamado e eles por trabalhando para mim, se interessarão e Solange precionou e eu cedir, dispensando o rapaz que não havia ainda feito a mudança. Nesta ocasião lhes falei que devido a minha falta de dinheiro e que estava esperando já ter vendido o imóvel, não poderia mais contribuir com o dinheiro mensalmente como combinado e que iria colocar uma família na parte de baixo.

Solange argumentou que não podia voltar para casa dela no Marcos Freire porque iria prejudicar a escola dos filhos, e que também não poderia alugar uma casa no bairro que era muito cara. Lhe falei que não precisava sair e que o que não mais seria possível era a contribuição mensal e que no final do ano letivo ela podia ir para casa dela. Quanto a família que falei ela foi ríspida e disse que não queria ninguém no local porque tinha seus filhos e não queria mistura., falei que a situação requeria uma ação cooperativa e que a pessoa era de minha confiança.

O pagamento foi feito em duas vezes e, logo depois recebi um telefonema de Humberto por conta das reclamações da Solange, o Humberto foi trabalhar em Própria e o César acertou de chapiscar o teto da Biblioteca e, além disso já se passava mais de uma semana que minha irmã havia entregue o meu contra-cheque a Solange para mim entregar e sempre que vinha na minha casa saber do dinheiro, dizia que tinha esquercido.

Reclamei a Humberto o caso e disse que havia falado com os dois sobre a questão e não havia gostado dela ter ligado para Própria para reclamar de mim e depois disso, o Cezar não veio dias depois trazer o contra cheque e fazer o serviço. Paguei o restante e peguei documentos de água, luz, telefone e saldo bancário , coloquei numa sacola e mandei ele entregar a Solange. Foi, não fez o serviço e não deram mais nopticias.

O que tinha desconfiado se confirmou. O meu contra cheque foi violado, certamente eles queriam confirmar o quanto eu recebo por mês e fizeram a safadeza, certamente desconfiados por ter recebido os documentos abertos que lhe enviei, deixaram de vir aqui. Procurei o Contrato que a Solange assinou, não encontrei e logo pensei que o Cezar pegou se a mando dela não sei. Só sei que o documento desapareceu e o Cezar sabia onde estava e tinha acesso ao local. Tenho a desconfiança que estão aprontando alguma contra mi e que Humberto está envolvido.

Coloquei minhas dúvidas no Orkut, para ter uma referência. O Contrato está no computador, mas infelizmente a cópia assinada foi roubada e se roubaram é porque tem más intenções.

(DECLARAÇÃO PÚBLICA.)

""DECLARO PARA TODOS OS FINS QUE: eu MARIA SOLANGE SANTOS EVANGELISTA-residente e domiciliada em Nossa Senhora do Socorro a Rua da Alegria,31 Marcos Freire III – Novo Horizonte, onde tenho propriedade, portadora da Carteira de Identidade, RG 1.477.354 SSP/SE CPF 022.814.635-67. Aceitei a morar na Residência de José Severo dos Santos, a Rua Jane Bomfim, 1256 Bairro Santos Dumont, antiga SEDE DA Casa de Cultura Afro Sergipana, tendo em vista a sua postulação NO Rádio Jornal, para encontrar pessoa interessada em ali dormir e trabalhar como serviços gerais na Entidade, tendo em visto as seguidas invasões ao prédio praticado pelo vizinho( segundo ele) causando seguidos prejuízos, por duas vezes registradas nas Delegacias. O Prédio de dois andares, completamente saqueado, as fiações elétricas, os hidráulicos, as grades e portões de ferro,(os alvos favoritos dos invasores), diversos buracos nas paredes, telhados.
O objetivo da comunicação ao rádio, no sentido de selecionar pessoas para o serviço,é a segurança do prédio, principalmente a noite onde o vizinho agia, junto com os demais viciados, tendo em vista ser a casa dos invasores, vizinha de parede da casa de Severo. Para o serviço, recebo mensalmente, livre de qualquer ônus, a importância de R$ 150, 00, tendo em vista, estar só ocupando o espaço, para que ele possa recuperá-lo, aluga-lo e ou vender, sem estar prestando nenhum serviço a Entidade, podendo abandonar o local se verificar algum perigo para mim ou para meus filhos, independente de aviso. O proprietário Senhor José Severo dos Santos e ou seus representantes, na oportunidade de transacionar o prédio, mim, adiantará o transporte e um mês do pró-labore. E por estar de acordo, vai assinada por mim Solange Santos Evangelista e pelo proprietário José Severo dos Santos.

Aracaju, 13 de fevereiro de 2008."

Solange e o companheiro, Aldocezar, nunca cumpriu o contrato, nunca prestou qualquer serviços, a nossa Entidade e ou na casa de minhas irmâs, como o combinado, ao contrário, sempre exighiu privacidade e em vez de ocupar um só pavimento, ocupou os três e não quer que ninguem entre la, hostiliza a todos que vão para alugar, comprar ou morar. Isso sugerte que ela está ocupando o local com atividades ilicitas, estando cumpliciada com os traficantes e fazendo dalí uma boca de fumo, onde o material é vendido e consumido, tendo em vista ser um local estretágicamente importante e seguro para tal atividades. Tenho que pedir uma investigação oficial porque o pessoal da vizinhança que tudo vê e tudo sabe, não fala para a policia, apenas diz para mim, reservadamente o que ocorre alí e que o pessoal que alí frequenta, sai pelos fundos.

O dinheiro para a construção do prédio, tem sua origem diversa, principalmente em empréstimos consignados, prestação de serviços a secretaria de educação através do Projeto Cultura de Educação João Mulungu vai ás Escolas. Venda de Patrimônio.
Em Aracaju, a Entidade funcionou na Rua de Mato Grosso, Goiás, Jane Bomfim e retorna funcionar na Goiás e tem uma área em Itaporanga para o Núcleo Ecológico Ossain que está a venda para conclusão das salas de aula do Centro de Pedagogia Afro Sergipana.

Memorial da Violência.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

VIDA DE QUINTINO DE LACERDA


VIDA DE QUINTINO DE LACERDA


Chefe do Quilombo do Jabaquara e primeiro líder político negro de Santos. Nascido em 08 de junho de 1839, Quintino de Lacerda, foi o mais atuante agitador da abolição no litoral Paulista, garantindo abrigo a escravos fugitivos de toda a região do planalto, que aqui buscavam defesa.

O Quilombo do Jabaquara, na descrição de Silva Jardim, era verdadeiramente inexpugnável, defendido pelas encosta do morro do Jabaquara e com um único caminho de acesso permanentemente guardados pôr sentinelas de Quintino.

Em 1850 haviam 3.189 escravos em Santos, para uma população livre de 3.956 habitantes.

Não deixa de ser surpreendente que quinze anos depois já existia uma forte resistência organizada e que três meses antes da abolição do instituto da escravidão no Brasil, em Santos já não houvesse escravos. Tanto que dia 13 de maio de 1888 seguiram-se oito dias de festa populares, comícios, passeatas músicas e dança nas ruas.

Quintino de Lacerda foi o centro das atenções e chegou a receber, em solenidade pública, um relógio de ouro, como uma homenagem popular a seu mais querido líder abolicionista.

Com a abolição, o irrequieto Quintino lança-se à luta política, incorporando, pela primeira vez, os negros ao processo político na cidade. Organiza e comanda um batalhão na defesa contra uma possível invasão de tropas rebeldes interessadas em depor o Marechal Floriano Peixoto. Recebe, em reconhecimento, o título de Major Honorário da Guarda Nacional, em 1893.

Sua eleição para a Câmara municipal, em 1895, porém, faz eclodir uma grande crise política fomentada pelos setores racista. Ela começa com a negação de sua posse como vereador.

A batalha judicial que se segue, chega aos tribunais paulistanos, e termina com a vitória de Quintino. Prevendo o desfecho em favor do líder negro, o presidente da Câmara, Manoel Maria Tourinho, renunciou ao mandato, seguido pelo vereador Alberto Veiga. O novo presidente José André do Sacramento Macuco, foi obrigado a empossar Quintino, mas renunciou também ao mandato, em seguida, declarando-se "enojado com o que via", segundo Francisco Martins dos Santos("Histórias de Santos").

Registra o mesmo Historiador que apenas um dos inimigos de Quintino permaneceu na Câmara, embora passasse a não mais comparecer às sessões, Olímpio Lima, diretor do jornal "A Tribuna do Povo".

As atividades da Câmara foram suspensas até 1º de junho, quando voltou a funcionar, sob a presidência interina do próprio Quintino.

No dia 9, os cargos vagos são preenchidos e, a 16, com base na Lei Eleitoral e devido às ausências em plenário, Quintino propõe e obtém, pôr unanimidade, a cassação de Olímpio Lima. O Jornalista, inconformado, voltou à Câmara a 12 de julho, tão logo foi empossado o novo presidente Antônio Vieira de Figueiredo, mas foi solicitado a retirar-se, já que seu mandato fora cassado. Lima iniciou uma série violenta de ataques contra Quintino em seu jornal, e à própria Câmara, num processo que culminaria, pôr fim, com a revogação da Constituição Municipal autônoma, que fora em 15 de novembro de 1894 e durou menos de um ano.

Quintino de Lacerda morreu em 10 de agosto de 1898, deixando três filhos menores. Seu enterro foi acompanhado pôr um grande número de pessoas, um testemunho do reconhecimento de sua importância histórica.



FONTE DO TEXTO

Publicação no Diário Oficial do Município de Santos em 09 de julho de 1989.

Trabalho Conclusão do Curso de Licenciatura Plena em História

Autora Márcia Campelo de Souza, na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Santos da Universidade Católica de Santos 68 páginas, data 30/11/1987.

Historiadora de Santos Wilma Therezinha Fernandes de Andrade .

QUINTINO DE LACERDA O HOMEM PUBLICO


QUINTINO DE LACERDA O HOMEM PÚBLICO

Logo após a proclamação da Republica, o Marechal Deodoro renuncia e assume a Presidência o Vice Marechal Floriano Peixoto.

Como este não convocou eleições para escolher um novo presidente da Republica, ocorreram várias revoltas contra Floriano Peixoto.

Quintino de Lacerda, como a maioria dos Santistas, deu seu apoio ao vice-presidente em exercício. Durante uma revolta da Marinha, Santos foi bombardeada e entre os batalhões formados pelo povo, um era liderado pôr Quintino de Lacerda.

Como recompensa, recebeu do Governo Federal o título de Major da Guarda nacional.

em 1895, Quintino de Lacerda foi eleito vereador, exercendo seu mandato, sem faltar à nenhuma sessão, sendo nomeado intendente de obras públicas.

morreu em 1898, sendo enterrado no cemitério do Paquetá, onde mais de 800 pessoas prestaram homenagem a este estimado personagem.

Raça Reação e Ação

Autor: Luiz Edson da Luz (João de Belo)

Vamos raça
Mostremos união
ou será que ainda
não aprendemos a lição


Nos espelhamos em Quintino
que sozinho teve força, brio e tino
um Baluarte da Abolição

Aguerrido, politizado
Líder, nato, destacado
jamais titubeou

Não ficou indiferente
agregou a sua gente
sua lida eternizou


Vamos raça
mostremos união
no final celebraremos
a luta jamais será em vão

QUINTINO DE LACERDA - HEROI NEGRO DE ITABAIANA



QUINTINO DE LACERDA - HEROI NEGRO DE ITABAIANA


Quintino de Lacerda - Itabaianense Heroi Negro
Chefe do Quilombo do Jabaquara e primeiro líder político negro de Santos. Nascido em 08 de junho de 1839, Quintino de Lacerda, foi o mais atuante agitador da abolição no litoral Paulista, garantindo abrigo a escravos fugitivos de toda a região do planalto, que aqui buscavam defesa.

O Quilombo do Jabaquara, na descrição de Silva Jardim, era verdadeiramente inexpugnável, defendido pelas encosta do morro do Jabaquara e com um único caminho de acesso permanentemente guardados pôr sentinelas de Quintino.

Em 1850 haviam 3.189 escravos em Santos, para uma população livre de 3.956 habitantes.

Não deixa de ser surpreendente que quinze anos depois já existia uma forte resistência organizada e que três meses antes da abolição do instituto da escravidão no Brasil, em Santos já não houvesse escravos. Tanto que dia 13 de maio de 1888 seguiram-se oito dias de festa populares, comícios, passeatas músicas e dança nas ruas.

Quintino de Lacerda, foi o centro das atenções e chegou a receber, em solenidade pública, um relógio de ouro, como um homenagem popular a seu mais querido líder abolicionista.

Com a abolição, o irrequieto Quintino lança-se à luta política, incorporando, pela primeira vez, os negros ao processo político na cidade. Organiza e comanda um batalhão na defesa contra uma possível invasão de tropas rebeldes interessadas em depor o Marechal Floriano Peixoto. Recebe, em reconhecimento, o título de Major Honorário da Guarda Nacional, em 1893.

Sua eleição para a Câmara municipal, em 1895, porém, faz eclodir uma grande crise política fomentada pêlos setores racista. Ela começa com a negação de sua posse como vereador.

QUINTINO DE LACERDA O PRIMEIRO VEREADOR NEGRO DO BRASIL


QUINTINO DE LACERDA O PRIMEIRO VEREADOR NEGRO DO BRASIL


A batalha judicial que se segue, chega aos tribunais paulistanos, e termina com a vitória de Quintino. Prevendo o desfecho em favor do líder negro, o presidente da Câmara, Manoel Maria Tourinho, renunciou ao mandato, seguido pelo vereador Alberto Veiga. O novo presidente José André do Sacramento Macuco, foi obrigado a empossar Quintino, mas renunciou também ao mandato, em seguida, declarando-se "enojado com o que via", segundo Francisco Martins dos Santos("Histórias de Santos").

Registra o mesmo Historiador que apenas um dos inimigos de Quintino permaneceu na Câmara, embora passasse a não mais comparecer às sessões, Olímpio Lima, diretor do jornal "A Tribuna do Povo".

As atividades da Câmara foram suspensas até 1º de junho, quando voltou a funcionar, sob a presidência interina do próprio Quintino.

No dia 9, os cargos vagos são preenchidos e, a 16, com base na Lei Eleitoral e devido às ausências em plenário, Quintino propõe e obtém, pôr unanimidade, a cassação de Olímpio Lima. O Jornalista, inconformado, voltou à Câmara a 12 de julho, tão logo foi empossado o novo presidente, Antônio Vieira de Figueiredo, mas foi solicitado a retirar-se, já que seu mandato fora cassado. Lima iniciou uma série violenta de ataques contra Quintino em seu jornal, e à própria Câmara, num processo que culminaria, pôr fim, com a revogação da Constituição Municipal autônoma , que fora em 15 de novembro de 1894 e durou menos de um ano.

Quintino de Lacerda morreu em 10 de agosto de 1898, deixando três filhos menores. Seu enterro foi acompanhado pôr um grande número de pessoas, um testemunho do reconhecimento de sua importância histórica.

Fonte: Historiadora de Santos Wilma Therezinha Fernandes de Andrade


Este resumo é parte do Trabalho Conclusão do Curso de Licenciatura Plena em História, Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Santos da Universidade Católica de Santos.
Autora: Márcia Campelo.

Publicado no Diário Oficial do Municío

QUINTINO DE LACERDA O ABOLICIONISTA



QUINTINO DE LACERDA O ABOLICIONISTA

O Fruto de Palmares vingou.
O sonho de liberdade cresceu cada vez mais.
A última grande luta, foi a campanha pela Abolição. Nela participaram muitos brasileiros, alguns contados pela História, outros injustamente esquecidos.
Aqui em Santos, tivemos uma grande figura Abolicionista esquecida pela História: Quintino de Lacerda.

Quem foi este homem ?

Nascido em Sergipe em 8 de junho de 1839, trabalhou como escravo na cozinha da família de Antônio Lacerda Franco, que o tratava como amigo.
Foi libertado pôr seu dono e escolhido pêlos Negros Abolicionistas como chefe do Quilombo do Jabaquara, para onde vinham os Negros fugidos de São Paulo.
Ali lutou pôr seu ideal, amparando os fugitivos com sua coragem.
Com a Lei Áurea, seu trabalho como Abolicionista terminou. Sua obra em prol da liberdade, foi reconhecida e alguns homens ilustres de Santos lhe ofertaram um relógio de ouro como homenagem do povo Santista.
13 de Maio

Autora: Regina Lacerda

No dia 13 de maio
Data da Abolição
Data esta marcada
Dentro de meu coração

Os Negros todos fugiam
No quilombo se escondiam
Quintino de Lacerda
Lá bem os recebiam
Dava-lhes casa e comida
Dava carinho também
até a data de hoje
oa Negros lhe querem bem

QUINTINO DE LACERDA


PROJETO QUINTINO DE LACERDA, preservação da memória sobre a contribuição do NEGRO E SAMBISTA DE SANTOS, visando resgatar a verdadeira história, inclui a participação de diferentes autores cujas contribuições se fundem como Produção de Cultura Negra de Santos.

Direitos assegurados no artigo 5º da Lei Nº 9.610 de 19 de fevereiro de 1998 a qual trata dos Direitos Autorais no Brasil, publicação realizada pela Câmara Municipal de Santos, conforme Oficio Nº 2934/91-SR data 28 de junho de 1991.

Consta a participação da Divisão Regional do Ensino, Secretaria Municipal de Educação e diversos Segmentos Organizados e Representativos da Comunidade Negra de Santos, Sindicatos, Clubes, Escolas de Samba e segmentos interessados total de 32.

A criação foi sugestão da historiadora de Santos Wilma Therezinha Fernandes de Andrade, para tal nos outorgou a integra do trabalho que orientou sobre a Vida de Quintino de Lacerda, monografia conclusão do Curso de Licenciatura Plena em História na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, Universidade Católica de Santos, autora Márcia Campelo.

A institucionalização das leis integradas aconteceu entre 1983 a 1988 pelo desempenho no desenvolvido no Projeto Quintino de Lacerda.

CONTRIBUIÇÃO VOLTADA PARA A IDENTIDADE, FATOR ECONÔMICO E REALIZAÇÃO DA CIDADANIA !!!

O maior prêmio é merecer a vida e, pela cultura, aprender a compartilhar para que esta vida seja melhor para todos.

Essa vida vivida com deveres e responsabilidades, mas também plena de direitos, beleza, criação e o poder de ser o que realmente somos: donos dos nossos próprios destinos.

Projeto Quintino de Lacerda Institucionalização da Produção de Cultura Negra na Baixada Santista Resumo e Texto Completo parte do Seminário Nacional de História e Cultura Afrobrasileira realizado de 19 a 22 de novembro de 2007, na cidade de Campina Grande – PB, sob responsabilidade do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e dos Povos Indígenas (Nea-í), da Universidade Federal da Paraiba

domingo, 20 de julho de 2008

QUINTINO DE LACERDA O ARAUTO DA SERRA. CONTO DE SEVERO D'ACELINO DEDICADO A LUIZ OTÁVIO DE BRITO - ATIVISTA NEGRO DE SANTOS.







QUINTINO DE LACERDA O ARAUTO DA SERRA

No tempo da escravidão, o negro apanhava e buscava alternativa de vida, seja na fuga como estratégia de luta ou se deixava levar buscando seu tempo para revidar com sabedoria ou simplesmente como reação a violência sofrida, A Vila de Santos Antonio da Almas, foi palco como em toda Vila da Capitania de Sergipe, de lutas transformadoras, onde os negros buscavam através dos diversos manifestos, se manter em constante vigilância contra as violências.

Entre Colinas, Serras e Canaviais, caminhava um garoto cabisbaixo, roupa em tiras, ia em direção do rio onde pretendia tomar banho e contar nuvens, observar as figuras etéreas que ali se formava, sempre que o tempo ficava mais quente.

Gostava de tomar banho e correr entre as pedras exercitando sua musculatura que já se pronunciava, mesmo em contraste com a sua magreza em relação a sua altura, parecia uma vara de bambu. Sempre que fugia do engenho e da violência do feitor do senhor e do capataz, que ainda lhe queimava as mãos como castigo, vinha para a s margens dói córrego que chamava de rio.

Quintino sabia da sua situação e sabia também onde viviam outras crianças que fugiam do cativeiro e pensava sempre em se juntar a elas. A sua vida não era muito boa, e assim pensando chegou a beira do riacho, despiu seus trapos e andou pelas margens, brincando com uma borboleta e logo mergulhou sentindo a temperatura da água lhe invadir todo corpo, abstraindo seus pensamentos, aliviando as torturas físicas e morais de sua infeliz alma.

Saiu do riacho e deitou sobre as relvas sem nenhuma preocupação, vez em quando admirava o seu corpo nu que se alongava e se transformava, achava que seus braços eram muito grande e suas pernas também, queria parecer como o Francisco, todo inteiro e musculoso e sem medo de nada e assim dava vazão aos pensamentos que corria mais rápido que as nuvens, transformando em imagens fantásticas.

Deu outros mergulhos e depois subiu numa árvore frondosa que margeava o riacho e lá em cima podia ver o cenário verdejante que compunha o local, avistava também os movimentos dos escravos na lida, uma na lavoura outros no Canavial e outros, cuidando do gado, lá de cima tudo era diferente só a sua visão descortinava o ambiente sem lhe trazer sofrimentos. Era livre, pelo menos da sua imaginação.

O sol esquentava , aquecendo a temperatura, pois o vento quando soprava mostrava a verdadeira frieza que fazia o lugar, mas Quintino se aquecia de esperança, desceu da árvore e voltou a deitar na relva, desta vez bem perto da margem com os pés dentro d água e a cabeça por sobre uma pedra e fitando os céus por entre os galhos.

Ensaiou alguns passos de fugas e defesas, para no momento oportuno seguir sozinho em busca dos quilombolas, sabias que muitos grupos de quilombos aceitavam meninos, pois já ajudaram muitos dos seus amigos a fugirem para os quilombos e deixarem de apanhar. Nunca disse nada a ninguém, nem a sua mãe.

Quando apanhava recebia dela a mensagem para fugir, mas até agora não fugiu, tem medo e pena de deixar a mãe apanhar por causa dele, pois já viu muitas das mães apanhando por seus filhos terem fugido, o mais recente foi Malaquias de pouco mais de seis anos, o Sinhozinho disse que ele não vingaria e que seria morto pelos bichos ou de fome.

Nezinha foi embarrigada pelo Sinhozinho e agora não podia mais sair com ela que depois da surra está com os pés quebrados. Só anda mancando, dizem que vão mandar ela pras bandas do Maruim para ser ama de uma velha.

Tempo passou e foi vendido, mas sua mãe não chorou. Foi vendido para um coronel que ia viajar e foi vendido como ladrão. Nunca tinha roubado e ainda apanhou no tronco antes de ser entregue ao novo senhor, saiu do engenho com marcas gotejantes.
Na casa do novo dono, foi tratado pelas filhas dele e ele era muito bom e na viagem foi tratado diferente dos outros escravos que se encontravam no navio. Passou muitos dias até chegar no destino, era uma terra fria e agitada
Se ouvia muitos gritos.

Na casa do senhor, ficou do lado de dentro, não dormia na senzala e lá não tinha senzala, tinha uma ruma de gente que entrava e saia depois de muitas conversas.

Uma vez o senhor perguntou se não gostaria de aprender a ler e mandou suas filhas lhe ensinar e já começava a fazer parte da comitiva que visitava o senhor, pois pedia até a sua opinião, quando ia levar alguma coisa que mandavam.

Quintino crescia se tornava um negro forte, já fazia alguns serviços para fora, como negro de ganho, andava no Porto e não era perseguido e até começou trabalhar no cais.
Um dia uns amigos do Senhor lhe perguntou se não gostaria de chefiar um local para proteger os negros que fugiam dos engenhos. Ele pestanejou e lembrou de seus amigos que fugiam do cativeiro ainda criança e iam procurar por chefes de quilombos. Lembrou de Malaquias e sua coragem fluiu como um sonho realizado. Disse que sim e que poderia fazer o que precisasse.

Ele desconfiava que muitos desses Senhores, invadiam os engenhos para libertar negros, já tinha percebido isso por diversas vezes, principalmente quando era acordado madrugada pelos barulhos surdos que vinham da sala e sempre percebia pela manhã alguns negros com mochilas, esperando serem levados para o serviço.

Quintino vivia entre intelectuais progressistas, ativistas que lutavam contra o escravismo. Aprendeu a se portar ativamente, sem subterfúgio, enfrentando as adversidades e dialogando com os maiores pensadores da resistência.

Naquele mesmo dia foi levado com alguns escravos em comitiva para o local onde seria o maior quilombo agrícola do sul do país. Jabaquara onde buscou liderar as ações de permanência dos resgatados, usando estratégias ancestrais nunca antes praticadas.
A resistência do Jabaquara interagia com a comunidade de quem era conhecido e reconhecido, diversas vezes fez interferência em favor do coletivo de Santos

Como chefe do Quilombo do Jabaquara destacou-se como líder obedecido sem contestação. É a fase heróica da vida desse negro corajoso. Chefiou homens armados, capoeira, resgatando levas de escravos, na Serra do Mar, para levá-los para a Vila da Redenção como o povo chamava ao Jabaquara. No Quilombo, a organização da nova vida: a vida com liberdade.

E o batalhão que ele formou com negros e brancos contra a Revolução da Armada? Revela além de coerência política, a compreensão da necessidade de unir as raças. Quintino não foi só obra do ambiente ativo de Santos. De vários modos e em diferentes etapas da vida, ele mostrou um marcado valor social.
Com seus companheiros e com toda comunidade santista, comemorou o Lei Áurea, o fim do cativeiro.

E foi chamado a prosseguir na luta, sendo inspetor de quarteirão. Foi condecorado pelo Presidente da República Marechal Deodoro e atendendo aos pedidos se ligou ao legislativo municipal e concorreu as eleições sendo eleito o primeiro Vereador Negro do Brasil.

Mas as suas insatisfações se cristalizarão pela demonstração de intolerâncias, do racismo e das discriminações e se retirando da política, buscou outras atividades para suas ações. Já casado com filhos entrou em depressão e faleceu.

A cidade demonstrou o seu orgulho, seu amor e seu respeito pelo insigne Herói da Libertação e lhe deu efusiva despedida, gravando na Matriz e no Cemitério Central, memorial do seu legado.

Anos depois seu reconhecimento foi eternizado nos versos do Hino da Cidade e nas homenagens que lhes prestaram mandando erguer monumentos ao Coronel Quintino de Lacerda, patente outorgada pelo primeiro Presidente desta Nação, ao menino escravo dos engenhos de Sergipe, em Itabaiana terra de João Mulungu e grandes Heróis Negros. O maior reduto de quilombos de estradas do Brasil. Seu nome também foi lembrado em sua terra, onde denominaram uma artéria publica com seu nome e reconheceram-no pelo seu legislativo municipal, como Herói Negro de Itabaiana, considerando o 8 de Junho como o Dia Municipal de Luta da Consciência Negra em sua homenagem gravado em 20 de setembro de 2001.

Chefe do Quilombo do Jabaquara e primeiro líder político negro de Santos. Nascido em 08 de junho de 1839, Quintino de Lacerda, foi o mais atuante agitador da abolição no litoral Paulista, garantindo abrigo a escravos fugitivos de toda a região do planalto, que aqui buscavam defesa.

O Quilombo do Jabaquara, era verdadeiramente inexpugnável, defendido pelas encosta do morro do Jabaquara e com um único caminho de acesso permanentemente guardados pôr sentinelas de Quintino.

Em 1850 haviam 3.189 escravos em Santos, para uma população livre de 3.956 habitantes.

Não deixa de ser surpreendente que quinze anos depois já existia uma forte resistência organizada e que três meses antes da abolição do instituto da escravidão no Brasil, em Santos já não houvesse escravos. Tanto que dia 13 de maio de 1888 seguiram-se oito dias de festa populares, comícios, passeatas músicas e dança nas ruas.

Quintino de Lacerda foi o centro das atenções e chegou a receber, em solenidade pública, um relógio de ouro, como uma homenagem popular a seu mais querido líder abolicionista.

Com a abolição, o irrequieto Quintino lança-se à luta política, incorporando, pela primeira vez, os negros ao processo político na cidade. Organiza e comanda um batalhão na defesa contra uma possível invasão de tropas rebeldes interessadas em depor o Marechal Floriano Peixoto. Recebe, em reconhecimento, o título de Major Honorário da Guarda Nacional, em 1893.

Sua eleição para a Câmara municipal, em 1895, porém, faz eclodir uma grande crise política fomentada pelos setores racista. Ela começa com a negação de sua posse como vereador.

ARQUIVO HUMANO REVISITADO POR SEVERO D'ACELINO. Nota da Editora MemoriAfro.




Nota da Editora MemoriAfro.


ARQUIVO HUMANO – REVISITADO

O ARQUIVO HUNANO AFRO SERGIPANO – através das narrativas lineares e breves de Severo D'Acelino é revisitado tendo como base a expressão de sua atuação positiva, levantada pela imaginação do autor que busca no transporte difundir o conjunto de suas manifestações e idéias, com ritmos, tensões e conflitos através da dramaticidade em flashback, sem, contudo fugir da psicologia dos seus personagens nem as motivações dos episódios narrados.

O manifesto permite a multiplicidade de interpretações e referendus históricos estoriados, fundamentos da tradição oral que se manifestas em todos os níveis das relações e comunicações humanas, gerando emoções e conflitos.

A memória coletiva detém infindáveis informações que se expressão através dos sentimentos, denunciando as ações manifestadas por reproduções de imagens diversas, capazes de ferir, atenuar ou cristalizar sentimentos negativos e ou positivos conforme a interpretação que se da aos fatos.

A oralidade tem diversas manifestações em uma única expressão que pode gerar ou não, conflitos e emoções diferentes.

As narrativas encontram alvos nos diversos líderes que em Sergipe de influência africana, produziram grandes feitos mesmo diante das adversidades de um território contrário as manifestações negro-africana, detentores de valores etnocêntrico, fundamentados pelos portugueses, sem no entanto lhes oferecer o conjunto destes espaços ao condutor europeu.

O conjunto organizado de idéias, saberes tradicionais e culturais, marcam profundamente as narrativa com desdobramento em diversos níveis do conteúdo histórico, organizacional das Tradições Africanas em Sergipe e seu Arquivo Humano.

Os Contos buscam assinalar episódios dos personagens centrados na narrativa, com cenários reais e pictóricos da territorialidade espacial onde o personagem conviveu e os fatores que os cercaram na trajetória narrada, revivendo mesmo que paralelamente, manifestos de episódios que possam emprestar dramaticidade e sentimentos a inspiração e o entusiasmo da criação rítmica da imaginação do autor num relato oral e tradicional de contornos verossímeis e também ocorrendo dentro do maravilhoso e do sobrenatural.

Seus conto são narrativas curtas. O tempo em que se passa é reduzido e contém poucas personagens que existem em função de um núcleo. É o relato de uma situação que pode acontecer na vida das personagens, porém não é comum que ocorra com todo mundo. Pode ter um caráter real ou fantástico da mesma forma que o tempo pode ser cronológico ou psicológico.

Permeia o realismo fantastico, povoado de magia, mitos e relatos é uma narrativa onde a o epsódio se passa entre acontecimentos históricos, ou mais geralmente, no qual o memorial e tempo de acção se intercala no relato, emprestando o ton de realismo fantástico, induzindo o leitor a interação no preenchimento das elipses narrativas e entender a história por traz da história contada numa ação minimalista
Em seus relato oral e tradicional de contornos verossímeis e também ocorrendo dentro do maravilhoso e do sobrenatural. Pode mencionar fatos possíveis. O conto é de importância capital como expressão da psicologia coletiva no quadro da literatura oral de um grupo, principalmente o negro sergipano, excluido e marginalizado pelas ações das intolerâncias institucionais.
As suas diversas modalidades, os processos de transmissão, adaptação, narração, os auxílios da mímica, entonação, o nível intelectual do auditório, sua recepção, reação e projeção, determinam o valor supremo como um dos mais expressivos índices intelectuais populares.
O conto ainda documenta a sobrevivência, o registro de usos, costumes e fórmulas jurídicas esquecidas no tempo. A moral de uma época distante continua imóvel no conto que ouvimos nos nossos dias.